LULA, O BRASIL (NÓS) NA ONU

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HAVERÁ CONVERSA COM TRUMP?

Presidente Lula discursa na abertura do Debate Geral da 78º Sessão da Assembleia Geral da ONU.Foto: Ricardo Stuckert/PR

Começa amanhã (23) a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Mais uma vez se renovam as esperanças de paz e harmonia entre os povos, num mundo sitiado por tarifaços, guerras cruéis, ameaças e atentados graves ao meio ambiente. Mas a ONU terá força para restabelecer a harmonia, em prol do progresso e liberdade das nações? O presidente Lula – festejado como um dos líderes mundiais mais efetivos e carismáticos – dará seu recado a todo o planeta. Enquanto isso, momentos graves se avizinham, com o sério risco de uma Terceira Guerra Mundial; uma flotilha de heróis está a caminho de Gaza para salvar o que restou dos palestinos, morrendo à míngua, outro indício de conflito com o sionismo cruel. A guerra da Ucrânia que nunca termina… são tantos os problemas atuais da Humanidade que duvidamos da capacidade da ONU em resolver o imbróglio em que os humanos se meteram. Afinal, os Estado Unidos têm o privilégio de vetar quaisquer tentativas de restabelecer a paz e o progresso humanos.

O que esperar do possível primeiro encontro entre Lula e Trump na próxima Assembleia Geral da ONU? Afinal, esse será o primeiro grande palco internacional em que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump poderão estar frente a frente, como presidentes, em meio à escalada da crise entre Brasil e Estados Unidos. O Presidente embarca hoje para Nova Iorque e abre o debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). No discurso, deve abordar temas como soberania, democracia, multilateralismo, mudanças climáticas e a guerra em Gaza.

A redação do discurso só deve ser finalizada na véspera do evento, mas integrantes do governo dizem que a fala de Lula reforçará posições do presidente brasileiro e dará recados em tom diplomático ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Tradicionalmente, o representante do Brasil abre as falas de presidentes, primeiros-ministros e diplomatas no evento. O segundo a discursar é o representante dos Estados Unidos. Assim, existe a possibilidade de que Lula e Trump se cruzem nos corredores da ONU.

Soberania e tarifaço

O presidente deve reafirmar a defesa da democracia e da soberania do Brasil, tom adotado nos últimos meses após Trump impor uma sobretaxa de 50% para a entrada de produtos brasileiros no país. Ao adotar as tarifas, Trump tentou, sem sucesso, interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe. Lula criticou o governo americano pela postura e, após o julgamento, tem destacado a independência do STF.

Assessores de Lula acreditam que o presidente marcará a posição do governo contra a guerra tarifária de Trump, mas sem um ataque direto ao líder americano.

Também começará o ‘esquenta’ para COP30. Lula também deve dedicar parte da fala à cobrança por mais empenho nas ações de preservação ambiental e transição energética. Como anfitrião da COP30, em novembro, o governo brasileiro tenta viabilizar o financiamento por países ricos de ações para preservação de florestas tropicais, a exemplo da Amazônia. O presidente, que assumiu compromisso de zerar o desmatamento na floresta até 2030, vem cobrando os países a adotarem metas mais ambiciosas para reduzir emissões de gases de efeito estufa.

O presidente também tem interesse em reafirmar a soberania dos países amazônicos para enfrentar problemas de segurança na região. A posição também é um contraponto às movimentações de navios militares dos EUA no mar do Caribe.

Ucrânia e Palestina

Elaborado com ajuda de assessores e ministros, o discurso de Lula também deve reservar espaço para defesa da democracia e das relações harmônicas entre países, além das reformas de organismos internacionais, como a própria ONU, em especial o Conselho de Segurança.

A expectativa é de que o presidente volte a abordar as guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza. Lula tem se posicionado para necessidade de um cessar-fogo dos conflitos.

No caso da guerra na Europa, Lula é a favor de uma solução que envolva Rússia e Ucrânia na mesa de negociação. Já a posição sobre a guerra na Faixa de Gaza é crítica à intensidade da resposta de Israel aos ataques terroristas do grupo Hamas. Lula entende que a resposta militar tenta erradicar os palestinos da região. O presidente é favorável à definição de um Estado palestino, capaz de conviver com Israel.

Presidente Lula na Assembleia Geral da ONU de 2024 — Foto: Ricardo Stuckert/PR

ONGs se movimentam em Nova Iorque

Quarta-feira (24), será realizado o Global Citizen NOW: Impact Sessions, coincidindo com a Assembleia Geral das Nações Unidas (UNGA) e a Semana do Clima NYC. Este evento acontece em um momento crucial para a politização da comunidade internacional. ”Ao celebrarmos esse marco – diz a organização – e refletirmos sobre o próximo capítulo da cooperação internacional, surge uma pergunta urgente: Como deve ser a próxima era da cooperação internacional para enfrentarmos os desafios atuais e alcançarmos os Objetivos Globais da ONU?

O Impact Sessions foi criado para mobilizar ação, capital e impulso em campanhas, durante uma das semanas mais influentes do mundo. O evento, de um dia, contará com discursos principais, conversas íntimas e painéis dinâmicos. Estarão reunidos líderes e defensores de diversos setores para focar em soluções concretas, construir novas parcerias e elaborar políticas inovadoras, gerando ação onde mais importa.

