O LUXO E A AJUDA AOS BILIONÁRIOS

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ENDINHEIRADOS CEVAM A CRIAÇÃO DE MARMOTAS

Banner publicitário promovendo escolas de tempo integral na Bahia, com imagem de uma criança sorridente usando óculos e texto em destaque sobre a iniciativa.
Manifestação em frente ao Congresso Nacional do Brasil, com faixas amarelas questionando a isenção de impostos para os super-ricos.

A tragédia da desigualdade no mundo e, especialmente, no Brasil, vem preocupando políticos (principalmente democratas de esquerda), economistas e os cidadãos participativos, como os leitores do Ângulo e Foco. A principal ‘locomotiva’ desses que não aceitam conviver em ‘duas nações no mesmo espaço territorial’ é o presidente Lula, que apregoa seu fim e vem sendo abraçado pelo Brasil e pelo mundo, por sua luta contra essa arrogante crueldade. Ontem, os humanos do Bem sofreram um duro revés, no quintal de Hugo Marmota: Na Câmara, foram derrubados 56 vetos presidenciais ao PL da Devastação, que liberou – pasmem! – a derrubada da Mata Atlântica e a necessidade de licença para desmatar e poluir os rios com a mineração. Os bilionários que apadrinham dezenas de parlamentares brasileiros estão rindo, ‘de orelha a orelha’, desse ataque a todos nós. O que podemos fazer? O Ângulo e Foco saiu em campo para saber como especialistas no tema avaliam a polêmica questão: “de quem é a culpa desse quadro que nos obriga a conviver com a dura realidade do convívio pacífico, entre muito ricos e muito pobres”? E outra grande preocupação: “o que fazer para equilibrar e tornar mais justa a relação econômica entre esses dois extremos?”.

O antropólogo Michel Alcoforado, autor do novo livro “Coisa de rico”, faz uma análise da vida dos endinheirados brasileiros. Segundo ele mesmo nos revela, na resenha da publicação, trata-se de “um mergulho preciso e mordaz no mundo dos endinheirados brasileiros. Parece que essa oportuna reflexão, devidamente embasada, caiu no gosto do público e já é o 1º mais vendido em Biografias de Ricos e Famosos. Por outro lado, registramos o crescimento de nosso grito, em terras do Tio Sam, com a eleição do novo prefeito de Nova Iorque, o progressista Zohran Mamdani. Reflita conosco.

A Besta do Apocalipse

Capitaneado pelo “rei da marmota”, o Congresso Nacional derrubou a maioria dos vetos do presidente Lula ao “PL da Devastação”, que altera as regras de licenciamento ambiental, gerando sérias preocupações sobre retrocessos ambientais no Brasil. Foram derrubados 56 dos 63 vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao projeto de lei que flexibiliza as regras de licenciamento ambiental.

Essa votação foi marcada por um forte debate entre os parlamentares e o governo, refletindo um descompasso nas agendas sociais, ambientais e de desenvolvimento do país. Interesses bilionários em jogo.

A derrubada dos vetos é vista como um retrocesso significativo para a proteção ambiental no Brasil. O projeto aprovado permite a criação de uma Licença Ambiental Especial (LAE) que facilitaria a liberação de obras em áreas sensíveis, como a Amazônia, sem a devida avaliação de impacto ambiental. Isso revolta os verdadeiros ‘humanos’ e acentua as preocupações sobre o aumento do desmatamento e a degradação de ecossistemas.

Entidades socioambientais e ambientalistas criticaram a decisão, afirmando que ela representa um enfraquecimento das salvaguardas ambientais e um aumento do risco de desmatamento. O governo, por outro lado, argumenta que as mudanças contidas na sua proposta – quase todas derrubadas – são necessárias para acelerar o licenciamento de obras e impulsionar o desenvolvimento econômico. O ‘andar de cima’, vencedor desse “round” da luta, ri de todos nós.

Mas, ainda pairam ameaças: os vetos restantes serão analisados em uma próxima sessão do Congresso, e a situação continua a gerar debates acalorados sobre o equilíbrio entre desenvolvimento e proteção ambiental no Brasil. Afinal, essas mudanças na legislação ambiental têm implicações profundas para essa política do Brasil e para o cumprimento de compromissos climáticos internacionais, especialmente após a recente COP30. Inclusive ameaça ao Acordo Bilateral com a União Europeia, recém-assinado.

