ÓTIMA APROXIMAÇÃO COM INDONÉSIA E MALÁSIA


O nordestino pobre virou Doutor Honoris Causa.
O presidente Lula chegou, quarta-feira a Jacarta, capital da Indonésia, onde iniciou uma extensa agenda pelo Sudeste Asiático. A aproximação promete ampliar mercados para os produtos brasileiros e avançar na preservação ambiental e no intercâmbio tecnológico. Nessa viagem, a comitiva foi também à Malásia, onde participou das reuniões da ASEAN e do Leste Asiático – organizações que reúnem a maior parte dos países da Ásia -, além de promover reuniões entre empresários brasileiros e asiáticos. Essa é mais uma ação do Governo Brasileiro, na linha do multilateralismo, diversificando formas de convivência geopolítica, em paz e sem coações. O presidente – agora Doutor Honoris Causa – fechou acordos relevantes para o futuro econômico do Brasil. Fique sabendo dos detalhes.
Um dos primeiros – e mais interessantes – acontecimentos da viagem se deu quando o presidente chegou em Kuala Lumpur, capital da Malásia, indo recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Desenvolvimento Internacional e o Sul Global.
O título foi entregue pela Universidade Nacional da Malásia, por reconhecer “a sua trajetória política e luta pela inclusão social e cooperação internacional”. Promissores contatos acontecem agora, num evento, na Malásia, onde Lula terá encontros bilaterais, incluindo discussões sobre a participação do Brasil na próxima Cúpula de Inteligência Artificial.

Lula durante declaração à imprensa ao lado do presidente Prabowo Subianto .Foto: Ricardo Stuckert /PR
Lula faz uma avaliação da visita à Indonésia
Ao fazer, ontem (24), um balanço da visita de Estado à Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que a viagem ao país asiático representa mais um passo do Governo do Brasil no sentido de ampliar relações comerciais e abrir mercados potenciais aos produtos nacionais.
“Não dá para a gente ficar esperando que as pessoas cheguem até o Brasil. Nós, que temos interesse, temos que procurar as pessoas, oferecer o que o Brasil tem de bom e o que as pessoas têm de bom para oferecer para o Brasil. Se isso der certo, a gente não vai ter problema no comércio”, disse o presidente.
A declaração veio momentos antes do embarque do presidente para a Malásia, onde cumprirá a segunda parte da agenda no Sudeste Asiático, em uma visita de Estado e na participação da Cúpula da ASEAN:
“Eu continuo viajando para ver se a gente aumenta a nossa balança comercial, a nossa reserva em dólares, o nosso investimento também no exterior e atrai novos investimentos para o Brasil”, continuou Lula. Desde o início da gestão do presidente, em janeiro de 2023, mais de 460 mercados foram abertos a produtos do agronegócio brasileiro. E continuou:
“Nesse mundo confuso, quanto mais parcerias econômicas tivermos, melhor. E não apenas econômicas e comerciais, mas entre as nossas universidades, entre os nossos cientistas, entre os nossos ministros, para que a gente possa efetivamente não ficar dependendo de um único país. Quanto mais comércio a gente tiver, quanto mais forte for a nossa relação, melhor é para o Brasil”.

Oito acordos assinados na Indonésia
Ao falar sobre a passagem pela Indonésia, Lula avaliou a reunião com o presidente Prabowo Subianto como “extraordinariamente boa” e ressaltou os acordos firmados entre as duas nações: “Fizemos oito acordos aqui. Tem uma perspectiva extraordinária em várias atividades e acho que os ministros saem otimistas. Eu saio otimista”, disse, em referência às parcerias em temas como agricultura e pecuária, ciência e tecnologia e na área de energia e recursos minerais. Além da visita de Estado, Lula participou de um fórum bilateral com mais de 100 empresários, entre brasileiros e indonésios. A intenção é permitir um saldo nas relações comerciais entre as duas nações, atualmente na faixa dos US$ 6 bilhões anuais.
Outro ponto ressaltado pelo presidente brasileiro foi que o governo seguirá com o mantra de defender o multilateralismo e o livre comércio. “Continuamos fazendo a pregação de que é preciso fortalecer o multilateralismo e as instituições que dão garantia ao multilateralismo, para que a gente tenha uma economia mais sólida, menos protecionismo e um comércio mais livre. Esse é um objetivo nosso nessas viagens e acho que as coisas estão acontecendo como prevíamos”.
Lula, que completa 80 anos na próxima segunda-feira (27), ainda mencionou a surpresa que recebeu do presidente Subianto: o anfitrião organizou uma festa de aniversário ao líder brasileiro. “Posso dizer que fui surpreendido com a melhor festa de aniversário que já tive. Eu não esperava que fosse tão bonita. Eu só não tive coragem de dançar”, brincou.
A Indonésia é um dos principais parceiros comerciais do Brasil na Ásia. O país é o 16º maior destino de exportações brasileiras e o 5º no setor do agronegócio. Em 2024, os fluxos comerciais atingiram o patamar recorde de US$ 6,3 bilhões, com superávit brasileiro (US$ 2,6 bilhões). Destacam-se as exportações de farelo de soja (US$ 1,66 bilhão; 37% da pauta) e açúcares (US$ 1,65 bilhão; 37%).
A curiosidade da visita foi a festa de aniversário de aniversário que foi oferecida, antecipadamente, a Lula, pelo presidente da Indonésia. Uma banda tocava “Parabéns pra você”, em diversos idiomas. Veja a foto:

