DUAS VERSÕES E A SAGA DE DOLORES IBÁRRURI


Na última quinzena, circulou pelas redes sociais a imagem de I.A. da revolucionária espanhola, Dolores Ibárruri, “La Pasionaria”, cantando, expressivamente, o poema “¡No Pasarán!”, num libelo contra as atrocidades dos sionistas no Oriente Médio. Essa é uma temática com origens históricas. Ela não criou a frase, mas foi quem a popularizou e a transformou em um símbolo eterno da resistência, durante a Guerra Civil Espanhola. Agora, é revivida pela tecnologia para protestar – como sempre – contra o massacre genocida em Gaza. Abaixo, o Ângulo e Foco traz os dois poemas, fortes, como era de esperar… e, também, o vídeo e um pouco de história no final.
As duas versões de “¡No Pasarán!”:
Não Passarão
Letra: poeta e compositor Alberto Fernández de Rosa (argentino) e Música: cantor e compositor chileno Sergio Ortega.
Os mouros que Franco trouxe
Querem entrar em Madri
Enquanto houver milicianos
Os mouros não passarão
Enquanto houver milicianos
Os mouros não passarão
Não passarão! Não passarão!
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Mesmo que derrubem a ponte
E também a passarela
Você me verá passar o Ebro
Num barquinho à vela
Você me verá passar o Ebro
Num barquinho à vela
Não passarão! Não passarão!
.
Dez mil vezes que derrubarem
Dez mil vezes os faremos
Temos cabeça dura
Os do Corpo de Engenheiros
Temos cabeça dura
Os do Corpo de Engenheiros
Não passarão! Não passarão!
.
No Ebro afundaram-se
As bandeiras italianas
E nas pontes só ficam
As que são republicanas
E nas pontes só ficam
As que são republicanas
Não passarão! Não passarão!
Compositor: Rolando Alarcón Soto
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NOVA VERSÃO FEITA COM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
O sionismo não passará
Povos do mundo
Nos dias em que a terra chora e os filhos
são enterrados sem nome
Levantamos a voz como se levanta a barricada
Com raiva e com esperança.
.
Trago na boca o gosto acre da pólvora
E no peito a memória dos que não voltaram,
Das mães que olham pro céu buscando nomes.
Não somos espectros, somos mãos, somos pães, somos canções
Os que semeiam ódio recolherão sua colheita de fracasso
.
Não é vingança o que pedimos, mas justiça
Não é ódio o que brindará nossas filas sem humanidade
O sionismo não passará.
Os povos que resistem jamais serão vencidos
Venceremos, venceremos!
.
A esperança se levantará e a vida ganhará da morte que se alimenta de ódio, ao fim ficará sem força
Entre as ondas do Mediterrâneo até às planícies e as colinas
As vozes que gritam pela Palestina são a voz da Humanidade
Não aceitamos a impunidade que compra silêncio com poder.
Não aceitamos que se converta a dor em mercadoria de uns poucos capitais que se enriquecem com a guerra
.
As fortunas estão feitas de lágrimas
E as lágrimas também pesam.
A História julgará aqueles que empunharam a cobiça contra a vida
Os que amam a liberdade marcharão com os despossuídos.
O sionismo não passará
.
Venceremos solidariedade com a terra
Onde os pequenos ainda sonham
Venceremos, venceremos!
Corações em alto, a dignidade florescerá
.
Trabalhadores e trabalhadoras, camponeses, estudantes,
não descuidemos da unidade
A força está em nossas mãos.
Que ninguém roube a palavra humano,
nem converta a Justiça em mercadoria.
Somos as ruas, cheias de passos que reconstroem,
não de botas que arrasam.
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Veremos escolas, hospitais abertos ao sol
Não é utopia, é tarefa conjunta.
Gesto conta como alma de vida
Sobre cada cinza semeemos uma árvore
Sobre cada lamento um hino
O cinismo não passará
Venceremos porque a dignidade humana não se negocia nem se submete
Venceremos! Venceremos!
.
A Justiça triunfará, a esperança será lei.
Os povos livres escreverão o amanhã
Pela Palestina, por todos os povos que resistem
Pela vida que não se rende
Venceremos! Venceremos!

