80 anos do Dia da Vitória na China -Cúpula BRICS reunida

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A estreita aliança de China, Rússia, Índia e Brasil

Putin mantém conversas com Xi Jinping e líderes estrangeiros em Pequim

O mundo testemunhou, ontem (3), uma importante manifestação geopolítica, de proximidade, entre líderes asiáticos de relevo, como a cúpula dos BRICS, reunindo dezenas de representantes de diversos países. E a ocasião era mesmo muito especial, a comemoração ao Dia da Vitória na China com um grande desfile militar, no centro da capital, que marcava os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Existe  um motivo próprio para os chineses comemorarem no dia 3, ao invés do dia 2, como veremos abaixo. Coletamos a análise de especialistas para trazer aqui qual o simbolismo dessa data para o povo chinês. E, por falar em simbolismos, a coesão desse bloco ficou muito evidente, assim como a competência de Pequim para organizar a festa. Boa leitura!

O Brasil foi convidado por Xi Jinping para as comemorações dos 80 anos da Vitória contra o Eixo na Segunda Guerra Mundial em Pequim. Representando Lula e o governo brasileiro estava Celso Amorim, braço direito diplomático de Lula e Assessor Especial da Presidência para Relações Internacionais.

Em entrevista ao Mundioka, podcast da Agência Sputnik Brasil, especialistas detalham especificidades que fazem o Dia da Vitória, celebrado na China, diferente de outros marcos e triunfos na Segunda Guerra Mundial.

“O dia 3, o Dia da Vitória, também é chamado lá de Dia da Vitória da guerra de resistência do povo chinês contra a agressão japonesa”, comenta Letícia Simões, doutora em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Uma particularidade importante, portanto, se encontra na medida em que o teatro de guerra no Leste Asiático se confunde com a Segunda Guerra Mundial. No caso da China, por exemplo, o país vivia o chamado século da humilhação e lutava contra a invasão japonesa na região da Manchúria desde 1931. Foram 14 anos de combate até a rendição do Império Japonês no dia 2 de setembro.

“A escolha do dia 3, setembro – e não do dia 2, celebrado pelos EUA, que é o dia da rendição – é uma maneira de se desvincular um pouco desse storytelling, dessa história oficial ocidental, e chamar um pouco mais de atenção para essa vitória, que também foi uma vitória de resistência do povo chinês”, ressalta a analista.

Putin, Xi e Narendra conversaram bastante.

Na avaliação de Rodrigo Abreu, doutorando em relações internacionais na UFSC e mestre em estudos estratégicos pela Universidade Federal Fluminense (UFF), pouco se fala sobre o papel da China na contenção dos japoneses.

“É muito importante a gente ressaltar o quão crucial foi essa resistência da China pra limitar os recursos que o Japão poderia utilizar, até contra os Estados Unidos, ali naquela guerra naval”, ressalta o especialista.

Naquele contexto, a China passava por uma guerra civil entre nacionalistas e comunistas e foi necessário um “armistício” para derrotar o inimigo externo.

“A vitória da Segunda Guerra Mundial é como se fosse um checklist que seria necessário pra, eventualmente, a China unificar todo o seu território e, de fato, dar fim a esse chamado século de humilhação”.

Desfile do Dia da Vitória tem Xi Jinping, Putin e Kim Jong-un, lado a lado.

Comemorações em Pequim

No desfile da praça da Paz Celestial, em Pequim, a China exibiu ao mundo seu poderio militar, durante a celebração do Dia da Vitória. Quem assistiu o cortejo pôde ver inovações – tanques, drones, helicópteros e mísseis – especialmente o míssil balístico intercontinental Dongfeng 5 (DF-5C), apresentado durante a solenidade.

O presidente chinês, Xi Jinping, em seu discurso à nação, expressou gratidão aos veteranos de guerra e afirmou que “o povo chinês “permanece firmemente do lado certo da história”.

Xi inspeciona tropas antes do desfile -Sputnik Brasil

A celebração também contou com a presença do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e do mais alto líder da República Popular Democrática da Coreia, Kim Jong-un. Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, não compareceu ao desfile, mas esteve na China nesta semana de solenidades para participar da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX).

Conforme relembra Simões, é a primeira vez em mais de 60 anos que um líder norte-coreano participa de uma parada militar no território da China continental. “A última vez foi na República Popular da China”, disse, destacando que esse foi o avô de Kim Jong-un, em 1959.

