ASSEMBLEIAS DA ONU

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ÍNTEGRAS DOS DISCURSOS DE LULA E ENCONTRO COM TRUMP

Lula lê o discurso na Assembleia Geral da ONU. Printscreen

O ambiente geopolítico é a movimentação de forças, entre países da Europa, no sentido de pôr um fim no problema e parar a investida de extermínio de Israel: França, Bélgica, Luxemburgo, Malta, Mônaco e Andorra acabam de reconhecer a Palestina como Estado independente e soberano. Exatamente no dia em que a ONU abria uma ampla reunião sobre o tema do ‘stop genocide’, com a presença de Lula e centenas de dirigentes de outros países (ler discurso). Logo em seguida, o presidente Lula se dirigiu para o espaço da Assembleia Geral da ONU, onde pronunciou o discurso de abertura dos trabalhos (leia abaixo). Falou brilhantemente sobre os graves problemas do mundo e a posição do Brasil, e passou o espaço do microfone para Donald Trump, o próximo orador. Tiveram uma rápida conversa. Não foi divulgada a íntegra do discurso do Laranjão, mas temos abaixo a avaliação isenta de Cláudio Guedes. A Flotilha Global Sumud continua singrando os mares do Mediterrâneo, em direção a Gaza para cumprir sua arriscada missão humanitária.

Vamos começar pelo começo: o discurso do presidente brasileiro, na Cúpula sobre a Palestina, antes da abertura da Assembleia da ONU. Essa é a posição do Brasil sobre a situação em Gaza e na Cisjordânia:

“Cumprimento o presidente Emmanuel Macron e o primeiro-ministro Mohammed bin Salman, por liderarem este importante processo.

A questão da Palestina surgiu no momento em que a Assembleia Geral adotou o chamado Plano de Partilha, há 78 anos. A sessão em que ele foi aprovado foi presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha. Naquela ocasião, nasceu a perspectiva de dois Estados. Mas só um se materializou.

O conflito entre Israel e Palestina é símbolo maior dos obstáculos enfrentados pelo multilateralismo. Ele mostra como a tirania do veto sabota a própria razão de ser da ONU, de evitar que atrocidades como as que motivaram sua fundação se repitam.

Também vai contra sua vocação universal, bloqueando a admissão, como membro pleno, de um Estado cuja criação deriva da autoridade da própria Assembleia Geral. Um Estado se assenta sobre três pilares: o território, a população e o governo. Todos têm sido sistematicamente solapados no caso palestino. Como falar em território diante de uma ocupação ilegal que cresce a cada novo assentamento? Como manter uma população diante da limpeza étnica a que assistimos em tempo real? E como construir um governo sem empoderar a Autoridade Palestina?

Como apontou a Comissão de Inquérito sobre os Territórios Palestinos Ocupados, não há palavra mais apropriada para descrever o que está ocorrendo em Gaza do que genocídio. Por isso, o Brasil decidiu tornar-se parte do caso apresentado pela África do Sul à Corte Internacional de Justiça.

Os atos terroristas cometidos pelo Hamas são inaceitáveis. O Brasil foi enfático ao condená-los. Mas o direito de defesa não autoriza a matança indiscriminada de civis. Nada justifica tirar a vida ou mutilar mais de cinquenta mil crianças. Nada justifica destruir 90% dos lares palestinos. Nada justifica usar a fome como arma de guerra, nem alvejar pessoas famintas em busca de ajuda. Meio milhão de palestinos não têm comida suficiente, mais do que a população de Miami ou Tel Aviv. A fome não aflige apenas o corpo. Ela estilhaça a alma.

O que está acontecendo em Gaza não é só o extermínio do povo palestino, mas uma tentativa de aniquilamento de seu sonho de nação. Tanto Israel, quanto a Palestina têm o direito de existir. Trabalhar para efetivar o Estado palestino é corrigir uma assimetria que compromete o diálogo e obstrui a paz.

Saudamos os países que reconheceram a Palestina, como o Brasil fez em 2010. Já somos a imensa maioria dos 193 membros da ONU.

O Brasil se compromete a reforçar o controle sobre importações de assentamentos ilegais na Cisjordânia e manter suspensas as exportações de material de defesa, inclusive de uso dual, que possam ser usadas em crimes contra a humanidade e genocídio.

Diante da omissão do Conselho de Segurança, a Assembleia Geral precisa exercer sua responsabilidade.

Apoiamos a criação de um órgão inspirado no Comitê Especial contra o Apartheid, que teve papel central, no fim do regime de segregação racial sul-africano.

Assegurar o direito de autodeterminação da Palestina é um ato de justiça e um passo essencial para restituir a força do multilateralismo e recobrar nosso sentido coletivo de humanidade.

