Sofrimento, incerteza e desencanto


Seria este o autor? Sugestão da I.A.
O Ângulo e Foco recebeu duas poesias anônimas – ou a pessoa preferiu o anonimato do que a glória de ter seus poemas publicados aqui; rs. Fiquei até desconfiado de que a pessoa tenha pedido para a I.A. criá-los. Tempos loucos! Acontece que gostei do que li e me dispus a publicar os dois poemas recebidos, que conseguem capturar as emoções de sofrimento, incerteza e divisão – até pessimismo, que marcam os tempos atuais. Decidido a publicá-los, me deparei com a dificuldade de ilustrar a página com a foto, ou uma imagem do autor, ou autores. O que fazer? Resolvi pedir a uma I.A. que ilustrasse os dois poemas com possíveis feições dos autores. O resultado está aqui abaixo: poesias anônimas, de qualidade. Boa leitura!
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Cicatrizes no Asfalto
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O futuro não é mais uma estrada,
é um desvio inesperado na madrugada.
Um mapa rasgado pelo vento,
um projeto de um edifício desabado.
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Os canhões, em lugares distantes,
ecoam em nossos peitos pulsantes.
Não são terras, são almas que eles tomam,
e no nosso silêncio, a culpa consome.
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Colocamos o “nós” em muros altos,
e o “eles” em campos sombrios e baldios.
Humanidade, palavra partida ao meio,
um navio à deriva, longe do seu esteio.
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O ar que respiramos cheira a pólvora e medo,
o amanhã é um ladrão que nos cerca em segredo.
Cada manchete é um golpe, uma ferida exposta,
enquanto a esperança, frágil, é posta.
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E no meio do caos, da névoa espessa,
perguntamos qual ponte nos interessa.
Será a da indiferença, cômoda e gelada,
ou a do braço estendido, que ainda é nada?

Ou este teria criado os poemas? Sugestão I.A.
O Mercado dos Povos
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Há um leilão de nações na praça pública,
onde se vende sangue por barras de ouro e ódio.
Uns sobem ao pódio de ossos e glória,
outros são o alicerce, a dor, a memória.
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As fronteiras são cicatrizes a sangrar
e os discursos, facas a afiar.
O futuro é um refém amarrado a uma cadeira,
à espera de um resgate que a Era dar não lhe queira.
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Navegamos em telas de ilusão e desdém,
enquanto o barco comum vai fazendo água também.
Uns carregam o mundo nas costas, curvados,
outros ditam o ritmo, impassivos, sentados.
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É o sofrimento de muitos, o privilégio de poucos,
o silêncio dos justos, o estrondo dos loucos.
E no espelho da história, um rosto desfigurado:
o retrato de um tempo que se colocou no lugar do outro,
e se perdeu, fracassado.
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