ESTADOS UNIDOS X TRUMP


As manifestações pipocaram, no fim-de-semana, na América e na Europa.
A história da América Latina sempre vem sendo conturbada pela geopolítica estadunidense. No último final de semana, o neo-imperialista Laranjão passou a fazer ameaças à Colômbia, depois de apertar o cerco militar à Venezuela, que já está de prontidão nacional, contra ambos apresentando acusações de relações com o narcotráfico. A situação se complica nas relações diplomáticas com as iniciativas do Laranjão do Norte, de mobilizar tropas, navios e aeronaves para combater o ‘narcotráfico’ do governo venezuelano, o que já resultou em 27 mortes. Vai-se formando, então, um quadro preocupante: o avanço do pretenso ‘rei’ da América sobre a porção sul do continente. Ele faz essa pose internacional, – aparentemente sem temor do BRICS -, mas enfrenta uma forte e incomparável pressão da própria população de seu país. A sociedade norte-americana está despertando para os rumos atrapalhados dos país, que afeta sua vida diária, e ocupou as ruas de milhares de cidades, na América do Norte e Europa. Outro sintoma de alerta contra o desvario: Lembremos que, na semana passada, o almirante que comanda a Frota americana do Atlântico Sul anunciou que vai sair do posto e se aposentar. Qual será a mirabolante saída que o Laranjão vai encontrar? Essa não é uma preocupação somente dos verdadeiros democratas do nosso planeta, é geral. O BRICS, por exemplo, está de olho nisso tudo.
Vamos começar comentando os ataques militares dos EUA contra supostos barcos de drogas na costa da Venezuela. Esses ataques mataram, pelo menos, 27 pessoas, gerando alarme entre alguns especialistas jurídicos e, principalmente, legisladores democratas, que questionam se eles cumprem as leis de guerra. O governo Trump argumenta que está em guerra com grupos narcoterroristas da Venezuela, o que torna os ataques legítimos.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Na quarta-feira (15), Trump revelou que havia autorizado a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela, aumentando as especulações em Caracas de que os Estados Unidos estariam tentando derrubar o presidente Nicolás Maduro. O presidente da Venezuela rejeitou veementemente a atuação da CIA na região. O líder afirmou que o país “não quer um conflito no Caribe, nem na América do Sul”, em referência à crescente tensão com Washington.
“Até quando os golpes de Estado da CIA? A América Latina não os quer, não os precisa e os repudia”, declarou Maduro, durante reunião do Conselho Nacional pela Soberania e a Paz. Ele se referia a todas as ações americanas, na história, para derrubar governos, em todo o mundo, em particular na América Latina. Inclusive os golpes ocorridos no Brasil.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, no dia de sua posse.
Bogotá é novo alvo
O mais novo ‘inimigo’ dos EUA é a Colômbia. Segundo a Agência Reuters, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, chamou Trump de “rude” e “ignorante”. Ele respondia a comentários do americano, em uma publicação no X, no domingo (19), chamando-o de “líder do tráfico ilegal de drogas” e que, por isso, atacaria os malfeitores.
Isso aconteceu depois que o presidente dos Estados Unidos o chamou de “líder do tráfico ilegal de drogas” e disse que os pagamentos de subsídios ao país sul-americano cessariam. Trump já havia acusado Petro nas redes sociais de “encorajar fortemente a produção em massa de drogas” e que “pagamentos e subsídios em larga escala” cessariam. A Reuters não conseguiu estabelecer imediatamente a quais pagamentos Trump estava se referindo.
A Colômbia já foi um dos maiores destinatários de ajuda dos EUA no Hemisfério Ocidental, mas o fluxo de dinheiro foi repentinamente reduzido este ano pelo fechamento da USAID, o braço de assistência humanitária do governo americano.
Enquanto isso, o Ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sanchez, defendeu Petro durante uma cerimônia que marcou o Dia do Voto Jovem, afirmando que a Colômbia intensificou sua própria ofensiva contra as drogas no ano passado.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse, no domingo (19), que as forças americanas atacaram uma embarcação associada a um grupo rebelde de esquerda colombiano. Hegseth escreveu no X que o Pentágono destruiu um navio e matou três pessoas, na sexta-feira (17), no Caribe. Ele disse que o navio era afiliado ao grupo rebelde de esquerda Exército de Libertação Nacional e estava envolvido no contrabando ilícito de narcóticos, sem oferecer evidências para apoiar a alegação. Foi o mais recente de uma série de ataques dos EUA no Caribe contra embarcações que, segundo o governo Trump, transportavam drogas.
No mês passado, os Estados Unidos tinham revogado o visto de Petro, depois que ele se juntou a uma manifestação pró-palestina em Nova York e pediu aos soldados americanos que desobedecessem às ordens de Trump.
A Colômbia está lutando contra seus próprios problemas de drogas de longa data. No ano passado, Petro prometeu retomar as regiões produtoras de coca no país com uma intervenção social e militar massiva, mas a estratégia trouxe pouco sucesso, até agora.