O recado passado com esse evento, organizado pelos chineses, mostra que Xi Jinping se empenha em passar o papel “de um líder diplomático e, claro, de um líder que está olhando para o seu entorno, para o fortalecimento de uma região que não é o Ocidente, para buscar esse protagonismo que ele já vem alcançando, enquanto líder e, claro, como líder da China”.

O professor Abreu destaca que, no contexto do evento, o recado passado ao mundo, no contexto do evento, mostram Putin, Xi e Modi juntos, ressaltando que “um terço da população global e 20% do PIB mundial” estiveram reunidos e que, segundo ele, o principal ponto, “a mensagem de que a Rússia não está isolada do mundo”.

“Muitos líderes ocidentais e europeus recusaram ir à parada militar na China por conta da presença do Putin. Mesmo assim, a China optou por manter, sustentar o convite ao Putin e desconvidar, entre aspas, os líderes europeus. Ou seja, se a motivação estava clara de que os líderes europeus não iriam por conta do Putin, a China escolheu manter o convite ao Putin”, completa.

A presidenta do Banco dos BRICS, Dilma Rousseff, esteve presente, sendo recebida pelo presidente, Xi Jinping e esposa. Printscreen

Encontros ‘cabeludos’

O jornal inglês The Guardian avalia o encontro de Vladimir Putin, Xi Jinping e Kim Jong-Um, nos festejos de Pequim. Esse foi o primeiro encontro tripartido na história dos líderes da Rússia, China e Coreia do Norte e ocorreu durante o desfile militar em Pequim que marcou os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. “Isso é bastante simbólico”, escreve o jornal britânico.

O jornal deixa claro que os resultados da reunião ainda não estão evidentes, mas os líderes de muitos países, incluindo os EUA, o Reino Unido, o Japão e a Coreia do Sul, provavelmente observaram o que estava acontecendo com uma mistura de curiosidade e ansiedade.

“Há uma chance, é claro, de que o evento de quarta-feira (3) ocupe as mentes do presidente dos EUA, Donald Trump, e de outros líderes ocidentais”, ressalta a publicação.

Segundo o artigo, as mudanças dramáticas no cenário geopolítico se combinaram para reunir Xi Jinping, Vladimir Putin e Kim Jong-un. Muitos observadores estão chamando este fato de recomposição dramática do equilíbrio global de poder. Além disso, a publicação opina que o simbolismo do encontro pode ser ainda maior que o grande desfile militar que aconteceu em Pequim.

As imagens de Pequim mostram que o “Axis of Upheaval” (Eixo da Revolta, em tradução livre) não é mais apenas uma ideia, mas uma realidade política, finaliza a publicação.

O termo “Eixo da Revolta” foi cunhado em 2024 pelos analistas ocidentais Richard Fontaine e Andrea Kendall-Taylor, do Centro para uma Nova Segurança Americana, para descrever a colaboração crescente e flexível entre a Rússia, Irã, China e Coreia do Norte, que compartilham a oposição à hegemonia dos EUA e ao modelo ocidental, buscando desafiar a ordem global liderada pelo Ocidente. Esse conceito reflete uma visão ocidental sobre a aliança informal desses países contra a influência norte-americana, enfatizando a natureza estratégica e a ameaça que representam para o status quo internacional.

Apresentação de gala intitulada A Justiça Prevalecerá – Sputnik Brasil.

O anfitrião e seus convidados especiais se dirigem ao desfile. Printscreen

Uma resposta para “80 anos do Dia da Vitória na China -Cúpula BRICS reunida”

  1. Avatar de
    Anônimo

    O UNIVERSO, NA LUZ DO CRIADOR, SEMPRE BALANÇA O PÊNDULO, TRABALHADO NA INTELIGÊNCIA, NO FOCO, E NO TRABALHO FORTALECEDOR, NO SUBCONCIENTE DE UMA POPULAÇÃO, QUE NÃO É DOUTRINADA, MAS UMA POPULAÇÃO QUE MEDITA NA LUZ DA CONSCIÊNCIA DIVINA, A FAVOR DO BEM COMUM. A CHINA É UM EXEMPLO DE UMA FORÇA LUZ, DE UM POVO QUE MERECE,COM TODO BENÉFICO RESPEITO, NOSSA ADMIRAÇÃO. ELES TÊM MUITO A ENSINAR À HUMANIDADE. MUITA LUZ A TUDO QUE ESTÁ POR VIR. GRATIDÃO PELA LINDA MATÉRIA DO BLOGUE. PARABÉNS AO PRESIDENTE LULA, POR SER ESSE ILUMINADO.

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