TRUMP QUER FALAR COM NICOLÁS MADURO

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SINAIS (PRECOCES) DE PAZ NO CARIBE?

Desse diálogo pode sair um tratado de paz.

Num cenário que deixa clara a intenção belicista de Washington contra a Vanezuela, o mundo inteiro – como nós – está preocupado com a possível ocorrência de um confronto militar direto, entre os dois países. Esse é um panorama aterrador que se desenrola aqui ao lado, na fronteira Norte do Brasil. A esperança global é a de que o Laranjão do Norte mantenha sua postura ciclotímica, de avançar e recuar para negociar, em termos favoráveis a ele, a exploração das riquezas – principalmente petrolíferas – da Venezuela, que possui as maiores reservas do mundo. Esse “para pra acertar” parece que está acontecendo, para alívio de todos os povos pacíficos do planeta.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou neste domingo (16) a possibilidade de abrir um canal de diálogo com o líder venezuelano Nicolás Maduro, em meio ao crescente reforço militar norte-americano na região do Caribe. A informação foi divulgada pela agência Reuters e representa uma das primeiras indicações de que Washington pode buscar uma saída diplomática, após semanas de escalada militar, sob o pretexto de combater o narcotráfico.

O governo norte-americano tem conduzido operações contra embarcações suspeitas de transportar drogas na costa venezuelana e no leste do Oceano Pacífico, ação que ampliou tensões com Caracas. “Talvez tenhamos algumas conversas com Maduro, e veremos como isso se desenrola. Eles gostariam de conversar”, afirmou Trump a jornalistas em West Palm Beach, antes de retornar à capital.

Apesar da declaração, o presidente não detalhou qualquer plano formal de negociação. Washington acusa Maduro de vínculos com o narcotráfico – acusações rejeitadas pelo governo venezuelano. Na semana anterior, autoridades da Casa Branca e comandantes militares estadunidenses realizaram reuniões para analisar cenários de intervenção, incluindo operações terrestres em território venezuelano, segundo fontes ouvidas sob anonimato. Na sexta-feira (14), Trump tinha afirmado que “meio que se decidiu” sobre o futuro da Venezuela, indicando que um anúncio oficial poderia ocorrer em breve. O Ministério das Comunicações de Caracas não comentou as falas.

O porta-aviões George Washington e sua escolta no Caribe.

Aumenta presença militar

Enquanto isso, os Estados Unidos vêm ampliando sua operação militar no Caribe. Nesta semana, o USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões da Marinha americana, chegou à região. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou oficialmente a Operação Lança do Sul (Southern Spear), conduzida em parceria com o Comando Sul. Desde agosto, Washington posiciona navios de guerra próximos à Venezuela. Em setembro, o primeiro ataque fatal mirou um barco que, segundo os EUA, transportava drogas. Desde então, outras 19 ofensivas foram registradas.

O governo americano afirma que a missão busca interromper rotas de narcotráfico e combater “narcoterroristas”. Caracas e aliados, porém, acusam Washington de usar o combate às drogas como pretexto para um ataque contra o regime chavista, que já dura mais de duas décadas. Críticos de Trump também apontam que a mobilização militar ocorre em meio à pressão interna para que o presidente divulgue integralmente os chamados “arquivos Epstein”, que permanecem sigilosos.

Fontes militares sugerem que os EUA já deslocaram frota de cerca de uma dúzia de embarcações – incluindo destróieres, cruzadores e um submarino nuclear -, além do porta-aviões transferido do Mediterrâneo. Estima-se que 12 mil militares estejam envolvidos na operação, número considerado desproporcional para ações limitadas à apreensão de lanchas de contrabandistas.

Os Estados Unidos ofereceram uma recompensa de US$ 50 milhões pela captura de Maduro, acusado de liderar o Cartel de los Soles. Caracas nega sistematicamente qualquer envolvimento em operações criminosas. Embora Washington não tenha confirmado planos de ataques dentro da Venezuela, Trump tem reiterado que os “dias de Maduro estão contados”.

Uma intervenção direta seria a primeira incursão unilateral dos EUA na América Latina, desde 1989, quando o Panamá foi invadido para a captura de Manuel Noriega. Analistas alertam, porém, que forças americanas estacionadas na região seriam insuficientes para uma ofensiva em larga escala contra um país de 28 milhões de habitantes e com mais de 300 mil integrantes nas forças armadas e milícias. Para especialistas, ações seletivas, operações de inteligência e tentativas de fragmentar o núcleo de poder chavista seriam caminhos mais prováveis.

Em resposta, Maduro intensificou sua retórica contra Washington, acusando os EUA de ameaçar a soberania venezuelana. O governo lançou programas de mobilização civil e realizou, nesta semana, exercícios militares com cerca de 200 mil participantes. O presidente também anunciou planos de convocar 4,5 milhões de milicianos. Ainda assim, especialistas observam que o aparato militar venezuelano enfrenta desgaste estrutural, em meio à prolongada crise econômica, o que pode fragilizar a lealdade interna ao regime.

O presidente russo recebe Nicolás Maduro em Moscou (2019). Foto: Sergei Chirikov/PoolPhotoviaAP).

Logo a Rússia começou a enviar navios e armamentos à Costa do Havaí, um Estado dos EUA.

A reação mundial

A comunidade internacional reage com preocupação. Críticos destacam que os EUA não apresentaram provas claras sobre as embarcações afundadas, e que os ataques ocorreram sem risco imediato às forças americanas. A China afirmou apoiar o combate ao crime transnacional, desde que respeitados direitos humanos e normas internacionais. O Kremlin reforçou que ações militares devem observar o direito internacional e evitar desestabilizar a região, ao tempo em que desloca toneladas de material bélico para ajudar a Venezuela na sua reação, além de um destróier para a costa do Havaí, um dos estados americanos.

Até mesmo aliados históricos dos EUA manifestaram desconforto. A França declarou que as operações violam normas internacionais. O Reino Unido, segundo fontes citadas pela CNN, teria interrompido o compartilhamento de inteligência que pudesse ser usada em ataques, posição negada por Washington. A União Europeia também cobrou respeito ao direito internacional, postura reiterada por representantes da Alemanha.

Com a intensificação das movimentações militares e a retórica cada vez mais dura dos dois lados, cresce o temor de que a Operação Lança do Sul marque o prelúdio de uma ação inédita contra o governo chavista. Trump, porém, mantém declarações ambíguas, enquanto a Venezuela tenta projetar resistência diante de uma possível intervenção externa.

O mais recente movimento do vai-e-vem trumpista – de sugerir uma conversa direta com o presidente Venezuela, Nicolás Maduro – enche de esperança a maioria pacifista do mundo. Quem sabe possa, daí, sair um trajeto de entendimento, entre as duas nações. Diria melhor: ‘os dois governos’, porque os povos só precisam de paz para trabalharem e se desenvolverem, sem intervenções externas, covardes e mal-intencionadas.

Potenciais alvos dos EUA na Venezuela.

Fontes: Reuters e Deutsche Welles

One response to “TRUMP QUER FALAR COM NICOLÁS MADURO”

  1. Avatar de
    Anônimo

    E Trump se chegando para a América do Sul…

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