O MUNDO ACOMPANHA NOVA MISSÃO HUMANITÁRIA

Os barcos se reúnem no Mediterrâneo, antes de partir. Foto: Equipe Neves
Mais de 500 militantes de 44 países do mundo estão partindo, amanhã, de Barcelona para Gaza, em diversos barcos, a fim de romperem o bloqueio de alimentos e manifestarem seu protesto e revolta contra as atitudes desumanas, praticadas pelo Estado de Israel contra os palestinos. Desesperada, o que restou da população – encurralada na faixa de Gaza – passa fome, sede e enfrenta graves problemas de saúde, sem a devida assistência médica, sob intensos bombardeios e tiroteios. Tudo por causa da atitude genocida e de limpeza étnica do sionismo israelense, que assassina friamente mulheres, crianças, médicos, enfermeiros e socorristas, dizendo que está caçando o Hamas. Na verdade, eles querem mesmo ocupar o território e, quem sabe, instalar em Gaza um resort de luxo, como propôs o Laranjão do Norte. Por cima de milhares de túmulos.
Começam a aparecer, nas redes sociais, notícias de que uma terceira missão humanitária se prepara para viajar, em vários barcos, na direção de Gaza. Como todos se lembram, a primeira dessas manifestações ocorreu há poucos meses, mas foi sufocada à força, ainda no mar; o segundo grupo seguia a pé para Gaza, mas foi interrompido pelos governos aliados ao sionismo, nos arredores de Israel. A nova missão internacional, com o mesmo objetivo das anteriores, também terá brasileiros entre os participantes.
A ação busca abrir corredor humanitário para o enclave e tem respaldo de leis internacionais, dizem entidades participantes do movimento. Essa é a terceira tentativa de furar o bloqueio imposto por Israel.
Em junho, uma embarcação da Flotilha da Liberdade foi interceptada por Israel, enquanto transportava ajuda humanitária. Doze tripulantes foram detidos em águas internacionais, entre eles o brasileiro Thiago Ávila, que volta a participar da iniciativa agora.
Um dos brasileiros que faz parte do grupo, Magno de Carvalho, informou dia 26: “Estou embarcando hoje para o ponto de partida (Barcelona, na Espanha); de lá e de outros países, sairão vários barcos, dentro de alguns dias, que se encontrarão num ponto do mar, de onde, em comboio, seguiremos a Gaza.” E segue seu relato, emocionado:
“Vamos navegar para tentar furar o cerco imposto a Gaza e criar um corredor humanitário para levar alimentos e remédios para o povo Palestino que insiste em viver e resistir ao genocídio praticado por Israel com bombas, balas e a fome, usada como arma de guerra contra crianças mulheres e homens.
“Estou em Barcelona, representando a CSP CONLUTAS – Central Sindical e Popular e o Sintusp. Daqui, partiremos com vinte ɓarcos pequenos e médios para encontrarmos com os outros barcos que sairão de outros países, como Itália e Tunísia, num ponto do mar Mediterrâneo, de onde formaremos um comboio com todos os barcos, rumo a Gaza.
“Nos treinamentos dos que vão embarcar levantamos as hipóteses: 1-Chegarmos a Gaza e entregarmos os alimentos e medicamentos aos companheiros palestinos. 2-Os barcos serem interceptados, todos sermos presos e levados para Telaviv e, posteriormente, deportados. 3-Ataques aos barcos com drones e mísseis.
“Nós estamos acreditando que, com este número de barcos e de militantes de tantos países, um ataque ou uma interceptação violenta e prisão de centenas de militantes terão um custo político muito alto, até porque seria ilegal isto ocorrer, principalmente em águas internacionais.
“Partiremos com o objetivo e a expectativa de chegar em Gaza. Sairemos de Barcelona dia 31/8, domingo, às 14 h. Teremos muitos dias de viagem até Gaza e contamos com as manifestações, principalmente no dia 13/9, data já marcada em vários países em apoio e incentivo ao êxito da nossa missão.
“Sabemos que a divulgação entre a população de Gaza já gera uma expectativa grande e positiva. Vamos juntos. PALESTINA LIVRE DO RIO AO MAR.”

