Brasil encurta o trajeto para exportar e importar da China

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NOVA ROTA MARÍTIMA AMAPÁ-CHINA

Porto de Santana, no Amapá. Printscreen

Desde antes dos tarifaços estabelecidos pelo Laranjão, o comércio marítimo entre Brasil e China é intenso e estratégico, com diversas rotas que conectam os dois países, através dos oceanos Atlântico e Pacífico. Agora, o aperfeiçoamento logístico por mar, entre China e Brasil, ganha uma nova e importante alternativa com um novo porto brasileiro, incluído nessa rede que vem sendo chamada de Canal Dourado. Essa rota conecta o sul da China ao Norte e Nordeste do Brasil, passando pelo Oceano Índico e contornando o sul da África. Dessa forma, evita de passar pelo congestionamento do Canal do Panamá, uma opção estratégica para a China. O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional do nosso País, Waldez Góes, celebra a nova rota marítima que liga a China ao Porto de Santana, distante 17 quilômetros da capital do Amapá. Mais um salto para atenuar os efeitos do desprezível tarifaço.

Em entrevista no programa “Bom dia, ministro”, Waldez destacou o potencial dessa nova opção de ligação marítima com a Ásia, que reduz custos e agiliza envios, em especial para produtores do Norte e do Centro-Oeste brasileiros. O ministro explicou as vantagens nos custos e na redução no tempo necessário para transportar as cargas entre os dois países:

“Se você sair hoje com o produto do Centro-Oeste por Santana ou pelo Arco Norte para a Europa, você diminui, por exemplo, o custo de 14 dólares por tonelada de soja. E se for para a China, o custo cai 7,8 dólares por tonelada, na comparação com o Porto de Santos” – revela Waldez.

Entrevistado quinta-feira (28), o titular da pasta afirmou que a industrialização consciente deve ser vista na Amazônia como um fator fundamental de desenvolvimento da região: “A melhor estratégia para a Amazônia é agregar valor nos produtos da Amazônia. Beneficiar produtos, gerar emprego e renda. Isso é para o açaí, é para o cacau, é para o café, é para a castanha, é para a madeira, é para o pescado, é para a piscicultura. Todas as atividades. O ideal é agregar valor”, enfatizou o ministro.

O ministro Waldez Góes na entrevista. Foto: Diego Campos/Secom-PR

Segundo ele, a região entra amanhã (30/8) em uma nova fase da relação com a China, em função da chegada ao Porto de Santana das Docas, no Amapá, do primeiro navio da nova rota para a Ásia. Essa nova rota simboliza uma opção atrativa, em especial para produtores das regiões Centro-Oeste e Norte, que antes ficavam restritos à logística de exportação via Porto de Santos (SP).

A embarcação saiu do porto de Zhuhai, na China, e a chegada ao Amapá fortalece relações bilaterais e facilita a logística de escoamento de produtos amazônicos para a Ásia. “Eles têm muito interesse pelo mel, pelo açaí e pelo cacau. Os produtos da biodiversidade têm grande perspectiva na China”, destacou Waldez.

“O ministério tem três memorandos de cooperação com o governo chinês e um deles é no desenvolvimento regional, que trata prioritariamente dos produtos da biodiversidade e da logística. A rota Zhuhai-Santana está nessa estratégia. Dia 30, o primeiro navio dessa rota está encostando no porto de Santana, em Macapá. Daí para frente, vai ser possível aumentar nossa capacidade de articular produtos de interesse da China. O Brasil continua exportando muita soja, café e ferro para a China, mas a ideia é ampliar essa lista”.

O chamado Arco Norte é uma possibilidade que foi enxergada pelos chineses mas, no Brasil, a economia de custos e a maior agilidade do processo de exportação também vão ajudar na organização da logística.