Apresentado por Sabrina Elba, presidente do Conselho Europeu do Global Citizen, o Impact Sessions reunirá uma coalizão vibrante de chefes de estado, ministros, líderes empresariais, sociedade civil e jovens defensores. “Ao reunir perspectivas diversas no palco – afirmam -, desbloquearemos novas ideias e oportunidades intersetoriais, destacando vozes de base e ideias inovadoras lado a lado.”

Palestrantes confirmados incluem Chefes de Estado, como Ursula von der Leyen (Presidente da Comissão Europeia); representantes do Setor Privado, entre eles Fran Katsoudas (Vice-Presidente Executiva da Cisco); e Líderes de Organizações Internacionais, como Ilan Goldfajn (Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento); Ban Ki-moon (8º Secretário-Geral da ONU); Volker Türk (Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos); e Defensores, entre os quais as brasileiras Taily Terena (Premiada Global Citizen e líder indígena); e Puyr Tembé (Secretária dos Povos Indígenas do Estado do Pará).

A ONG reafirma que é preciso amplificar a liderança do Sul Global, transformar compromissos políticos em fluxos significativos de capital e exigir responsabilidade de governos, empresas e líderes internacionais.

Por que o Brasil sempre abre a Assembleia?

Num momento em que os alicerces do multilateralismo estão sob pressão, este encontro busca reafirmar o poder da liderança verdadeira e da cooperação global. É também um chamado desafiador para construirmos um futuro onde os sistemas sirvam às pessoas e ao planeta – e não o contrário.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai discursar na abertura da Assembleia Geral na ONU, a partir das 10h desta terça-feira (23). Como é de costume, o líder do Brasil será o primeiro a falar no evento, seguido pelo presidente norte-americano, país anfitrião.

Embora o Brasil tenha aberto edições anteriores do evento, foi só a partir de 1955 que o país se tornou de fato o primeiro orador das Assembleias Gerais. Há muitas teorias que explicam a origem da tradição. Uma delas afirma que o posto foi dado aos brasileiros como “prêmio de consolação” por ficar de fora do Conselho de Segurança na ONU.

Outra hipótese é a de que, para evitar aumentar a tensão entre Estados Unidos e União Soviética, que já existia à época dos primeiros eventos, o Brasil foi escolhido por ser considerado neutro.

A explicação mais difundida, no entanto, é outra: “Em tempos muito antigos, quando ninguém queria falar primeiro, o Brasil sempre se oferecia para falar primeiro. E assim ganhou o direito de falar primeiro na Assembleia Geral”, disse Desmond Parker, chefe de protocolo da ONU.

Lula + Trump

A Assembleia Geral da ONU de 2025, que começa nesta semana em Nova York, será o primeiro grande palco internacional em que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump poderão estar frente a frente como presidentes, em meio à escalada da crise entre Brasil e Estados Unidos.

O possível encontro, ainda que sem reunião bilateral confirmada, ocorre no momento em que começaram a ser aplicadas as tarifas de 50% impostas por Washington sobre produtos brasileiros. Nos bastidores, fontes próximas à delegação brasileira afirmam que existe uma antessala para os presidentes, antes e depois dos discursos, mas não há indicação de que eles necessariamente se cruzarão.

Em entrevista à BBC News Brasil, Lula afirmou não ter “problema pessoal com o presidente Donald Trump” e declarou que, caso cruze com o republicano nos corredores das Nações Unidas nos próximos dias, irá cumprimentá-lo: “Porque eu sou um cidadão civilizado. Eu converso com todo mundo, eu estendo a mão para todo mundo.”

Agora, com a ONU como pano de fundo, o que se mede é a disposição de Brasília e Washington para frear a escalada de atritos que, em menos de três meses, transformou divergências políticas em uma crise comercial aberta.

Pessoalmente, acho que Lula não se permitirá passar – pela experiência internacional que ele tem – por uma cena constrangedora ao lado do Trump. Estou bastante cético e não acho que a gente vai ver uma aproximação na semana que vem entre os dois, talvez sequer um aperto de mãos entre eles.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deve também discursar. Vale lembrar que, no dia 16 passado, Israel lançou um ataque terrestre à Cidade de Gaza, a fim de ocupar totalmente o território. E que Netanyahu é procurado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza, o que Israel nega. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, não comparecerá – os EUA, um forte aliado israelense, disseram que não lhe darão visto. Ele aparecerá por vídeo.

O presidente ucraniano, Volodymir Zelensky deve discursar na Assembleia na quarta-feira (24), enquanto o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, falará no sábado, substituindo Vladimir Putin, que também tem ordem de prisão do Tribunal.

O Conselho de Segurança da ONU também deve realizar uma reunião de alto nível sobre a Ucrânia, na próxima semana. Vamos ver se Washington anuncia quaisquer medidas, como sanções, para tentar fazer com que o presidente russo, Vladimir Putin, negocie com Zelensky.

One response to “LULA, O BRASIL (NÓS) NA ONU”

  1. Avatar de heroic0573c510b4
    heroic0573c510b4

    Lula é o maior!!

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