Capa do livro 'Coisa de Rico' com uma imagem do autor Michel Alcoforado ao lado, apresentando o título e uma ilustração. A imagem destaca o tema do livro, que explora a vida dos endinheirados brasileiros.

O livro que desnuda um crime continuado

Michel Alcoforado é um antropólogo, podcaster, escritor e palestrante brasileiro, conhecido como Antropólogo do Luxo por conta de seu trabalho como pesquisador das elites brasileiras. Sua pesquisa sobre os super-ricos do Brasil, realizada durante quinze anos, tornou-se notória, a partir da publicação do livro best-seller “Coisa de Rico”.

Segundo ele, há um traço comum a boa parte dos endinheirados brasileiros: eles não se consideram ricos. Não existe um critério absoluto para a riqueza no Brasil e a sensação que passa é que sempre haverá alguém com mais dinheiro, mais pompa, mais patrimônio, mais próximo do topo da pirâmide. Os pobres que se danem.

Com base nessa constatação, Alcoforado faz um mergulho no mundo das elites brasileiras e destrincha tipos facilmente reconhecíveis: o casal emergente da Barra da Tijuca que vai a Miami comprar roupas de grife; a herdeira de uma família tradicional que leva uma vida longe dos holofotes na Suíça; o embaixador carioca inconformado porque “o Itamaraty não é o mesmo, desde o aumento de vagas para a carreira diplomática”.

Demonstrando sua capacidade de traduzir um vasto repertório antropológico, numa descrição analítica e cheia de humor, o autor traz para este livro sua experiência acumulada por anos, atuando como “antropólogo do luxo”. Durante a pesquisa, ficou claro que, a partir de um certo patamar, aos ricos não interessa mais o tamanho da conta bancária, mas os códigos que precisam dominar para fazer parte das mais altas rodas:

Exibir grifes espalhafatosas faz sentido para os emergentes, empenhados em ostentar a nova posição, mas é sinal de arrivismo aos olhos de um rico tradicional, que tende a optar por roupas discretas e só reconhecíveis por quem domina o mesmo repertório. O jogo de distinção está em toda a parte: na escolha dos bairros para morar, na arquitetura e na decoração das casas, nos destinos de viagem, nos estudos e na linguagem.

“Coisa de rico” examina as regras desse jogo. Com a sapiência de comunicador tarimbado, Michel Alcoforado faz um diagnóstico mordaz e preciso das contradições da elite brasileira. Recomendo.

Retrato de um homem sorridente com barba e cabelo escuro em fundo escuro, vestindo um terno e gravata.

O novo prefeito de Nova Iorque, bilionário e socialista, Zohran Mamdani.

Bilionário quer acabar com bilionários

O político progressista Zohran Mamdani, que derrotou o ex-Governador Andrew Cuomo nas primárias Democratas para a autarquia de Nova Iorque, acha que os bilionários não deviam existir. O socialista progressista pró-palestina Zohran Mamdani é um surpreendente democrata, bilionário, e foi eleito a presidente da Câmara da cidade que tem mais bilionários do mundo. Acredite: ele considera que não devia haver bilionários.

“Não é propriamente um apelo à morte de todos os bilionários, à moda dos slogans dos partidos de extrema-esquerda; apenas não deveria haver condições que permitissem que os ricos se tornassem muito… muito ricos”, diz Mamdani.

“Acho que não deveríamos ter bilionários porque, francamente, é demasiado dinheiro num momento de tanta desigualdade”, disse à NBC News o novo prefeito, de 33 anos, que há dias lançou um terremoto político em Nova Iorque, ao derrotar o antigo governador Andrew Cuomo, nas primárias para a presidência da Câmara de Nova Iorque:

“O que precisamos mais é de igualdade na nossa cidade, no nosso estado e no nosso país, e espero trabalhar com todos, incluindo bilionários, para fazer uma cidade mais justa para todos eles”, acrescentou. Segundo o Censo de Bilionários 2024, da Altrata, Nova Iorque tem o maior número de bilionários do mundo. Os seus 123 bilionários têm um património líquido combinado de R$4 trilhões, segundo apurou a revista Forbes, em abril.