O PT lança nota de protesto
Como não poderia deixar de ser, houve reações também no Brasil. O Partido dos Trabalhadores emitiu nota oficial sobre essa preocupante temática: “As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em que autoriza operações secretas da CIA no território da Venezuela, são uma afronta à soberania do país sul-americano e uma violação do Direito Internacional. É uma iniciativa inaceitável e deplorável.
“Soma-se a isso o cerco militar que vem sendo praticado contra o povo venezuelano, com execuções sumárias de vidas humanas por forças militares norte-americanas. Trata-se de uma prática inadmissível, sem base legal e sem qualquer processo investigativo.
“A Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA tem um longo histórico de patrocínio e articulação de ações ilegais e desestabilizadoras em países da América do Sul, voltadas a mudanças de regimes considerados hostis por Washington. Essas ações antidemocráticas deixaram marcas de ingerências, ilegalidades, golpes, repressão e ditaduras sangrentas no subcontinente. Em pleno século XXI, não podemos aceitar a repetição de práticas de um período opressor e sombrio. Não podemos aceitar a mais um ataque à soberania na América Latina.
“O Partido dos Trabalhadores condena com veemência mais um ataque dos EUA à soberania da Venezuela. Somos defensores do Direito Internacional e dos princípios da não ingerência e da autodeterminação dos povos em qualquer parte do mundo.
Brasília, 16 de outubro de 2025.
“Comissão Executiva Nacional – PT”

O almirante Alvin Holsey anuncia saída das Forças Armadas dos Estados Unidos.
Comandante militar americano pede afastamento
O secretário de Guerra, Pete Hegseth, anunciou na última quinta-feira (16), que o almirante que lidera as forças militares dos Estados Unidos na América Latina deixará o cargo no final deste ano, dois anos antes do previsto, em uma decisão surpreendente em meio à escalada das tensões com a Venezuela.
De acordo com informações da Reuters, uma fonte familiarizada com o assunto disse que houve tensão entre o almirante Alvin Holsey e Hegseth em relação às operações no Caribe e questionamentos sobre se ele seria demitido nos dias que antecederam o anúncio.
O principal democrata no Comitê de Serviços Armados do Senado, o senador Jack Reed, considerou a renúncia inesperada de Holsey preocupante, dados os crescentes temores de um potencial confronto dos Estados Unidos com a Venezuela.
“A renúncia do almirante Holsey apenas aprofunda minha preocupação de que este governo esteja ignorando as lições aprendidas com esforço em campanhas militares anteriores dos EUA e os conselhos de nossos combatentes mais experientes”, disse Reed em um comunicado.
Hegseth, em uma publicação nas redes sociais, não divulgou o motivo da saída de Holsey, que é um dos dois oficiais negros de quatro estrelas que lideram um comando de combate dos EUA.
No X, Holsey disse que se aposentaria em 12 de dezembro, mas não deu um motivo: “Foi uma honra servir nossa nação, o povo americano, e apoiar e defender a Constituição por mais de 37 anos”, disse ele.

