ENQUANTO AVANÇAM OPERAÇÕES POLICIAIS


Michelle, Flávio e Ciro, principais atores. Foto: Montagem.
Os maiores adversários do Governo Lula, hoje, são os bandidos que estão deixando de ser ocultos e são escancarados pelas sucessivas operações da Polícia Federal. Nesse contexto, o maior problema para Lula governar se acentuou com a ‘revolta’ dos líderes do Poder Legislativo – Hugo Marmota e Rei Davi -, super-preocupados com o aparecimento de dezenas de parlamentares em investigações federais, ameaçados de prisão e cassação, por seu envolvimento umbilical com o crime organizado. Até um mês atrás, o principal adversário do Governo Lula era o ‘bolsonarismo’ que, agora, definha e perde forças para a eleição do ano que vem. Os leitores estão acompanhando, ávidos, o panorama policial, através do noticiário que sai, diariamente, na imprensa. O Ângulo e Foco traz, hoje, a debacle do Bolsonarismo, reunindo informações que estão saindo na imprensa mundial sobre a descoordenação dessa facção política e seus efeitos no panorama político. De olho em 2026.
Financial Times diz que ‘bolsonarismo está em crise’ e que lobby de Eduardo nos EUA falhou. A mídia inglesa publicou, nesta segunda-feira (1º), um texto no qual afirma que o bolsonarismo está em crise, enquanto o lobby, organizado por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, falhou.
Conforme publicado pelo jornal, o ex-presidente Jair Bolsonaro sofre com erros cometidos pelos filhos, como as ações organizadas por Eduardo nos EUA, que teve o tarifaço como resultado e “irritaram a classe empresarial brasileira”.
“As tarifas de 50% impostas por Washington a produtos brasileiros não conseguiram levar o Supremo Tribunal Federal a arquivar o caso, enquanto Donald Trump suspendeu algumas delas neste mês, devido a preocupações com o aumento dos preços dos alimentos.”
A publicação classificou a ida de Eduardo para os Estados Unidos como um “exílio autoimposto” e que, agora, o deputado federal teme enfrentar a Justiça, ao retornar ao Brasil.
PL discute fala polêmica de Michelle Bolsonaro contra Ciro Gomes
Os jornalistas ingleses também destacaram o abatimento de Jair, nas últimas semanas, em uma postura que contrasta com os antigos atos públicos do ex-presidente, quando “conseguia atrair multidões enormes para ouvir seus discursos inflamados e incutia medo nas instituições que o contrariavam”.
A reportagem também cita o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), como a principal concorrente com chance de vencer a corrida presidencial diante de Luiz Inácio Lula da Silva: “Tarcísio é o único candidato da direita capaz de enfrentar Lula” – disse o analista político Thomas Traumann, ao Financial Times. “Contra todos os outros, Lula é o favorito indiscutível. Se a eleição fosse daqui a dois meses, Lula venceria. Mas ainda falta quase um ano.”

O ex-presidente Jair Bolsonaro durante visita a hospital em Brasília (DF) – Sputnik Brasil. Foto / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Ag. Brasil
Crise no PL: disputa da família Bolsonaro e racha interno
Explodiram no noticiário as crises internas no PL, após a prisão de Jair Bolsonaro, expondo disputas entre Michelle, seus filhos e a cúpula partidária. Tudo começou com um impasse sobre apoio a Ciro Gomes no Ceará, que trouxe a público a luta por palanques e candidaturas ao Senado, ampliando tensões em vários estados, com foco na eleição de 2026.
O apoio do PL a Ciro Gomes (recém-filiado ao PSDB), no Ceará, segundo a Folha de S. Paulo, desencadeou uma crise interna no partido e expôs disputas de poder entre a família Bolsonaro e a cúpula partidária. A prisão de Jair Bolsonaro deixou o partido sem uma liderança coesa, acentuou os atritos e abriu espaço para disputas entre Michelle Bolsonaro, seus filhos e a parcela ligada ao Centrão.
A fim de conter os conflitos, o Partido Liberal (PL) realizou uma reunião de emergência e decidiu suspender o apoio a Ciro Gomes, além de revisar acordos firmados pelo ex-presidente em outros estados. O objetivo é evitar novos embates públicos como o protagonizado por Michelle e os filhos de Bolsonaro, que se tornaram visíveis, após críticas à aproximação com Ciro, adversário histórico do ex-presidente.
Flávio Bolsonaro reagiu às críticas da madrasta, acusando-a de autoritarismo, mas depois pediu desculpas e defendeu a união do grupo. A disputa tem como pano de fundo a eleição para o Senado, pelo Ceará, onde Michelle apoia a candidatura de Priscila Costa, enquanto a direção local prefere Alcides Fernandes, revelando divergências sobre os palanques de 2026.
As candidaturas ao Senado são estratégicas para o PL, que busca maioria na Casa para enfrentar o Supremo Tribunal Federal (STF). Embates semelhantes ocorrem em outros estados, como Santa Catarina, onde Carlos Bolsonaro foi indicado para disputar o Senado, gerando conflito com Caroline de Toni e resistência de lideranças locais.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reza. Foto: Sputnik Brasil
Em Pernambuco, o ex-ministro Gilson Machado foi escolhido por Bolsonaro, mas a prisão do ex-presidente fragilizou sua posição. Anderson Ferreira também disputa a vaga, e Gilson já admite migrar para outro partido, como o Novo, caso não tenha apoio interno. Assim, a unidade para enfrentar a força do Partido dos Trabalhadores (PT) no estado torna-se uma exigência.
