Suspenso envio de petróleo brasileiro a Israel


Com uma dúzia de dias de atraso, a Flotilha da Liberdade a Gaza, finalmente, reiniciou ontem à noite a navegação final rumo a Gaza, para levar alimentos e remédios à população moribunda de Gaza. Vamos saber, abaixo, os principais percalços enfrentados nessa missão humanitária, assim como a determinação que rege o comboio, através do último informe recebido do nosso informante exclusivo, o sindicalista brasileiro Magno de Carvalho Costa, que representa todos nós, através da Executiva da CSP Conlutas-Sintusp. A polarização política desnudou as origens do apoio energético do Brasil ao sionismo vigente em Israel, mostrando que as exportações de petróleo ao país começaram em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro mas, no Governo Lula, o fornecimento caiu a zero. Alguém está surpreso?
“FINALMENTE VOLTAMOS A NAVEGAR
“Agora, estamos começando a etapa decisiva da nossa missão Rumo a Gaza. Foram vários os problemas que tivemos que superar na primeira etapa: A tempestade, de grandes proporções, na saída de Barcelona, avariou alguns barcos, principalmente dentre os menores, e alguns não puderam ser recuperados.
“Em Túnis-Tunísia, tivemos os bombardeios de drones em dois barcos que causaram incêndios, avariando bastante o primeiro (que acabou recuperado). As autoridades portuárias criaram um longo problema burocrático com o embarque de duas marinheiras do nosso barco, que levou muitas horas para ser resolvido.
“No porto de Bizerte não havia combustível para abastecer os barcos, o que gerou um novo atraso. Lá, foi necessário um remanejamento dos participantes nos barcos e, também, um corte inevitável de alguns, em função da perda dos barcos avariados.
“A polícia portuária fez as fotos e tomou as digitais de um de todos os participantes e, além de revistar os barcos, fez a revista das bagagens individuais de todos os tripulantes, o que gerou mais atraso. Tudo isto fez com que o nosso plano, de chegar à área considerada vermelha no dia 13 de setembro, foi totalmente inviabilizada.
“Estamos saindo da Tunísia dia 14 de setembro com 12 dias de navegação pela frente até a zona vermelha. Acabamos partindo ao pôr-do-sol, com uns companheiros no cais que furaram o bloqueio da polícia portuária, gritando palavras de ordem de apoio à Palestina e, para completar a emoção, saímos com vários golfinhos “escoltando” o nosso barco.
“Vamos a Gaza e com um compromisso, assumido de forma muito discutida e consciente, de não pararmos quando os sionistas gritarem dos seus navios Stop! Só pararemos se nos atacarem ou invadirem nossos barcos, porque nosso objetivo é chegar em Gaza com as nossas, não muitas, toneladas de alimentos e medicamentos e abrir um corredor marítimo para que muito mais ajuda humanitária urgente chegue a este povo que sofre um genocídio cruel com bombas e a fome como arma de guerra, matando crianças, mulheres e homens diariamente, diante dos nossos olhos.
“Jogaremos todos os nossos celulares no mar quando formos atacados, navegamos sem levar dinheiro nem cartões bancários porque eles roubam e sacam o dinheiro de nossas contas, como fizeram com os companheiros das missões anteriores, sendo presos e levados a Israel. Contamos com a luta, que nunca faltou, dos companheiros dos 44 países aqui representados.
“PALESTINA LIVRE DO RIO AO MAR!”
Solidariedade dos trabalhadores brasileiros
Ontem (14), no Brasil, o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região lançou uma Nota de solidariedade à Global Sumud Flotilla:
“Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região manifesta sua solidariedade e apoio à Global Sumud Flotilla.
O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região manifesta sua solidariedade e apoio à flotilha Global Sumud, composta por ativistas de mais de 40 países que se organizam para romper, de forma pacífica, o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza e levar ajuda humanitária ao povo palestino.
“A Global Sumud reúne militantes de movimentos sociais, sindicatos, organizações de direitos humanos e representantes de parlamentos de diversos países, entre os quais brasileiras e brasileiros, comprometidos com a justiça social e a solidariedade internacional – como a vereadora de Campinas Mariana Conti (PSOL). A presença desses representantes expressa o compromisso de parcelas do povo brasileiro com a luta do povo palestino por autodeterminação, liberdade e dignidade.
“A tentativa de impedir o avanço da flotilha é mais uma demonstração do caráter colonial e opressor do Estado de Israel, que há décadas mantém um bloqueio desumano sobre Gaza e intensifica a ocupação de terras palestinas na Cisjordânia. Tais ações violam frontalmente o direito internacional e visam sufocar qualquer gesto de solidariedade com a resistência do povo palestino, diante do genocídio em curso.
“O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas reafirma que a solidariedade entre os povos é um princípio histórico do movimento sindical e não pode ser criminalizada. É dever da classe trabalhadora, em todo o mundo, denunciar e resistir ao apartheid israelense, à limpeza étnica e às contínuas agressões que vitimam a população palestina.
“Declaramos nosso apoio irrestrito à missão humanitária da Global Sumud Flotilha e a todas as iniciativas que se coloquem ao lado do povo palestino, em sua luta por libertação, justiça e paz.
“Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região”