Magno de Carvalho representa trabalhadores e sindicatos brasileiros na missão.
Sionismo retalia o Brasil
O governo sionista de Israel rebaixou, esta semana, a relação diplomática com Brasil, acusando o presidente Lula de seguir ‘linha crítica e hostil’. A chancelaria israelense anunciou que não enviará mais um novo embaixador a Brasília, após o governo Lula não responder ao pedido de agreement – consentimento de um Estado para que determinado diplomata estrangeiro seja nomeado para função em seu território – para o diplomata Gali Dagan, indicado em janeiro.
A ausência de resposta, segundo Tel Aviv, levou à retirada da indicação e ao rebaixamento do nível diplomático: “A linha crítica e hostil demonstrada pelo Brasil em relação a Israel […] foi intensificada pelas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, diz a nota do ministério, citada pela imprensa local.
Mas, parece que isso não preocupa o Governo brasileiro. O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, explicou segunda-feira (25) os motivos que levaram o Brasil a não conceder o agreement ao diplomata israelense. Questionado pelo G1, Amorim respondeu que “o governo brasileiro nunca vetou a vinda do diplomata”:
“Não houve veto. Pediram um agreement e não demos. Não respondemos. Simplesmente não demos. Eles entenderam e desistiram. Eles humilharam nosso embaixador lá, uma humilhação pública. Depois daquilo, o que eles queriam?”.
Na ocasião, o então embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, foi convidado pelo chanceler Israel Katz, para uma visita ao Museu do Holocausto, onde foi criticado publicamente, frente às câmeras, por Katz, que declarou também que Lula seria persona non-grata no país.

O embaixador Celso Amorim.
Gaza está cercada e o povo morrendo
Milhares de pessoas fogem de Gaza, enquanto Israel ameaça invadir uma cidade superlotada. Com o território palestino à beira do colapso, Israel ameaça invadir sua cidade mais populosa, forçando milhares de pessoas a fugir novamente. Sem recursos, espaço ou alternativas, palestinos como Karim Hamdan enfrentam o calor, a fome e o medo, enquanto a ONU alerta para uma catástrofe humanitária iminente.
Segundo o Financial Times, enquanto o verão sufocante de Gaza assola a região castigada pela guerra, Karim Hamdan, um comerciante de 52 anos, vive em condições extremas, dormindo ao relento e lutando diariamente por água. Deslocado nove vezes, ele afirma não ter mais forças nem recursos para fugir novamente, caso Israel avance com seus planos militares. A Cidade de Gaza, já superlotada por deslocados, enfrenta uma nova ameaça de invasão, com o ministro da Defesa israelense prometendo destruição, caso o movimento palestino Hamas não aceite os termos de cessar-fogo.
Com quase 90% do território de Gaza sob zonas militarizadas ou ordens de evacuação, a população de 2,1 milhões está encurralada. Mawasi, no Sul, se tornou o último refúgio possível, mas já está superlotada e sem infraestrutura adequada. Hamdan, como muitos outros, não sabe para onde ir e teme que qualquer espaço livre – uma rua ou uma faixa de areia – seja sua única opção de abrigo.
Organizações humanitárias alertam que uma ofensiva israelense na Cidade de Gaza agravaria drasticamente a crise humanitária. A ONU já declarou a situação de fome na região e muitos palestinos estão física e emocionalmente exaustos, sem condições de se deslocar novamente. Chris McIntosh, da Oxfam, afirmou que o deslocamento em massa criaria uma sequência de desastres, com milhares lutando por recursos escassos, em áreas já saturadas.