Obrigado.”

Discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral

Lula esteve acompanhado de uma comitiva de ministros, entre eles Mauro Vieira (Relações Exteriores), Marina Silva (Meio Ambiente), Márcia Lopes (Mulheres), Jader Barbalho (Cidades), Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública).

Veja a íntegra do discurso do presidente brasileiro:

“Senhora Presidenta da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, Senhor Secretário-Geral, António Guterres, Caros chefes de Estado e de Governo e representantes dos Estados-Membros aqui reunidos.

Este deveria ser um momento de celebração das Nações Unidas. Criada no fim da Guerra, a ONU simboliza a expressão mais elevada da aspiração pela paz e pela prosperidade. Hoje, contudo, os ideais que inspiraram seus fundadores, em São Francisco, estão ameaçados, como nunca estiveram em toda a sua história. O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. A autoridade desta Organização está em xeque. Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder. Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra.

Existe um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia. O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades. Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas. Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades. Cultuam a violência, exaltam a ignorância, atuam como milícias físicas e digitais, e cerceiam a imprensa.

Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há quarenta anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais. Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia. A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema-direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade.

Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito. Foi investigado, indiciado, julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso. Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas.

Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis. Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela. Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral. Seu vigor pressupõe a redução das desigualdades e a garantia dos direitos mais elementares: a alimentação, a segurança, o trabalho, a moradia, a educação e a saúde.

A democracia falha quando as mulheres ganham menos que os homens ou morrem pelas mãos de parceiros e familiares. Ela perde quando fecha suas portas e culpa migrantes pelas mazelas do mundo. A pobreza é tão inimiga da democracia quanto o extremismo.

Por isso, foi com orgulho que recebemos da FAO a confirmação de que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome neste ano de 2025. Mas no mundo, ainda há 670 milhões de pessoas famintas. Cerca de 2,3 bilhões enfrentam insegurança alimentar. A única guerra de que todos podem sair vencedores é a que travamos contra a fome e a pobreza.

Esse é o objetivo da Aliança Global que lançamos no G20, que já conta com o apoio de 103 países. A comunidade internacional precisar rever as suas prioridades: Reduzir os gastos com guerras e aumentar a ajuda ao desenvolvimento; aliviar o serviço da dívida externa dos países mais pobres, sobretudo os africanos; e definir padrões mínimos de tributação global, para que os super-ricos paguem mais impostos que os trabalhadores.

A democracia também se mede pela capacidade de proteger as famílias e a infância. As plataformas digitais trazem possibilidades de nos aproximar como jamais havíamos imaginado. Mas têm sido usadas para semear intolerância, misoginia, xenofobia e desinformação. A internet não pode ser uma “terra sem lei”. Cabe ao poder público proteger os mais vulneráveis.

Regular não é restringir a liberdade de expressão. É garantir que o que já é ilegal no mundo real seja tratado assim no ambiente virtual. Ataques à regulação servem para encobrir interesses escusos e dar guarida a crimes, como fraudes, tráfico de pessoas, pedofilia e investidas contra a democracia.

O Parlamento brasileiro corretamente apressou-se em abordar esse problema. Com orgulho, promulguei na última semana uma das leis mais avançadas do mundo para a proteção de crianças e adolescentes na esfera digital. Também enviamos ao Congresso Nacional projetos de lei para fomentar a concorrência nos mercados digitais e para incentivar a instalação de ‘datacenters’ sustentáveis.

Para mitigar os riscos da inteligência artificial, apostamos na construção de uma governança multilateral em linha com o Pacto Digital Global, aprovado neste plenário no ano passado.

Senhoras e senhores,

Na América Latina e Caribe, vivemos um momento de crescente polarização e instabilidade. Manter a região como zona de paz é nossa prioridade. Somos um continente livre de armas de destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos.

É preocupante a equiparação entre a criminalidade e o terrorismo. A forma mais eficaz de combater o tráfico de drogas é a cooperação para reprimir a lavagem de dinheiro e limitar o comércio de armas. Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento.

Outras partes do planeta já testemunharam intervenções que causaram danos maiores do que se pretendia evitar, com graves consequências humanitárias. A via do diálogo não deve estar fechada na Venezuela. O Haiti tem direito a um futuro livre de violência. E é inadmissível que Cuba seja listada como país que patrocina o terrorismo.

No conflito na Ucrânia, todos já sabemos que não haverá solução militar. O recente encontro no Alaska despertou a esperança de uma saída negociada. É preciso pavimentar caminhos para uma solução realista. Isso implica levar em conta as legítimas preocupações de segurança de todas as partes. A Iniciativa Africana e o Grupo de Amigos da Paz, criado por China e Brasil, podem contribuir para promover o diálogo.

