MENSAGEM DE HOJE DA FLOTILHA – MAGNO COSTA


“A Humanidade precisa deter o massacre cada vez maior em Gaza, ou não somos dignos de nos intitularmos seres humanos. Sobre a nossa Flotilha, estamos agora indo direto para Gaza com mais de 40 barcos e mais de trezentos companheiros(as). A previsão de chegar a Gaza, se não houver nada no caminho, como diz o Capitão, é dia 29. Estamos firmes no nosso objetivo de descarregar nossa carga de alimentos e medicamentos para o povo Palestino de Gaza.
Temos que todos juntos em terra ou no mar:
SOAR O ALARME CONTRA A INVASÃO TOTAL DE GAZA.
FURAR O CERCO A GAZA. BARRAR O GENOCÍDIO.
PALESTINA LIVRE DO RIO AO MAR.”
POESIA DOMINICAL

Fadwa Tuqan (1917-2003): Irmã do famoso poeta Ibrahim Tuqan, é uma das poetisas mais celebradas do mundo árabe. Sua obra inicial focava em temas nacionalistas e de resistência, enquanto sua poesia posterior se tornou mais pessoal e experimental, abraçando o verso livre. Ela é chamada de “Poetisa da Palestina”. Seu poema “Saudade” reflete sobre a perda e a ocupação.
Foi uma proeminente poetisa palestina, amplamente reconhecida como a “Mãe da Poesia Palestina”. Nascida em Nablus, numa família aristocrática e intelectual, sua obra evoluiu de temas íntimos e pessoais para uma poesia de resistência nacional, tornando-se um símbolo da luta palestina.
Teve uma infância marcada pelo confinamento e pela falta de afeto familiar. Seu acesso à educação formal foi limitado, mas ela tornou-se autodidata com a ajuda de seu irmão, o poeta Ibrahim Tuqan, que a introduziu na literatura árabe. Iniciou com poesia tradicional, mas tornou-se pioneira no verso livre na literatura árabe.
Sua obra aborda desde a opressão feminina e a solidão até a resistência política e a identidade nacional palestina, especialmente após a Guerra dos Seis Dias (1967). Sua poesia patriótica, como “Liberdade do Povo” e “Só Quero Estar em Seu Seio”, foi considerada tão impactante que o general israelense Moshe Dayan afirmou que seus versos eram “mais subversivos que dez atentados”.
Recebeu prêmios internacionais, como o Prêmio de Jerusalém de Cultura e Artes (1990), e sua influência estendeu-se a toda a literatura árabe moderna.
Fadwa Tuqan faleceu em 2003, em Nablos, deixando um legado de resistência e beleza literária que continua a inspirar gerações. Sua obra é um testemunho da luta palestina e da força da voz feminina no mundo árabe.
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Saudade: Inspirado pela Lei da Gravidade
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O tempo acabou e estou sozinha em casa com a sombra que projetei
A lei do universo se foi, espalhada pelo destino frívolo
Nada para segurar minhas coisas
Nada para pesá-las no chão
Meus pertences voaram, eles pertencem a outros
Minha cadeira, meu armário, o banco giratório
Sozinho com a sombra que projetei
Sem pai, sem mãe
Sem irmãos, sem irmãs para inchar
A casa cheia de risos
Nada além de solidão e tristeza
E os escombros dos meses, dos anos
Curvo minhas costas, desacelero meus passos, cego para o horizonte
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Sinto falta do cheiro de café, do aroma no ar
Sua ausência é um êxtase onde me afogo de manhã e à noite
O tempo acabou e estou sozinha em casa
Com a sombra que projetei
Sinto falta da companhia dos livros
Seu consolo nos problemas e na alegria
Sinto falta, como sinto falta do relógio antigo da minha mãe, das fotos de família emolduradas na parede
Sinto falta do meu alaúde
Por todas as suas cordas silenciosas e cortadas
O tempo acabou e estou sozinha em casa
O toque de recolher dói
Me dói, não, me mata, a matança de crianças perto da minha casa
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Tenho medo do amanhã
Tenho medo dos recursos desconhecidos do destino
Ó Deus, não me deixe ser um fardo, evitado por jovens e velhos
Espero chegar onde a terra é silenciosa, estou esperando pela morte
Longa tem sido minha jornada, ó Deus
Faça o caminho curto e a jornada termine.
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Samih al-Qasim (1939-2014) é outro gigante da poesia de resistência palestina. Conhecido por sua poesia de tom firme e direto, que frequentemente empregava sarcasmo e ironia. Membro do Partido Comunista Israelense, ele permaneceu em sua terra natal após 1948. Foi um poeta palestino-druso de destaque internacional, conhecido por seus poemas curtos, nacionalistas e de resistência, e pelo seu ativismo político dentro de Israel. Nasceu em 11 de maio de 1939, na cidade de Zarqa, no então Emirado da Transjordânia (atual Jordânia), em uma família drusa da cidade de Rameh, na Galileia Superior.
Durante a Nakba de 1948, sua família optou por permanecer em Rameh, experiência que marcará profundamente sua obra poética.
Nakba (em árabe “catástrofe” ou “desastre”) refere-se à limpeza étnica de árabes da Palestina, a partir de 1947 até o presente. Este processo se dá por meio de expulsões violentas e desapropriação de terras, propriedades e pertences, juntamente com a destruição de sua sociedade e tentativas de apagamento da cultura, identidade, direitos políticos e aspirações nacionais palestinas. O termo abrange a fragmentação da sociedade palestina e a rejeição, por parte do estado de Israel, do direito de retorno dos refugiados palestinos e seus descendentes.
Durante os eventos fundadores da Nakba em 1948, aproximadamente metade da população predominantemente árabe da Palestina, ou cerca de 750.000 pessoas, foram expulsas de suas casas ou forçadas a fugir por vários meios violentos, primeiro por grupos paramilitares sionistas e, após o estabelecimento do Estado de Israel, por seus militares. Em um período de sete meses, mais de 500 cidades, vilas e bairros urbanos de maioria árabe foram despovoados.
Ele estudou na cidade natal e depois em Nazareth, terminando o ensino secundário. Ao longo de sua vida, publicou mais de 24 volumes de poesia nacionalista, muitos de versos curtos com forte carga emocional e política.
“ENDURECER”
Endurecer como uma rocha
E mais que o aço mais duro
Mas sua suavidade é maior que a da pomba
Mais quente que o pão no inverno
E que o agasalho da manhã.
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Este poema captura a dualidade da resistência palestina: a firmeza inquebrável contra a opressão e a suavidade profunda da humanidade, da cultura e do amor pela vida.
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