Israel ameaça e Oriente Médio ferve por Gaza

O Ângulo e Foco sente a necessidade de, novamente, colocar em ‘foco’ a grande iniciativa mundial da Flotilha Sumud (Resistência), em defesa dos palestinos que sobrevivem em Gaza, levando comida e remédios, enquanto os bombardeios sionistas recrudescem. Recebemos mais um informe exclusivo sobre o avanço da Flotilha mar adentro, enviado pelo sindicalista Magno de Carvalho Costa, conselheiro do CSPConlutas-Sintusp, que está na embarcação principal e nos mantém atualizados online. Ficamos sabendo, também, da estratégia de Israel para receber a Flotilha com sequestros e prisões; registramos a movimentação nas ruas, em vários países, protestando contra o genocídio e como os nossos valorosos representantes, na Flotilha, pretendem receber essa abordagem. Citamos, ainda, o rebuliço entre as nações palestinas, após o bombardeio de Israel a Doha, no Qatar. Vamos ficar ‘em cima’ desse assunto, tão importante para o senso de Humanidade do planeta.
Diário do nosso informante, Magno Costa
“Hoje, terça-feira (16), são 9h30 aqui – quatro horas a mais que no Brasil. Estamos navegando bem e ao encontro dos barcos originários da Itália e Grécia. Seremos, no total, cerca de 40 barcos, ou pouco mais, dos cerca de 50 que tínhamos inicialmente, rumando a Gaza com a previsão de chegada dentro de 10 dias de viagem, até atingirmos a área vermelha, na qual, provavelmente, seremos interceptados ou, na pior hipótese, bombardeados, embora não creia muito nesta segunda hipótese.
“Em nosso barco estamos todos bem. Temos tarefas para todos, entre: cozinha, limpeza e segurança com vigilância noturna; eu continuo nesta última, em rodízio.
“Agora, teremos reunião e treinamento para abordagem com os oito novos companheiros(as) que entraram em nosso barco em Bizerte (Tunísia). O plano é que, quando formos atacados, jogaremos todos os nossos celulares no mar. Navegamos sem levar dinheiro nem cartões bancários porque eles roubam e sacam o dinheiro de nossas contas, como fizeram com os companheiros das missões anteriores, ao serem presos e levados a Israel.
“O Capitão do nosso barco calcula que, em 10 dias, chegaremos à área vermelha; isto dá 26/9. Ficamos sabendo que teremos uma tormenta pela frente. Espero que nenhum barco pequeno tenha problema.
“Nosso barco, o SIRIUS, está sendo o barco Guia (e vai à frente). Sigo informando.”

Israel faz ameaça à Flotilha
O Intercept publicou informação, divulgada pelo coletivo ReUniR, através da jornalista embarcada, Giovanna Vial, de que o ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, ameaçou sequestrar e prender ativistas da Global Sumud Flotilha, em prisões conhecidas como violadoras dos direitos humanos de Israel.
A Flotilha tem a intenção de romper o cerco ilegal dos sionistas, abrir um Corredor Humanitário, e levar alimentos e remédios às milhares de pessoas – na maioria mulheres e crianças – que estão sofrendo um extermínio pela fome e carência de cuidados médicos. Enquanto isso, Israel continua bombardeando adoidadamente a Faixa de Gaza.
Segundo ela informa, o plano do ministro Gvir inclui a interceptação dos barcos da Flotilha, o sequestro dos ativistas pacíficos e mandá-los para prisões como Koziot e Damon, em Israel, conhecidas por torturar presos. Nessas prisões, mais de 70 palestinos morreram, envenenados, inclusive um brasileiro, Walid, de 3 anos, em março de 2025. O garoto apresentava traços de tortura e privação de comida.
“A Flotilha é humanitária e não-violenta, mas o governo israelense continua nos usando como álibi”, diz a jornalista.

O veterano ‘flotilheiro’ responde à ameaça.
Thiago Ávila responde
O brasileiro Thiago Ávila – que foi preso na missão humanitária marítima anterior – disse, ontem, que “Gvir é o mesmo que, há dois anos, distribuiu 10 mil fuzis para os colonos israelenses assassinarem palestinos. É uma pessoa que cometeu tantos crimes de guerra na sua vida, que nós temos certeza que, ele sim, será vai estar atrás das grades pelos crimes de guerra que cometeu.”
E continuou, com o destemor dos heróis: “Nós não podemos ter medo dele, estamos numa missão humanitária. Na história colonial, sempre criminalizaram quem buscava a liberdade, buscava o direito dos povos, de viverem em paz, com dignidade.”
Vamos ver se os sionistas de Israel serão capazes de agir com violência contra tantas pessoas, em tantos barcos, que só querem paz e salvar vidas. Vale lembrar que a flotilha conta com apoios ilustres e até de atrizes de Hollywood, como Susan Sarandon.

Printscreen Jornal Hoje, com agradecimentos à Rede Globo.
O mundo inteiro está inquieto
Não bastasse a geopolítica do Trompetista, que mexeu com a economia mundial, manifestações pró-Palestina pipocam nas ruas do mundo todo. Madri teve uma enorme manifestação – violentamente reprimida – ontem. A Nova Zelândia reuniu cerca de 50 mil de pessoas. São Paulo fez uma enorme passeata, há três meses. E são inúmeros os exemplos, mundo afora.
Enquanto isso, Israel reinicia bombardeios ferozes e o ministro Gzir afirma: “Gaza está ardendo”. E, para completar o quadro ameaçador, o Qatar – que doou o Boeing presidencial ao Donaldo Laranjão – chamou seus aliados e promoveu reunião de emergência, após a capital Doha ser bombardeada, dia 10, e lançou um manifesto furioso, chamando de “covarde ataque”.
No Qatar, o ministro Abdulla Ben-Sayed considerou o ataque a Doha “uma violação flagrante e uma grave afronta às leis internacionais”. Em seu discurso, na Cúpula de Emergência, afirmou que a escalada pode minar, ainda mais, a segurança no Oriente Médio. E que o comportamento de Israel é “imprudente e ameaça a estabilidade, por isso, serão fundamentais ações internacionais”. Todos os países presentes se manifestaram contra o ataque à soberania do Qatar, considerando o ataque uma ameaça à segurança na região. O Irã também.
A nós, cabe ficar indignados e nos manifestarmos contra tanta violência e impunidade. Estamos ‘de olho’, acompanhando cada milha atravessada pela Flotilha, firmemente determinada a cumprir seus objetivos de salvar vidas.
(VEJA VÍDEO NO FINAL DESSE POST)

Manifestação de ontem, em Madrid. Houve repressão.
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