Nenhuma situação é mais emblemática do uso desproporcional e ilegal da força do que a da Palestina. Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo. Mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza. Ali, sob toneladas de escombros, estão enterradas dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes. Ali também estão sepultados o Direito Internacional Humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente. Esse massacre não aconteceria sem a cumplicidade dos que poderiam evitá-lo.

Em Gaza a fome é usada como arma de guerra e o deslocamento forçado de populações é praticado impunemente. Expresso minha admiração aos judeus que, dentro e fora de Israel, se opõem a essa punição coletiva.

O povo palestino corre o risco de desaparecer. Só sobreviverá com um Estado independente e integrado à comunidade internacional. Esta é a solução defendida por mais de 150 membros da ONU, reafirmada ontem, aqui neste mesmo plenário, mas obstruída por um único veto. É lamentável que o presidente Mahmoud Abbas tenha sido impedido pelo país anfitrião de ocupar a bancada da Palestina nesse momento histórico. O alastramento desse conflito para o Líbano, a Síria, o Irã e o Catar fomenta escalada armamentista sem precedentes.

Senhora presidenta,

Bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática.

O ano de 2024 foi o mais quente já registrado. A COP30, em Belém, será a COP da verdade. Será o momento de os líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta. Sem ter o quadro completo das Contribuições Nacionalmente Determinadas (as NDCs), caminharemos de olhos vendados para o abismo.

O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59 e 67% suas emissões, abrangendo todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia. Nações em desenvolvimento enfrentam a mudança do clima, ao mesmo tempo em que lutam contra outros desafios. Enquanto isso, países ricos usufruem de padrão de vida obtido às custas de duzentos anos de emissões.

Exigir maior ambição e maior acesso a recursos e tecnologias não é uma questão de caridade, mas de justiça. A corrida por minerais críticos, essenciais para a transição energética, não pode reproduzir a lógica predatória que marcou os últimos séculos. Em Belém, o mundo vai conhecer a realidade da Amazônia.

O Brasil já reduziu pela metade o desmatamento na região nos dois últimos anos. Erradicá-lo requer garantir condições dignas de vida para seus milhões de habitantes. Fomentar o desenvolvimento sustentável é o objetivo do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que o Brasil pretende lançar para remunerar os países que mantêm suas florestas em pé. É chegado o momento de passar da fase de negociação para a etapa de implementação.

O mundo deve muito ao regime criado pela Convenção do Clima. Mas é necessário trazer o combate à mudança do clima para o coração da ONU, para que ela tenha a atenção que merece.

Um Conselho, vinculado à Assembleia Geral, com força e legitimidade para monitorar compromissos dará coerência à ação climática. Trata-se de um passo fundamental na direção de uma reforma mais abrangente da Organização, que contemple também um Conselho de Segurança, ampliado nas duas categorias de membros.

Poucas áreas retrocederam tanto como o sistema multilateral de comércio. Medidas unilaterais transformam em letra morta princípios basilares como a cláusula de Nação Mais Favorecida. Desorganizam cadeias de valor e lançam a economia mundial em uma espiral perniciosa de preços altos e estagnação. É urgente refundar a OMC, em bases modernas e flexíveis.

Senhoras e senhores,

Este ano, o mundo perdeu duas personalidades excepcionais: o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, e o Papa Francisco. Ambos encarnaram como ninguém os melhores valores humanistas. Suas vidas se entrelaçaram com as oito décadas de existência da ONU. Se ainda estivessem entre nós, provavelmente usariam esta tribuna para lembrar:

Que o autoritarismo, a degradação ambiental e a desigualdade não são inexoráveis; que os únicos derrotados são os que cruzam os braços, resignados; que podemos vencer os falsos profetas e oligarcas que exploram o medo e monetizam o ódio; e que o amanhã é feito de escolhas diárias e é preciso coragem de agir para transformá-lo.

No futuro que o Brasil vislumbra não há espaço para a reedição de rivalidades ideológicas ou esferas de influência. A confrontação não é inevitável. Precisamos de lideranças com clareza de visão, que entendam que a ordem internacional não é um “jogo de soma zero”.

O século 21 será cada vez mais multipolar. Para se manter pacífico, não pode deixar de ser multilateral. O Brasil confere crescente importância à União Europeia, à União Africana, à ASEAN, à CELAC, aos BRICS e ao G20. A voz do Sul Global deve ser ouvida.

A ONU tem hoje quase quatro vezes mais membros do que os 51 que estiveram na sua fundação. Nossa missão histórica é a de torná-la novamente portadora de esperança e promotora da igualdade, da paz, do desenvolvimento sustentável, da diversidade e da tolerância.

