SAIBA QUAIS SÃO OS SETORES PROBLEMÁTICOS


Um data center de Inteligência Artificial é grande vilão ambiental.
A comunidade Ekō está lançando uma campanha para reduzir o impacto ambiental, causado pelas bigtechs com o crescimento da criação e ampliação da Inteligência Artificial no mundo. Esse tipo de empreendimento exige alto consumo de energia elétrica e aumenta o risco de colapso, com o passar do tempo. Porém, muitos outros setores precisam, também, se readaptar, de forma a cumprir os objetivos de economizar energia. Parte importante cabe a nós, consumidores. O tema surge, bem a propósito, durante a realização da COP30, em Belém do Pará. Vamos aprender, juntos, como devem agir esses altos consumidores de energia, daqui para a frente. Senão…
Segundo a organização Ekō, o setor de I.A., no mundo atual, está afetando a sustentabilidade ambiental e causando o que é, hoje, um ‘impacto hídrico secreto’. A Inteligência Artificial tem um enorme problema ambiental: seus data centers, em proliferação, consomem muita água; produtos químicos perigosos se escondem no lixo eletrônico e é crescente o uso de grandes quantidades de eletricidade, resultando em um enorme impacto ambiental, devido à alta emissão de gases de efeito estufa.
Ainda bem que a própria IA tem o potencial de nos ajudar a ser mais sustentáveis. Ela pode ajudar a prever a quantidade de energia renovável que obteremos do sol e do vento e como otimizar nossas redes de eletricidade. A IA também pode ajudar a projetar turbinas eólicas e aeronaves mais leves e, portanto, que usem menos energia. Esperemos que os criadores da IA usem ela própria para sanar o problema.
Cabe a todos agir. À medida que os gigantes da tecnologia procuram aumentar seus recursos de IA, devemos chamar a atenção para seus problemas ambientais e exigir que interrompam as expansões de seus data centers, até que possam parar de consumir água, descartar resíduos perigosos de forma responsável e fazer a transição para energia 100% renovável, até 2030. O apelo é claro: “Gigantes da tecnologia: priorizem a sustentabilidade e as energias renováveis agora!”
As emissões de carbono do Google e da Microsoft, por exemplo, estão fora de controle por causa da IA. A Microsoft confessou que suas emissões aumentaram 30% desde 2020 e o Google admitiu um aumento de 48%.
Os gigantes da tecnologia querem expandir seus recursos de IA, mas precisamos de uma moratória sobre novos data centers e expansões, enquanto eles descobrem como usar menos água, descartar produtos químicos e fazer a transição para energia 100% renovável antes que seja tarde demais.
Cabe a todos nós nos engajarmos nessa luta: peça à Microsoft, ao Google e a todos os gigantes da tecnologia que usem 100% de energia renovável.
A comunidade Ekō já enfrentou as gigantes da tecnologia antes. apresentando com sucesso resoluções para os acionistas da Alphabet, a empresa controladora do Google, sobre seu comportamento com relação aos direitos humanos e obteve a maioria dos votos independentes – uma forte indicação de que os investidores estão seriamente preocupados com a empresa.
Por isso, a comunidade Ekō criou uma campanha global, em massa, para mostrar à Big Tech que todos estão exigindo que ela priorize o meio ambiente.

Apesar de ser uma grande instalação, a hidrelétrica de Itaipu pode não dar conta.
Quem consome demais?
Essa pergunta aborda o cerne do desafio da sustentabilidade no mundo moderno. Vamos focalizar, aqui, as atividades humanas que mais consomem energia e seu impacto, e depois explorar quais as mudanças necessárias.
O consumo de energia está intrinsecamente ligado ao nosso modo de vida. Os maiores “vilões” são:
1. O setor Industrial – a exemplo da siderurgia (produção de aço), metalurgia, indústria química, cimenteira, papel e celulose – são os maiores consumidores de energia, frequentemente usando combustíveis fósseis (carvão, gás) diretamente, em processos de alto calor, liberando grandes quantidades de CO₂ e outros poluentes.
2. O setor Residencial e Comercial (Edifícios) também é vilão, por utilizar eletrodomésticos para promover o aquecimento e o ar condicionado, aquecimento de água, iluminação, eletrodomésticos (especialmente geladeiras e freezers) e equipamentos eletrônicos, em modo standby. A demanda constante por conforto térmico e funcionalidade consome uma fatia enorme da energia global, especialmente em países com climas extremos.
3. O setor de Transportes – veículos individuais movidos a gasolina/diesel, aviação e transporte marítimo de carga – é quase totalmente dependente de derivados de petróleo, uma das maiores fontes de emissões de gases de efeito estufa e poluição do ar nas cidades.
4. O setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) é outro vilão, como vimos acima. Data Centers (centros de dados) que armazenam e processam informações na nuvem, redes de telecomunicações, criptomoedas (especialmente as que usam mineração por Proof-of-Work, como o Bitcoin) são os que causam mais impacto: Consomem quantidades imensas de eletricidade para funcionamento e resfriamento. Um único data center pode consumir o equivalente a uma cidade de médio porte.
5. A Agricultura e o Agronegócio – a exemplo da irrigação mecanizada, produção de fertilizantes nitrogenados (um processo extremamente intensivo em energia), maquinário agrícola e processamento de alimentos são as ameaças que vivemos. São esses os principais impactos: Além do consumo direto de energia, o setor está ligado ao desmatamento, que reduz a capacidade do planeta de absorver CO₂.