O acordo Brasil-China

Os dois países firmaram, em 4 de novembro de 2024, um protocolo para a criação da rota marítima direta, entre a região da Grande Baía (Guangdong-Hong Kong-Macau) e o Porto de Santana das Docas, no Amapá. Essa conexão posiciona Santana como um centro estratégico para importação de biofertilizantes e futuro escoamento de produtos agrícolas brasileiros para a China.

Assinaram o protocolo de intenções a Companhia Docas de Santana e a Comissão Administrativa da Zona de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico de Zhuhai.

O acordo representa um passo significativo para fortalecer as relações comerciais entre Brasil e China e potencializa o desenvolvimento econômico do Norte, permitindo que a região receba os navios chineses, reduzindo o trajeto em até duas semanas, em comparação com as rotas tradicionais.

Autoridades do Amapá se reuniram com autoridades da China — Foto: Governo Federal

O acordo foi assinado pelo ministro da Integração e Desenvolvimento Regional e por autoridades do governo Chinês. A cerimônia histórica selou o compromisso de impulsionar o comércio entre os dois países: “Essa parceria promete modernizar a infraestrutura, encurtar distâncias e criar um ecossistema único de cooperação e desenvolvimento sustentável”, disse, então, o ministro.

Representando a China, o presidente da autoridade portuária de Zhuhai, Huang Jianping, disse à Rede Amazônica de televisão que o documento impulsiona a economia de ambos os países: “Nós precisamos aproveitar essa rota marítima direta para aumentar o intercâmbio no comércio, nas culturas, no turismo, em tudo, para aumentar os negócios em geral”, disse Jianping.

Do país asiático, estiveram presentes também a Comissão Administrativa da Zona de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico de Zhuhai, na China, responsável pela Plataforma Integrada de Serviços Econômicos e Comerciais Sino-Latino-Americana.

O prefeito de Santana, Bala Rocha, disse que a oportunidade representa a geração de emprego e renda no município: “A China vai exportar biofertilizantes, por meio do Porto de Santana, que vai ser espalhado pelo Brasil afora, principalmente, para a região Centro-Oeste, além de ficar também no Amapá e, como contrapartida, nós enviaremos os grãos de soja, que recebemos no Porto de Santana, para China. Essa parceria vai gerar emprego, renda e oportunidades”, disse.

Para esta primeira remessa de biofertilizantes, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) já realizou o teste do primeiro lote de biofertilizantes, que vai passar, por uma transferência de tecnologia, pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

Trajeto aproximado da Rota do Canal Dourado.

Rotas Marítimas Brasil–China

Aqui estão os principais caminhos comerciais existentes, por mar, entre os dois países, incluindo essa novidade promissora.

As rotas tradicionais, geralmente, partem dos principais portos brasileiros e seguem pelo Canal do Panamá ou contornam o Cabo da Boa Esperança, na direção da China.

Até hoje, o principal porto de origem, no Brasil, é o de Santos (SP), com destino a Xangai, Ningbo e Shenzhen, passando pelo Atlântico, o Canal do Panamá e o Pacífico. A segunda rota parte de Paranaguá (PR), rumo a Qingdao e Tianjin, passando pelo Atlântico, o Cabo da Boa Esperança, o Oceano Índico e o Pacífico. A terceira sai do porto de Rio Grande (RS) para Guangzhou e Dalian, passando pelo Atlântico, Canal do Panamá e Pacífico.

Essas rotas são usadas para exportação de soja, minério de ferro, carne e celulose, e importação de eletrônicos, máquinas e fertilizantes.

A nova rota direta sairá do Porto de Santana (AP) para o porto de Gaolan, em Zhuhai, na região da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, inicialmente para o transporte de biofertilizantes. Em breve, vai incluir a exportação de grãos e produtos da bioeconomia amazônica, como pequi, castanha e outras especialidades, apreciadas no país asiático.

Pôxa! Como é bom o Brasil ser uma das mais importantes lideranças do BRICS+!

One response to “Brasil encurta o trajeto para exportar e importar da China”

  1. Avatar de heroic0573c510b4
    heroic0573c510b4

    Mais um gol do Brics!

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