Que Deus nos abençoe a todos.

Muito obrigado.”

Comparando os discursos de Lula e de Trump

A íntegra do discurso de Trump não foi divulgada, mas aqui está uma síntese do que o Laranjão disse:

Críticas à ONU: Trump afirmou que a ONU não atingiu seu potencial e criticou sua atuação, dizendo que a instituição não ajudou na resolução de conflitos que, segundo ele, seu governo mediou. Ele ironizou problemas técnicos ocorridos, como uma escada rolante que parou de funcionar.
· Autorreconhecimento: Ele exaltou os feitos de seu governo, afirmou ter encerrado sete conflitos internacionais e mencionou que “todos dizem” que ele deveria ganhar o Prêmio Nobel da Paz.


Relação com o Brasil:

· Elogio pessoal a Lula: Trump relatou um breve encontro nos bastidores, classificou Lula como um “cara legal” e disse que teve uma “química excelente” com o presidente brasileiro. Ele mencionou que ambos concordaram em se encontrar na semana seguinte.
. Críticas políticas: Ao mesmo tempo, criticou o Brasil, afirmando que o país “está indo mal” e enfrenta “grandes tarifas” em resposta a supostos esforços de interferir em direitos e liberdades, citando censura e perseguição política.
· Outros Temas de Política Externa: O discurso também abordou políticas migratórias, ameaças de novas sanções contra a Rússia, um apelo pela libertação de reféns no Oriente Médio e a defesa de ações contra o programa nuclear do Irã.

Cláudio Guedes é físico, especialista em planejamento energético e defensor do desenvolvimento mundial sustentável. Ao comentar os discursos de Lula e de Trump na abertura da Assembleia, o grande amigo-irmão me obrigou a fazer minhas suas certeiras palavras. Vamos lê-lo:

“O estadista e o outro

O presidente Lula fez, na ONU, um discurso próximo à perfeição. Sóbrio, elegante e com muito conteúdo, ao abordar os grandes desafios do mundo contemporâneo.

Defesa do multilateralismo, da paz mundial, da soberania dos países, das políticas de combate à fome no mundo, das políticas de mitigação das desigualdades sociais e das políticas em defesa do desenvolvimento sustentável. Muita clareza e objetividade na abordagem de cada tema.

Em seguida o presidente norte-americano, Donald Trump, veio ao púlpito da ONU. Fez um discurso narcisista, recheado de auto-elogios, de críticas estúpidas e mentirosas à ONU, de negação dos esforços mundiais de busca de fontes renováveis de energia, de ataques mentirosos aos movimentos migratórios, de deselegância extrema ao citar, inúmeras vezes, Joe Biden, seu antecessor na presidência dos EUA. Um “samba” maluco, onde não faltaram críticas às China, Índia e Europa em geral. Sobrou bobagens e grosserias para todo mundo.

E, no final, um elogio inacreditável ao presidente brasileiro, descrevendo o breve encontro que tiveram, de poucos segundos quando um deixava o púlpito e Trump para lá se dirigia. Lula, que tinha, minutos antes, proferido discurso em tudo oposto ao dele. Incrível.

É Trump: Um narcisista, meio ignorante e muito arrogante. O outro.

Como foi o encontro Trump – Lula

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontraram na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nesta terça-feira (23/9). O encontro aconteceu logo depois do discurso de abertura de Lula na ONU. Depois da breve conversa, o líder norte-americano elogiou o petista na tribuna da ONU e disse que vai conversar com ele na próxima semana.

“Eu estava aqui e, ao entrar, encontrei o líder do Brasil. Eu falei com ele, nós nos abraçamos, e as pessoas dizendo: ‘Dá para acreditar nisso?’. Nós concordamos que vamos nos encontrar na próxima semana. Não tivemos muito tempo para falar aqui, foram cerca de 20 segundos, mas nós conversamos”, disse Donald Trump.

Segundo a comitiva brasileira, Donald Trump teria acompanhado o discurso de Lula e, quando o petista deixou a tribuna, conversou brevemente com o titular do Palácio do Planalto. As equipes diplomáticas dos países acompanharam a conversa e traduziram as falas para ambos.

Nos segundos de conversa, Trump teria sugerido um encontro entre os dois e Lula se demonstrou interessado na abertura do diálogo entre os presidentes. A sugestão do republicano é de que a conversa aconteça na próxima semana, mas ainda não se sabe como irá acontecer.

Trump diz que abraçou Lula e que irão conversar na próxima semana. Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro se manifesta, a seu modo desastrado, após Trump elogiar Lula na ONU. Vou poupar @s leitor@s da chorosa cantilena.

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