PAÍS LANÇA PROPOSTAS PARA ATINGIR EMISSÃO ZERO


As ações, a serem propostas, visam a preservar principalmente as florestas.Foto: Arquivo/BNDES
Do próximo dia 10 até o dia 21, acontece a COP30, o mais importante evento mundial de resgate da qualidade de vida e da preservação da natureza terrestre para as gerações futuras. Esse grande encontro de líderes mundiais acontecerá em Belém do Pará, no coração da Amazônia brasileira. A fim de abrigar confortavelmente os convidados, o presidente Lula – que já está em Belém -determinou a colocação de dois transatlânticos de cruzeiro, no porto da capital paraense, para garantir que não haja abusos da hotelaria local, que já tinha fixado diárias de até R$30 mil. Para dar segurança a todos os presentes, foi decretada uma GLO que colocou tropas nas ruas. Nesses dias que antecedem ao evento, o Governo já anuncia iniciativas de peso para manter sua liderança no combate ao aquecimento global. “Os cães ladram e a caravana passa”.
Visando a atingir esses objetivos, o Governo do Brasil anuncia uma série de medidas, na linha de salvar o planeta. Uma delas é o plano para o fundo climático de US$ 1 bilhão. O objetivo é alocar recursos para catalisar e ajudar a alavancar a inovação industrial, apoiando a ambiciosa meta do Brasil de reduzir pela metade suas emissões até 2035.
O Ministério da Fazenda – em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Fundo Verde para o Clima (GCF) – revelou terça-feira (4), durante o COP30 Business and Finance Forum, em São Paulo, planos para um fundo histórico de investimento em participações, com lançamento previsto para 2026.
O fundo proposto – o primeiro do tipo dedicado exclusivamente a um país – visa a alavancar os recursos de investidores comerciais e instituições financeiras de desenvolvimento, servindo como importante instrumento da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP), criada para mobilizar investimentos em larga escala, na transição verde brasileira, secretariada pelo BNDES.
“A BIP é um novo instrumento que lançamos como parte do Plano de Transformação Ecológica”, afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. “Ela foi concebida para conectar nossa estratégia de financiamento a uma nova geração de projetos, capazes de impulsionar uma economia de baixo carbono e inclusiva.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante ressaltou que a criação do fundo representa um avanço estratégico na transformação ecológica brasileira: “Ao estruturar mecanismos de capital catalítico com participação do setor privado, o BNDES reafirma seu papel como agente indutor de investimentos em setores-chave da nova economia.”
Esta iniciativa também posiciona o Brasil como referência internacional na construção de modelos financeiros voltados à transição climática, com potencial de replicação em outras economias emergentes. Esse esforço é apoiado pelos principais parceiros públicos e privados, incluindo Bloomberg Philanthropies e Glasgow Financial Alliance for Net Zero (GFANZ).
Ao longo do seu primeiro ano de atuação, a BIP passou da ambição à ação, mobilizando parceiros dos setores público e privado, em torno de uma visão comum para a transformação climática do Brasil. Com este novo fundo, o Brasil abrirá novos caminhos no financiamento climático liderado pelo país – direcionando investimentos catalisadores para soluções inovadoras, em setores prioritários, ajudando a cumprir a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, reduzindo as emissões entre 59% a 67%, até 2035.
O fundo tem o potencial de fornecer um modelo escalável e replicável, combinando capital concessional e privado para preencher lacunas de financiamento e implantar capital público de forma estratégica, por meio de uma plataforma liderada pelo país, demonstrando o poder das parcerias público-privadas na mobilização de investimentos em escala, alinhados ao clima.

Ônibus elétricos são avanços para a mobilidade e para o meio ambiente – Foto: Lucas Lima/MCid
Mobilidade urbana eletrificada
De outro lado, o Brasil segue rumo à mobilidade limpa com um novo fundo para adquirir ônibus elétricos. Esse Fundo, inédito, deve mobilizar 80 milhões de euros e atrair até 450 milhões em investimentos privados para ampliar a frota elétrica e impulsionar a mobilidade sustentável nas cidades brasileiras.
Esse passo decisivo na transição para uma mobilidade urbana de baixo carbono foi anunciado quarta-feira (5), durante o Fórum de Líderes Locais da COP30. O Fundo de Melhoria de Crédito para Ônibus Elétricos do Brasil é uma iniciativa inédita que promete transformar o transporte público e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
“Ao promover a mobilidade sustentável e o desenvolvimento urbano equitativo, fortalecemos a capacidade das cidades de enfrentar a crise climática e melhorar a vida cotidiana das pessoas”, destacou o ministro das Cidades, Jader Filho. Os investimentos, até 2030, vão viabilizar a chegada de mais de 1.700 novos ônibus elétricos no País.
O fundo busca enfrentar um dos maiores entraves à descarbonização: o acesso das cidades a crédito acessível e de longo prazo para financiar infraestrutura verde. Ao reduzir o risco para investidores, o mecanismo torna os projetos de eletrificação mais atrativos e viáveis.

