CLÁUDIO CASTRO DEVE SER CASSADO PELO TSE

Dezenas de corpos, levados para a Praça São Lucas, na Penha. Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do PL, mata mais de 120 pessoas para conquistar eleitores na próxima eleição de 2026. Envolvido, anteriormente, em acusações de corrupção e fraude eleitoral, agora soma esse novo crime ao seu currículo esdrúxulo e está ameaçado de cassação, em julgamento na próxima semana, no TSE. Justiça é uma coisa e ser “justiceiro”, é outra. Depois do ataque brutal, neste 28 de outubro, Castro convidou os governadores de direita para uma reunião, no Rio, a fim de montar uma estratégia eleitoreira para capturar resultados em 2026, usando a morte como argumento para vencer. Nessa linha, se continuarem a afirmar que “bandido bom é bandido morto”, vão ter que enfrentar o mesmo remédio para se defenderem de seus próprios crimes, porque agem como bandidos.
Mas, parece que a estratégia deve fracassar. O mundo está impressionado e os brasileiros realmente democratas, estão indignados. Vamos resumir, de onde vem o governador Cláudio Castro (PL). Ele foi eleito em 2022, depois de governar o Rio como vice, que assumiu, após a cassação de Wilson Witzel. Em seguida, concorreu ao cargo de governador, enfrentando e vencendo Marcelo Freixo, do PSB, de quem ganhou com o dobro de votos. Freixo, hoje, faz a grave acusação de que o massacre foi programado para tirar o foco na boa imagem do Brasil, perante o mundo, no governo Lula, e capturar a narrativa política interna para o campo extremista.
Assumidamente de direita, Cláudio Castro usa a chacina como trunfo político-eleitoral para se reeleger em 2026. Ao invés de recorrer ao Governo Federal para traçar a estratégia que rechaçou – ao trabalhar contra a PEC da Segurança -, ele convocou para uma reunião os governadores de direita: Romeu Zema (MG), Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO) e, até, Eduardo Leite (RS). Alguém vê boa intenção nisso?
O julgamento de Cláudio Castro, no TSE, está marcado para o dia 4 de novembro e pode resultar na sua cassação. O governador do Rio é acusado de irregularidades na contratação de funcionários do Ceperj que teriam atuado como cabos eleitorais, além de ter outros processos por corrupção, na sua vida pregressa.

Marcelo Freixo denunciou a “estratégia” que vai sair pela culatra. Printscreen redes sociais
“Estratégia” mobilizou a ONU
A “estratégia” mobilizou vários setores e a secretaria-geral da ONU, numa forte condenação à operação policial, que classificou de racista. Esse crime, de cunho eleitoral, repercutiu, também, na imprensa do mundo todo.
A repercussão da desastrada operação ganhou a opinião pública e mobilizou até a ONU, nas condenações ao brutal ataque que vitimou muitos inocentes, e até crianças. A ONU pede investigação sobre mortes em operações policiais no Rio de Janeiro.
Direitos humanos foram atingidos
O Secretário-geral das Nações Unidas disse estar extremamente preocupado com o número de óbitos em ação policial considerada a mais letal da história do Estado fluminense; o Alto Comissário de Direitos Humanos pediu reformas no policiamento para acabar com perpetuação do racismo, discriminação e injustiça.
Após a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, declarou estar extremamente preocupado com o grande número de mortes.
Em mensagem transmitida por seu porta-voz, Stephane Dujarric, nesta quarta-feira, o líder da ONU enfatizou que o uso da força por autoridades policiais precisa estar alinhado com leis internacionais de direitos humanos. Ele pediu que seja realizada uma investigação imediata sobre o episódio.
Também nesta quarta-feira, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, pediu uma “reforma abrangente dos métodos de policiamento no Brasil”.
Tomaz Silva/Agência Brasil Dezenas de corpos são trazidos por moradores à Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, Brasil