Relação Brasil – Malásia muda de patamar
Durante a primeira visita oficial de um chefe de Estado brasileiro ao país em 30 anos, sete instrumentos de cooperação em áreas como tecnologia e agropecuária foram assinados e seis novos mercados abertos a produtos nacionais
“Cada visita que realizamos a outro país é uma oportunidade de firmar novos acordos e parcerias comerciais. Aqui na Malásia, não será diferente. Estamos assinando cooperações nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, semicondutores, tecnologia da informação e área acadêmica” – disse Lula.
A visita oficial à Malásia “muda de patamar” a relação entre Brasil e o país do Sudeste Asiático, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje (25). A declaração ocorreu logo após uma reunião bilateral entre o presidente brasileiro e o primeiro-ministro malásio, Anwar Ibrahim.

Lula: ‘A relação do Brasil com a Malásia muda de patamar a partir de hoje’. Ricardo Stuckert/PR
O encontro em Putrajaya, onde fica a sede e a residência oficial do governo malasiano, marca um novo momento nas relações bilaterais, com foco no fortalecimento de parcerias em áreas estratégicas, acrescentou Lula.
“Eu não vim aqui apenas com o interesse de vender ou com o interesse de comprar. Eu vim aqui dizer ao primeiro-ministro Anwar Ibrahim que nós temos possibilidade de mudar o mundo”, afirmou Lula em declaração à imprensa. “De fazer com que as coisas sejam melhores, de fazer com que o humanismo não seja derrotado pelos algoritmos. De dizer ao mundo que o mundo precisa de paz e não de guerra. De dizer ao mundo que nós precisamos de livre comércio e não de protecionismo”.
As avaliações brasileiras são de que há uma convergência política, entre Brasil e Malásia. Esta é a primeira visita do presidente Lula a Kuaka Kumpur e a segunda de um chefe de Estado brasileiro ao país, 30 anos depois da primeira. O encontro consolida o diálogo iniciado entre os dois líderes, em reuniões anteriores – nas cúpulas do G20, em novembro de 2024, e do BRICS, em julho deste ano, e reflete a convergência entre as nações em temas globais como o fortalecimento do multilateralismo, o combate à fome e a promoção da paz.
Os discursos dos dois líderes tiveram críticas às guerras. Tiveram diversos pontos em comum, como a defesa do multilateralismo, a necessidade de cooperação entre os dois países e críticas às guerras, como na Ucrânia e em Gaza: “Quem é que se conforma com a duração da guerra entre a Ucrânia e a Rússia? Quem é que pode se conformar com o genocídio impetrado na Faixa de Gaza durante tanto tempo? E não só a violência dos tiros e das guerras e das bombas, mas a violência de utilizar a fome, a vontade de comer de uma criança, como forma de torturá-las”, afirmou o presidente brasileiro.
Esses eventos exigem reformas na governança global, com a criação de instituições capazes de atuar com mais resolutividade nos dilemas da geopolítica atual. “As instituições multilaterais criadas para tentar evitar que essas coisas acontecessem pararam de existir. Hoje, o Conselho de Segurança da ONU e a ONU não funcionam mais”, disse. “E assim as coisas vão acontecendo, sem que haja nenhuma governança capaz de dizer que não pode ser assim”.
O primeiro-ministro Anwar Ibrahim destacou o comprometimento de Lula em lidar com agendas que se conectam ao povo brasileiro e a capacidade do presidente como liderança capaz de exercer influência na comunidade internacional: “Nós o conhecemos como líder que representa a classe trabalhadora e permanece consistente em sua luta para defender os mais pobres”, afirmou.
O líder malasiano também destacou a amizade com o presidente brasileiro. “Este não é um encontro diplomático comum, mas um engajamento entre amigos que compartilham convicções e ideais. Vamos garantir que nossas relações se estendam além do comércio e da política, alcançando também a cultura e o desenvolvimento humano”, disse Ibrahim Anwar.