Lula e Putin.
Lula se manifestou
Diante de ofensiva dos EUA no Caribe, Lula disse, dia 16, que nenhum presidente tem que dar palpite na Venezuela.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quinta-feira (16), que nenhum líder mundial deve dar palpite na Venezuela, em meio a operações militares dos Estados Unidos no mar do Caribe.
Em evento do Partido Comunista do Brasil (PC do B), Lula criticou a interferência de atores internacionais em assuntos internos, embora não tenha citado países ou líderes mundiais.
“Todo mundo diz que a gente vai transformar o Brasil na Venezuela, e o Brasil nunca vai ser a Venezuela, e a Venezuela nunca vai ser o Brasil, cada um será ele próprio. O que nós defendemos é que o povo venezuelano é dono do seu destino, e não é nenhum presidente de outro país que tem que dar palpite de como vai ser a Venezuela ou vai ser Cuba.”
Outro alvo rotineiro dos Estados Unidos e sancionado há várias décadas, Cuba também foi defendido pelo presidente do Brasil durante discurso: “Cuba não é um país de exportação de terroristas. Cuba é um exemplo de país de dignidade.”
Os comentários do Lula – reconhecido como um dos mais influentes estadistas do mundo – aconteceram um dia após Trump admitir que a CIA pode realizar operações terrestres na Venezuela, elevando a um segundo nível as operações de segurança na região do Caribe, que já contaram com múltiplos bombardeios aéreos contra embarcações.

O povo americano contra Trump, o ‘rei’.
A postura arrogante de Trump, tanto no exterior quanto no próprio país, está causando sérios problemas aos Estados Unidos. A economia está em frangalhos com a desindustrialização e os problemas de aumento nos preços de alimentos e falta de matérias-primas. E, claro, o povo americano está revoltado como nunca. Milhares foram às ruas contra Donald Trump, nos EUA e na Europa.
O movimento “No Kings” (Sem Reis, em tradução literal) levou multidões às ruas neste sábado (18), em centenas de cidades dos Estados Unidos e da Europa. Trump, sem ter o que dizer, saiu com essa:
“Afirmam que me chamam de rei. Eu não sou um rei”, disse Trump, ao comentar os protestos, em entrevista à Fox Business, um dia antes da grande mobilização.
O movimento “No Kings” levou multidões às ruas neste final de semana (18 e 19). A mobilização critica medidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em áreas como imigração, segurança e educação.

Um ‘mar’ de gente em Chicago.
A nova onda de protestos contra Donald Trump eclodiu. De acordo com a Associated Press, o movimento “Sem Reis” levou mais de sete milhões de pessoas às ruas em todo o país — as manifestações ocorrem em 2.600 locais.
“O presidente acredita que seu poder é absoluto. Mas não temos reis na América, e não nos submeteremos ao caos, à corrupção e à brutalidade” – diz a declaração dos organizadores.
Esta já é a terceira mobilização em massa desde o retorno do republicano à Casa Branca, e a mais abrangente – houve a participação de mais de 2,5 milhões de pessoas. Alguns analistas afirmam que esses protestos já podem ser considerados os maiores da história dos Estados Unidos.
As imagens das aglomerações são verdadeiramente impressionantes e dão a dimensão do movimento. No entanto, é crucial ressaltar que estes atos representam o começo, e não o fim, de uma jornada de oposição organizada ao trumpismo e ao avanço da extrema-direita no país.
Os protestos ocorrem em meio a um shutdown, demissões em massa de funcionários públicos e discussões sobre a introdução de tropas federais nas cidades.
O próprio Trump, diante de tudo o que está acontecendo, demonstra total tranquilidade – está se resguardado na Flórida, em seu Mar-a-Lago, e ignora os descontentes. Vale lembrar que, em junho, manifestações semelhantes reuniram milhões de americanos.
Toda a nossa solidariedade internacionalista à luta democrática do povo estadunidense! No Kings!

Na rede X, Trump postou um pequeno vídeo, onde se coroa.
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Fontes: Associated Press, Reuters, Sputnik e redes sociais


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