Brasil suspende o envio de petróleo a Israel?
A revista Click Petróleo e Gás fez uma ótima matéria, ontem (14), revelando que, em 2025, o Brasil não exportou petróleo cru a Israel, zerando os embarques que, em 2024, somaram 2,9 milhões de barris e US$ 215,9 milhões, segundo dados oficiais do MDIC-Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agência Nacional do Petróleo-ANP.
Em 2025, o comércio de petróleo entre Brasil e Israel chegou a um ponto de ruptura. Dados oficiais do Comex Stat, sistema estatístico do MDIC, mostram que, entre janeiro e agosto deste ano, não houve registro de exportações de petróleo cru brasileiro para o mercado israelense.
A fase de maior exportação de petróleo para Israel aconteceu no desgoverno Bolsonaro: em 2024, o Brasil havia embarcado 2,9 milhões de barris no valor de US$ 215,9 milhões. Agora, a cifra caiu a zero, restando apenas US$ 325,2 mil em derivados, como óleos combustíveis e minerais betuminosos.
Aproximação, depois, o corte.
A ausência de registros, em 2025, marca um recuo inesperado em uma relação comercial que havia se intensificado nos últimos anos. Até 2020, não existiam fluxos significativos entre os dois países. As exportações começaram em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, quando começaram os primeiros embarques.
O aumento mais expressivo das exportações ocorreu em 2022, com 11,9 milhões de barris vendidos a Israel. No entanto, essa tendência não se sustentou: em 2023, o volume recuou para 1,9 milhão de barris.
Em 2024 – poucos meses após o início da ofensiva militar israelense em Gaza -, os embarques voltaram a crescer, embora em níveis menores do que aqueles do auge da relação comercial. Com isso, a queda a zero em 2025 é avaliada por especialistas como fruto de fatores políticos e de mercado, além das pressões sociais que pedem o rompimento de laços energéticos com Israel.
Reações do governo, empresas e sindicatos
Indagado pelos jornalistas, o MDIC destacou em nota que a ausência de exportações “provavelmente está relacionada a movimentos de mercado”, contudo, admitiu que a investigação das razões é responsabilidade do setor privado.
Por sua vez, a Petrobras afirmou não realizar vendas diretas a Israel, desde 2023, e disse que seu petróleo é comercializado diretamente para refinarias estrangeiras, sem controle sobre o destino final.
Também foi procurada a Agência Nacional do Petróleo (ANP). A autarquia lembrou que, como reguladora, não interfere na definição de políticas de exportação e não impõe restrições quanto aos países de destino.
Os sindicatos dos petroleiros, porém, reagiram de forma diferente. Dirigentes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), acham que a interrupção pode estar ligada a uma decisão política do governo.
Em maio deste ano, as entidades enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, solicitando embargo energético contra Israel, sob o argumento de que o petróleo brasileiro não deve alimentar uma máquina de guerra, acusada de genocídio.
Rodrigo Araújo, diretor do Sindipetro-SP, disse que a categoria recebeu com satisfação os dados, confirmando a ausência de exportações neste ano. Para ele, o recuo só pode ser explicado por pressões políticas internas.

Exportação de combustíveis-Foto:ClickPetroleoeGas
Pressões internacionais
O diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep), Mahatma Ramos, comentou que a decisão de redirecionar o petróleo brasileiro para outros parceiros mais promissores também reflete o cenário internacional.
No final de 2024, o instituto havia pedido explicações formais à Petrobras, sobre o rastreio de vendas para Israel. A estatal respondeu que não havia operações diretas, mas não soube dizer qual país poderia ter intermediado as vendas.
Ele defende que a energia não é uma commodity qualquer, pois seu uso ultrapassa o setor industrial e alcança objetivos militares. O Ineep, assim como entidades sindicais e redes internacionais, tem se posicionado a favor de um embargo energético a Israel.
Esse debate ganhou força, também, após a relatora especial da ONU para os territórios palestinos, Francesca Albanese, denunciar, em agosto, que diversas multinacionais, inclusive quatro com presença na América Latina, estariam “se beneficiando do genocídio em Gaza”. Entre elas foi citada a própria Petrobras.
Crescem as campanhas de boicote
A suspensão das exportações brasileiras acontece a partir da mobilização da campanha BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), lançada este ano, e que pretende pressionar governos e empresas a suspender relações comerciais e estratégicas com os sionistas.
Organizações sindicais, entidades acadêmicas e movimentos sociais do Brasil têm reforçado o discurso de que a política energética deve considerar também valores humanitários. Os grupos de trabalhadores entendem que manter a venda de petróleo a Israel significaria financiar operações militares contra a população indefesa da Palestina.
Caso se confirme, claramente, o corte em 2025, de forma consolidada e como decisão política, ele representará um realinhamento significativo da política externa e energética brasileira.
Grande exportador mundial, o Brasil teria escolhido usar o petróleo como instrumento diplomático, somando-se a uma pressão internacional crescente contra Israel, diante da tragédia humanitária gerada pelo conflito em Gaza.
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