História que explica a frase e La Pasionaria
A frase “¡No Pasarán!” (Eles Não Passarão) não se originou na Espanha. Seu uso mais famoso anterior foi durante a Batalha de Verdun, na Primeira Guerra Mundial (1916). O general Philippe Pétain, comandante francês responsável pela defesa de Verdun, utilizou o slogan “¡Ils ne passeront pas!” para galvanizar suas tropas contra o exército alemão. A frase tornou-se enormemente famosa e sinônimo de resistência heroica.
Quando eclodiu a Guerra Civil Espanhola, em 1936, e, com a ameaça do avanço das tropas franquistas em direção a Madrid, Dolores Ibárruri – como uma das principais oradoras do lado republicano – adaptou e popularizou este poderoso lema.
Em 18 de julho de 1936, em um vibrante discurso radiofônico para mobilizar a defesa de Madri, La Pasionaria gritou: “¡No Pasarán!” para o mundo. A frase completa de seu discurso foi: “¡Mais vale morrer de pé do que viver de joelhos! ¡No Pasarán!”. Esta combinação de frases ressoou profundamente e se tornou o grito de guerra da República.
Como nasceu o hino?
Existe uma canção chamada “¡No Pasarán”, que também se associou fortemente à causa republicana. A autoria desta canção é diferente: A letra é do poeta e compositor Alberto Fernández de Rosa (argentino) e a música do cantor e compositor chileno Sergio Ortega (que também compôs a famosa “Venceremos”).
Esta canção foi escrita em solidariedade com a resistência espanhola e se popularizou internacionalmente. Seu refrão proclama: “¡No Pasarán, nos deixarão a vida, mas não passarão”.
Os autores diretos são Fernández de Rosa e Sergio Ortega, mas, quando se pensa no poder e na difusão do slogan, o crédito é inseparável de Dolores Ibárruri, La Pasionaria.

Quem foi Dolores Ibárruri
Dolores Ibárruri, conhecida como “La Pasionaria”, foi uma figura seminal na história espanhola do século XX, reconhecida por sua liderança no Partido Comunista e seu papel como símbolo da resistência republicana durante a Guerra Civil Espanhola.
Nasceu em 9 de dezembro de 1895, em Gallarta (Biscaia), em uma família pobre de mineradores. Forçada a abandonar a formação de professores devido à pobreza, trabalhou como costureira e empregada doméstica. Casou-se com o mineiro socialista Julián Ruiz Gabiña, em 1916. Foi mãe de seis filhos, dos quais apenas dois sobreviveram à idade adulta.
Quatro anos depois, deu-se sua ascensão Política (1920-1935). Filiou-se ao recém-fundado Partido Comunista da Espanha (PCE), em 1920. Usou o pseudônimo “Pasionaria”, pela primeira vez, em 1918, enquanto escrevia para a imprensa operária. Mudou-se para Madri em 1931 para trabalhar no jornal do partido, Mundo Obrero. Foi eleita para o Comitê Central do PCE e tornou-se uma líder proeminente, presa várias vezes por seu ativismo.
Em 1936, foi eleita Deputada pelas Astúrias. Tornou-se uma voz icônica da República, durante a Guerra Civil, famosa pelos slogans “¡No Pasarán!” (“Eles não passarão!”) e “Más vale morir de pie que vivir de rodillas” (“É melhor morrer de pé do que viver de joelhos”).
Exilada na União Soviética por 35 anos
Após a derrota republicana, em 1939, exilou-se, estabelecendo-se na União Soviética. Serviu como Secretária-Geral do PCE (1942-1960) e, posteriormente, como sua Presidente (1960-1989). Seu filho, Rubén, morreu lutando pelo Exército Vermelho na Batalha de Stalingrado, em 1942.
Retornou à Espanha em 13 de maio de 1977, após a morte de Franco e a transição para a democracia. Foi eleita Deputada pelas Astúrias nas primeiras eleições democráticas. Seu papel foi amplamente simbólico durante este período. Faleceu em Madri em 12 de novembro de 1989, aos 93 anos, deixando impacto e legado duradouros.
Dolores Ibárruri continua sendo uma figura poderosa e simbólica na história espanhola e, agora, na denúncia do inferno sionista.
Ela foi idealizada como heroína pela esquerda e celebrada em poemas e canções de artistas renomados como Pablo Neruda, Miguel Hernández e Rafael Alberti. Sua imagem se tornou um ícone internacional da luta antifascista.

Imagem do show, produzido pela I.A. contra o genocídio.
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