Rupert Colville porta-voz do Escritorio de Direitos Humanos da ONU. Foto:ONU.
“Alta letalidade policial tem sido normalizada”
O chefe de Direitos Humanos declarou que, por décadas, “a alta letalidade associada ao policiamento no Brasil tem sido normalizada”, especialmente em áreas como o Rio de Janeiro, onde aumentou significativamente.
Segundo Turk, “o Brasil precisa romper o ciclo de brutalidade extrema e garantir que as operações de segurança pública estejam em conformidade com os padrões internacionais sobre o uso da força”.
Turk pediu investigações rápidas, independentes e eficazes sobre os eventos da terça-feira e uma reforma completa do policiamento.
Ele enfatizou que qualquer uso de força potencialmente letal deve estar alinhado com os princípios de legalidade, necessidade, proporcionalidade e não discriminação.
Racismo sistêmico
O Alto Comissário adicionou que “abordar o racismo sistêmico contra pessoas negras no Brasil é fundamental”. Ele afirmou que “é hora de acabar com um sistema que perpetua o racismo, a discriminação e a injustiça”, disse o chefe de direitos humanos da ONU.
Segundo o Mecanismo Internacional Independente de Especialistas para Promover a Justiça Racial e a Igualdade na Aplicação da Lei, os assassinatos de pessoas negras por agentes de segurança no Brasil são “generalizados”.
Estima-se que 5 mil pessoas negras sejam mortas pela polícia a cada ano. Jovens negros que vivem em áreas empobrecidas são as principais vítimas.
Turk afirmou que compreende plenamente “os desafios de lidar com grupos criminosos violentos e organizados como o Comando Vermelho”, mas considera que tudo tem limites.

Foto: ONU-Tomaz Silva Ag Brasil.
Resultados da “operação”
A operação policial de grande escala ocorreu nas comunidades do Complexo do Alemão e Complexo da Penha, com o objetivo de cumprir cerca de 100 mandados judiciais contra indivíduos ligados a grupos do crime organizado.
Segundo dados oficiais, pelo menos 121 pessoas foram mortas, incluindo quatro policiais. Outras 81 pessoas foram detidas.
O mundo assiste estarrecido
Os resultados da pesquisa do Ângulo e Foco, entre o publicado pela mídia brasileira e pelas principais agências de notícias globais, evidenciaram uma reação imediata, no Brasil, na América do Norte e na Europa, embora limitada pela falta de comentários, da Ásia, África e Oceania.
Na América do Norte e Europa, os relatórios das agências de notícias incluíam sérias acusações de famílias, como alegações de execuções e decapitação. A CBC News do Canadá também se concentrou no crescente número de mortos e na reação doméstica e internacional. A matéria citou o ministro da Justiça do Brasil, Ricardo Lewandovsky, quando este afirmou que o governo federal não foi informado com antecedência e que ficou “chocado” com as vítimas. O artigo também incluiu críticas de um órgão de direitos humanos da ONU que ficou “horrorizado” com os eventos e da Human Rights Watch, que chamou de “enorme tragédia” e “desastre”.
No Brasil e na América do Sul, a repercussão é negativa. Embora a mídia brasileira tenha coberto o evento em profundidade, outras nações sul-americanas, como Argentina, Chile ou Colômbia, não se manifestaram com comentários. Na Europa, a cobertura alinhou-se com a perspectiva da mídia americana, ao enfatizar as preocupações com os direitos humanos e as investigações oficiais que estão sendo lançadas.
A BBC britânica forneceu uma reportagem completa que trouxe detalhes. A cobertura da BBC incluiu relatos poderosos no local, como a descrição de um fotógrafo de ter visto corpos decapitados e “totalmente desfigurados”. Eles também detalharam as consequências legais, observando que os promotores federais brasileiros e o órgão de direitos humanos da ONU exigiram investigações sobre o uso da força pela polícia.
Nos demais continentes, o assunto foi mencionado por agências de notícias na Ásia – um breve relatório factual do China Daily – e, da mesma forma, na África e na Oceania.

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Fontes: ONU, BBC, ZAPaeiou, Agência Brasil e redes sociais.


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