Como alterar esse quadro
Mudar esse cenário requer uma combinação de ações em diferentes níveis: tecnológico, comportamental e político. Vamos listar, aqui, quais seriam as principais providências que a humanidade deve adotar:
1. A Transição para Fontes de Energia Renováveis é a mudança mais fundamental. Precisamos substituir a base do nosso sistema energético e fazer a “lição de casa”: Investir massivamente em energia solar, eólica, geotérmica e hidrelétrica de baixo impacto; desenvolver soluções de armazenamento (baterias, hidrogênio verde) para lidar com a intermitência das fontes solar e eólica; e estimular a geração distribuída, como telhados solares em residências e empresas, para reduzir perdas na transmissão.
2. É preciso, também, promover o aumento radical da eficiência energética, ou seja, fazer mais com menos, que é uma das formas mais rápidas e econômicas de reduzir o consumo. Os passos necessários são: Estabelecer e reforçar padrões de eficiência para eletrodomésticos, veículos, iluminação (usando LED) e motores industriais; fazer construções sustentáveis, incentivar e regulamentar edificações com melhor isolamento térmico, iluminação natural e ventilação passiva, reduzindo a necessidade de aquecimento e ar condicionado; e promover, com urgência, a modernização da indústria, substituindo processos e maquinários antigos por tecnologias mais eficientes, adotando a economia circular para reduzir o desperdício de energia e materiais.
3. É fundamental, também, incentivar mudanças comportamentais e de modelos de negócio. A tecnologia sozinha não basta; precisamos repensar nossos hábitos. Seguem algumas sugestões: Mobilidade urbana: Incentivar o uso de transporte público, bicicletas, caminhadas e veículos elétricos; promover o trabalho remoto, quando possível, para reduzir deslocamentos; praticar o consumo consciente, escolhendo produtos duráveis, consertar em vez de descartar; reduzir o consumo de bens desnecessários, cuja produção consome muita energia; promover a economia de compartilhamento de carros, ferramentas e outros bens para maximizar seu uso e reduzir a necessidade de produção de novos itens; e realizar mudanças na dieta e alimentação, reduzindo o consumo de carne (especialmente a vermelha), cuja produção é uma das mais intensivas em energia e recursos.
4. Políticas Públicas e Regulatórias são, também, fundamentais para a superação desse problema. O governo tem um papel crucial em orientar essa transição, que deve incluir: Precificação de carbono, taxando as emissões de CO₂ para tornar as energias poluentes financeiramente menos atraentes; criação de subsídios e incentivos, de forma a direcionar subsídios para energias renováveis, eficiência energética e pesquisa, ao mesmo tempo que reduz gradualmente os subsídios aos combustíveis fósseis; regulamentação e planejamento urbano, criando leis que exijam eficiência em novos edifícios e promover o planejamento de cidades compactas e uso misto, que reduzam a dependência do carro.
Desafio que podemos vencer
Mudar o quadro do alto consumo de energia e seu impacto ambiental é um desafio complexo, mas não intransponível. A solução não é uma única “bala de prata”, mas sim uma transição integrada e multidimensional que envolve:
· Governos criando o arcabouço legal e de incentivos corretos;
· Empresas inovando em tecnologias limpas e adotando modelos de negócio circulares; e
· Indivíduos adotando escolhas de consumo mais conscientes.
A combinação de energia limpa, eficiência máxima e mudança de hábitos é o caminho mais promissor para um futuro energético sustentável. Vamos, todos juntos, seguir esses caminhos! E cobrar dos “desatentos”.

O desmatamento é um dos grandes vilões do meio ambiente. Foto: Observatório Florestal.

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