A rede de televisão norte-americana NBC pediu a Mamdani que comentasse a afirmação do presidente Donald Trump, que o classificou como “lunático comunista”. Sua resposta: “Estou lutando pelas mesmas pessoas trabalhadoras a quem ele apelou na campanha, e que desde então traiu”, disse, acrescentando: “Sou um socialista democrático”.

Em seguida, Mamdani citou palavras de Martin Luther King Jr., em 1961, quando disse: “Chamem de democracia, ou chamem de socialismo democrático, mas tem que haver uma melhor distribuição da riqueza neste país para todos os filhos de Deus.” Lá, como aqui.

“Enquanto a desigualdade de rendimentos diminuiu, a nível nacional, ela aumentou na cidade de Nova Iorque e, em última análise, o que precisamos é de uma cidade onde cada pessoa possa prosperar”, arrematou Mamdani.

Esquerda norte-americana adere

Outros destacados políticos da ala esquerda do Partido Democrata consideram também que não devia haver bilionários – como é o caso de Bernie Sanders e de Alexandria Ocasio-Cortez, que apoiaram Mamdani nas primárias. AOC, como é conhecida a congressista norte-americana, considera que um sistema que permite que haja bilionários, enquanto muitos americanos continuam a viver na pobreza, “está errado”. E questiona:

“Estamos confortáveis com uma sociedade onde alguém pode ter um heliporto pessoal, enquanto esta cidade está vivendo os níveis mais altos de pobreza e desabrigo, desde a Grande Depressão?”

Observadores afirmam existirem alguns bilionários que querem pagar mais impostos. É o caso de George Soros, um dos 18 bilionários que, em 2019, assinaram uma carta aberta aos candidatos presidenciais, em apoio a um imposto moderado sobre os 1% mais ricos:

“Nós, que somos 1/10 dos 1% mais ricos devíamos ter orgulho em pagar um pouco mais da nossa fortuna para o futuro da América”, dizia numa carta. Um belo exemplo para ajudar a amolecer os duros corações da maioria dos cegos materialistas, inclusive daqui do Brasil.

Cenas urbanas mostrando dois homens em situação de rua, um deitado no chão e outro sentado, em uma tranquila rua de uma grande cidade, cercados por prédios altos e modernos.

Imagem: I.A.

Jogo de interesses $

É fato que a ideia de taxar os mais ricos não tem o interesse da insensível fatia lá de cima – que, aliás, tem centenas de defensores apaniguados como estamos vendo. Esses consideram – insensivelmente e lambendo os beiços – que aumentar impostos pode desacelerar o crescimento econômico, o que acaba por prejudicar quem está em situação de pobreza.

Mas é fato, também, que – graças a Deus! – temos um governante que veio da pobreza e trabalha, incansavelmente, pela causa de acabar com tanta desigualdade. Criou dezenas de programas sociais que já começaram a mudar o Brasil. Nem precisa citá-los aqui. O pior cego é o que não quer ver isso. Nessa linha que está aumentando alguns impostos dos mais ricos.

A batalha, porém, é muito árdua e não pode ser apenas uma tarefa dos governos, com suas limitações financeiras. Ainda mais num Estado que possui um Poder Legislativo hiper-contaminado de argentaristas, corrompidos e insensíveis, ditos seres humanos. Amigos e consorciados de apenas 54 bilionários (ressalvados os raros não-insensíveis); sem contar os bilionários clandestinos (e travestidos de honestos) que a Polícia Federal está localizando e prendendo, amigos dos Inimigos do Povo.

Não podemos – nós, o povo – nos descuidar disso. Ou, melhor, vamos cuidar disso! 2026 está ali.

Fontes: ZAPaeiou, Wikipedia, revista Fórum, Jornal GGN, EBC e outros jornais brasileiros

One response to “O LUXO E A AJUDA AOS BILIONÁRIOS”

  1. Avatar de heroic0573c510b4
    heroic0573c510b4

    Se os bilionários soubessem…

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