Palestinos deslocados inspecionam suas tendas destruídas por um bombardeio de Israel, no oeste da cidade de Rafah – Foto:Sputnik Brasil
ONU: ‘tsunami humanitário’
A Organização das Nações Unidas afirma ao mundo que a situação da fome na Faixa de Gaza é um ‘tsunami humanitário’. Apesar das críticas internacionais, Israel iniciou operações preliminares nos distritos periféricos da Cidade de Gaza e planeja empurrar os moradores para o sul. A França e outros aliados condenaram a escalada, chamando-a de “desastre iminente”. Enquanto isso, o Hamas declarou ter aceitado uma proposta de cessar-fogo, semelhante à já aprovada por Israel, mas o governo israelense insiste em um acordo que envolva a libertação de todos os reféns.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, autorizou os planos de captura da cidade e ordenou negociações para libertar os cerca de 50 reféns restantes. Entre 12 e 20 de agosto, mais de 16.000 pessoas foram forçadas a fugir devido aos bombardeios intensos. No entanto, muitos palestinos permanecem na cidade, acreditando que a evacuação forçada faz parte de um plano israelense para expulsá-los definitivamente.
Moradores relataram à mídia que áreas como Mawasi e Deir al-Balah estão superlotadas, e o custo de deslocamento é proibitivo – até US$ 400 (R$ 2.168) para transportar uma barraca. Mesmo com esse esforço, encontrar um espaço livre é quase impossível. Alguns ainda esperam que um acordo de paz seja alcançado antes que os ataques os atinjam diretamente.
Hanine Dahlan, professora e mãe de dois filhos, falou que, inicialmente, decidiu permanecer na cidade, apesar da fome e da falta de medicamentos. No entanto, diante da iminente invasão e do medo pela segurança dos filhos, ela mudou de ideia. “Claro que vou. Mesmo que não haja lugar nenhum”, disse, expressando o desespero compartilhado por milhares de palestinos, diante de uma crise sem saída.

Choro, desespero e ranger de dentes, entre os palestinos, na Faixa de Gaza.
Nesse ambiente de pânico e desespero, ataques israelenses a um hospital em Gaza mataram 15 pessoas, incluindo jornalistas, diz a mídia.
Os ataques israelenses ao Hospital Nasser, em Gaza, mataram ao menos 15 pessoas, incluindo quatro jornalistas — um deles da Reuters. O segundo bombardeio ocorreu enquanto equipes de resgate e imprensa atendiam o local do primeiro ataque, segundo testemunhas.
Entre os mortos estava o cinegrafista Hussam al-Masri, contratado da Reuters, cuja transmissão ao vivo foi interrompida no momento do ataque. O fotógrafo Hatem Khaled, também da Reuters, ficou ferido em um segundo ataque. De acordo com a agência britânica, o Exército israelense e o gabinete do primeiro-ministro não se pronunciaram imediatamente sobre os acontecimentos.
Além de al-Masri, as autoridades identificaram os jornalistas Mariam Abu Dagga, Mohammed Salama e Moaz Abu Taha, entre os mortos. Um socorrista também perdeu a vida durante os ataques, ampliando o impacto sobre profissionais que atuavam na linha de frente da assistência humanitária.
Segundo o Sindicato dos Jornalistas Palestinos, mais de 240 jornalistas palestinos foram mortos por disparos israelenses, desde o início da guerra em 7 de outubro de 2023, evidenciando os riscos enfrentados por profissionais da imprensa na região.
Agora, os olhos do mundo se voltam novamente para mais uma tentativa de furar o bloqueio de alimentos à população moribunda. Abnegados militantes insistem em levar uma carga de alimentos e remédios a esse povo que sofre, há séculos, segregação racial e religiosa, pelo impiedoso exército israelense.
Esses “olhos do mundo” não param de chorar, até que esses ‘humanos’ percebam que a catástrofe provocada é o maior dos pecados. E que os mesmos olhos possam voltar a enxergar, ao invés de fumaça e destruição, o branco da paz. Deus acompanhe a flotilha da salvação que está a caminho.
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Fontes: Sputnik, Financial Times e Reuters


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