Lula aplaude a Malasia. Ricardo Stuckert PR
Acordos assinados
Durante a cerimônia, foram firmados sete instrumentos de cooperação, entre eles memorandos de entendimento nas áreas de semicondutores, ciência e inovação tecnológica, pesquisa espacial e agricultura sustentável, além de acordos entre instituições de formação diplomática e centros de pesquisa dos dois países.
Também foram abertos novos mercados para produtos brasileiros. Além da retomada do comércio de carne de frango, o governo da Malásia autorizou a importação de pescados extrativos e de cultivo, gergelim, melão e maçã, formalizou a abertura do mercado para ovos em pó e antecipou a missão de auditoria que vai avaliar 16 plantas brasileiras de carne suína.
No comércio atual, a Malásia é um dos principais parceiros do Brasil na Ásia, com intercâmbio crescente em áreas de tecnologia e energia. O comércio bilateral somou US$ 487,2 milhões em setembro de 2025, sendo US$ 346,4 milhões em exportações brasileiras e US$ 140,9 milhões em importações.
Em 2024, o fluxo total chegou a US$ 5,8 bilhões, com aumento de 5,9% em relação ao ano anterior e superávit brasileiro de US$ 2,7 bilhões. Os principais produtos exportados foram minério de ferro (37%) e óleos brutos de petróleo (28%), volume superior ao das exportações brasileiras para países europeus como França, Itália, Portugal e Reino Unido.
Ao final, Lula destacou a convergência de interesses entre o Brasil e a Malásia: “Há tanta confluência entre os nossos pensamentos que basta agora fazer com que as nossas equipes trabalhem com afinco para que possamos realizar nos próximos anos o que não aconteceu em tantos outros. O Brasil precisa da Malásia, e a Malásia precisa do Brasil”.
COP 30, a hora da verdade
O presidente reiterou a urgência de ações concretas para mitigar os danos causados ao meio ambiente e afirmou que a COP30, que será realizada em Belém (PA) daqui a menos de um mês, será o momento de transformar compromissos em resultados efetivos:
“A COP30 será a COP da verdade. Será a COP em que a gente vai ter que dizer se a gente acredita ou não nas informações que a ciência está nos dando. Chega o momento em que a gente tem que pensar no planeta. E aí é que é preciso ter instrumentos de governança global, que nos fazem falta hoje”, disse.
Ao tratar da agenda climática, Lula reforçou o papel do Brasil como articulador internacional, em defesa da sustentabilidade e da ciência. Alertou para a necessidade de transformar compromissos assumidos em resultados efetivos:
“Como é que vamos evitar que o planeta possa ser destruído se sabemos o que está destruindo e não tomamos atitude para evitar? Nós tomamos as decisões em uma COP, e quem é que vai cumprir? O Protocolo de Kyoto até hoje não foi levado em prática. O Acordo de Paris muita gente não está respeitando”, listou.

Relação comercial com a ASEAN
A Malásia é um dos países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), bloco econômico integrado por Brunei, Camboja, Cingapura, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Tailândia e Vietnã. No domingo (26), ele deve se tornar o primeiro presidente brasileiro a participar de uma Cúpula da ASEAN. A visita acontece a convite da Presidência do bloco, atualmente exercida pela Malásia. Em 25 anos, o comércio entre o Brasil e a ASEAN cresceu mais de 16 vezes e, no ano passado, chegou a US$ 37,2 bilhões.
Ontem, sexta-feira (24), Lula foi recebido pelo Secretário-Geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Kao Kim Hourn, com quem voltará a se encontrar na Malásia, em Kuala Lumpur, domingo (26), durante a 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Lula agradeceu ao convite para participar do encontro e falou sobre a possibilidade de parcerias entre o Brasil e a região. O presidente convidou Kao Kim Hourn para participar da COP30, em Belém (PA), no mês que vem.
As relações com a ASEAN constituem eixo estruturante da prioridade atribuída pela política externa brasileira nesse adensamento das relações com países do Sudeste Asiático. Do ponto de vista econômico, a corrente comercial do Brasil com os países da ASEAN passou de US$ 3 bilhões em 2002 para US$ 37 bilhões em 2024, um aumento de doze vezes. Em 2024, o bloco foi o quinto maior parceiro comercial do Brasil no mundo, sendo o quarto maior destino das exportações brasileiras e responsável por 20% de todo o superávit da balança comercial nacional, com saldo de USD 15,5 bilhões.
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Fontes: Agência Gov/Via Planalto e Agência GOV


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