Lula liberou obras e participou da organização da COP30. Foto:AgênciaBrasil
Monitoramento digital do clima
Mas, como atingir todos os objetivos? O Brasil propõe a criação de infraestrutura digital pública global para acelerar enfrentamento à mudança do clima. Documento elaborado, a pedido do presidente da COP30, defende sistema que possa ser adotado por governos, organizações e comunidades para monitorar e coordenar políticas climáticas, em tempo real.
O presidente da COP 30, embaixador André Corrêa do Lago, junto com o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro e o pesquisador Ronaldo Lemos, apresentaram a proposta inédita de Infraestrutura Digital Pública Global para o Clima (Climate DPI).
O documento propõe uma nova abordagem para enfrentar a fragmentação e a lentidão das iniciativas climáticas em todo o mundo. A proposta parte do diagnóstico de que a transição verde global carece de uma base digital comum. O Climate DPI é apresentado como um sistema voltado a interligar dados, finanças e inteligência digital, em escala planetária.
O relatório detalha uma arquitetura modular chamada ClimateStack, que organiza a proposta em diferentes camadas interconectadas. A primeira trata da identificação digital, criando registros únicos para pessoas, organizações e ativos, vinculados a projetos climáticos. Essa base permitirá rastrear o ciclo completo de uma ação — desde o investimento até a redução de emissões.
A segunda camada abrange pagamentos e transações, com o uso de sistemas interoperáveis e contratos inteligentes para a transferência de recursos, compensações e emissão de créditos de carbono.
Em seguida, a camada de dados abertos integra informações de satélites, sensores ambientais e observações locais em grandes bancos de dados climáticos (data lakes), com padrões abertos e governança ética.
Uma camada de aplicações proporcionaria o desenvolvimento de serviços públicos digitais, como alertas de desastres, monitoramento de florestas, mercados de carbono e sistemas de previsão de riscos climáticos.
Por fim, a camada de acesso universal assegura que as ferramentas possam alcançar todas as populações, inclusive as mais vulneráveis, por meio de múltiplas interfaces, como por exemplo web, SMS, rádio comunitária e linguagens locais.

O acesso universal assegura que as ferramentas possam alcançar todas as populações. Foto:GettyImages
Tecnologias e impactos
O Climate DPI se apoia em um conjunto de tecnologias-chave que já vêm sendo desenvolvidas em diferentes regiões do mundo, mas que atualmente operam de forma isolada. Entre elas estão os sistemas de observação da Terra – como GEOSS, Copernicus e INPE/PRODES – que permitem o monitoramento preciso de florestas, emissões e mudanças ambientais.
O sistema dará sinais de alerta e resposta rápida, que integram sensores, inteligência artificial e ciência cidadã para prevenir desastres naturais. Além disso, as finanças climáticas digitais, com o uso de blockchain e contratos inteligentes, são outro pilar da proposta, voltada a aumentar a transparência e a rastreabilidade dos recursos destinados à ação climática.
O relatório ainda aborda o papel da inteligência artificial para apoiar medidas de mitigação e adaptação – como a agricultura de precisão e a gestão inteligente de redes elétricas – e defende o desenvolvimento de infraestruturas verdes para IA, com data centers sustentáveis, softwares eficientes e energia 100% renovável.
Com essa integração, o Climate DPI busca promover: monitoramento em tempo real de emissões e desmatamento, maior transparência nos mercados de carbono, redução de até 40% no tempo de resposta a desastres e cobertura global de alertas climáticos até 2035.
A iniciativa pretende funcionar como a espinha dorsal tecnológica do Acordo de Paris, permitindo que compromissos assumidos pelos países sejam acompanhados e transformados em resultados mensuráveis.
A COP e suas metas
COP significa “Conferência das Partes” (Conference of the Parties, em inglês) e representa a associação de todos os países-membros que se reúnem anualmente, por um período de duas semanas, para avaliar a situação das mudanças climáticas no planeta.
As metas da COP30 são: Fazer um grande balanço dos 10 anos do Acordo de Paris; rever as metas climáticas de quase 200 países; e definir objetivos ainda mais ambiciosos para garantir que o aquecimento do planeta não ultrapasse o 1,5 °C, em média, em relação aos registros de antes da era pré-industrial.
Os principais desafios incluem alinhar os compromissos de países desenvolvidos e em desenvolvimento, em relação ao financiamento climático, garantir que as metas de redução de emissões sejam compatíveis com a ciência climática e lidar com os impactos socioeconômicos das mudanças climáticas em populações vulneráveis.

A imagem folclórica do Curupira passou a ser símbolo da COP30.
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Fontes: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), GOVBR


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