Flávio Bolsonaro pretende buscar a reeleição, no Rio de Janeiro, enquanto a segunda vaga é disputada pelo atual governador Cláudio Castro e Carlos Portinho. A popularidade do governador – que, paradoxalmente, cresceu após a megaoperação policial -, enfrenta julgamento no TSE que pode resultar em sua cassação, mantendo aberta a disputa.
No Distrito Federal, existe uma articulação para que a deputada Bia Kicis componha chapa com Michelle Bolsonaro, movimento que isolaria o governador Ibaneis Rocha. O cientista político Adriano Oliveira afirmou à Folha de SP, que as divergências internas do bolsonarismo tendem a se prolongar, enquanto Jair Bolsonaro permanecer preso, criando um vazio de liderança e uma disputa pelo espólio eleitoral.
Dez dias depois da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na superintendência da PF (Polícia Federal), o clã formado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e seus enteados já enfrentam obstáculos nas tratativas políticas.
Com a prisão do Bozo, os filhos – o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) – e sua esposa mostram os primeiros sinais de embate, perante a ausência de uma liderança da facção política. A CNN Brasil mostrou que a saída do ex-presidente do cenário eleitoral deve levar a uma crescente disputa, entre aqueles que se arvoram a seus herdeiros políticos.
O racha no clã
A origem da crise se deu quando o diretório do PL no Ceará decidiu declarar apoio a uma eventual candidatura de Ciro Gomes (PSDB) à presidência, ano que vem. Isso porque, ao deixar o PDT, Ciro oficializou sua ida ao PSDB em outubro passado e, no evento de filiação, além das lideranças tucanas, estavam presentes representantes de partidos de oposição ao atual governador, Elmano de Freitas (PT). O deputado André Fernandes (PL-CE), que é presidente do PL no estado, marcou presença. Ele declarou que o próprio Bolsonaro havia dado o aval para o partido se aliar a Ciro:
“O próprio presidente Bolsonaro pediu para a gente ligar para o Ciro Gomes no viva-voz. Então, ficou acertado que nós o apoiaríamos” – revelou. Segundo o deputado, o objetivo é “derrotar o PT” no Ceará. Ele afirmou, ainda, que “a legenda precisa de um candidato forte em todos os estados para apoiar Bolsonaro ou o seu sucessor na disputa pela Presidência”.
Vamos relembrar que a aproximação de Ciro com o PL não é recente. No ano passado, o ex-governador já havia marcado presença em eventos, ao lado de políticos do partido, o que contrastou com as suas posições, ao longo da campanha presidencial de 2022.
Críticas de Michelle
O apoio, no entanto, não agradou a todos os aliados de Bolsonaro. Domingo (30), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou a postura do partido ao apoiar Ciro. No evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo), ao cargo de governador do Ceará, Michelle disse que houve uma “precipitação” no apoio a Ciro, ao critica o deputado André Fernandes, responsável pela articulação:
“Adoro o André Fernandes. Passei em todos os estados, falando sobre o orgulho que tenho dele, do Nikolas Ferreira, do Carmelo Neto, deputado estadual e da esposa dele que foi eleita. Tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com um homem que é contra o maior líder da direita? Isso não dá!” – declarou Michelle, que também é presidente do PL Mulher.
Essa declaração mencionou, indiretamente, os diversos ataques feitos por Ciro a Jair Bolsonaro nos últimos anos. Diversas vezes, Ciro criticou o então presidente, chamando-o de “ladrão da rachadinha”, se referindo às investigações contra Carlos e Flávio Bolsonaro pelo envolvimento no esquema. O novo tucano também já fez diversas cobranças ao ex-presidente, por sua gestão na pandemia, que deixou mais de 700 mil mortos no Brasil.
Atrito entre Michelle e filhos de Bolsonaro
A crise atingiu culminou com um embate, entre Michelle e os filhos do marido. As declarações da ex-primeira-dama não agradaram os enteados, que se posicionaram publicamente contra ela.
Em entrevista ao portal Metrópoles, o primeiro a criticar a madrasta foi o senador Flávio Bolsonaro. Disse que Michelle “atropelou” Bolsonaro e explicou: “A forma com que ela se dirigiu a André Fernandes, que talvez seja nossa maior liderança local, foi autoritária e constrangedora”.
Logo depois, a fala do irmão mais velho foi endossada pelos demais nas redes sociais: Eduardo, que está nos Estados Unidos, desde o início do ano, conspirando contra o Brasil, disse que o episódio foi “injusto” e “desrespeitoso” e destacou que a decisão de apoiar Ciro tinha sido uma “posição definida” pelo pai.
Sem citar o nome da madrasta, o terceiro filho, Carlos, também comentou o episódio e falou sobre “respeito à liderança de Bolsonaro, sem deixar se levar por outras forças”.
Ontem, de madrugada, Michelle publicou uma nota, pedindo perdão aos enteados e dizendo que não era sua intenção gerar contrariedades. Na nota, porém, a ex-primeira-dama continuou criticando o apoio a Ciro Gomes: “Como ficar feliz com o apoio à candidatura de um homem que xinga o meu marido, o tempo todo, de ladrão de galinha, de frouxo e tantos outros xingamentos?”. Disse que respeita a opinião dos enteados, mas insistiu que pensa diferente e tem o direito de pensar dessa forma.
Depois que a nota foi divulgada, o senador Flávio Bolsonaro afirmou à CNN Brasil que o desacordo com a madrasta havia se resolvido: “Eu conversei longamente com a Michelle ontem. Nós nos resolvemos e expliquei a ela que não havia nenhuma decisão tomada sobre palanques, nem no Ceará nem em nenhum outro estado”, declarou.
Como filho mais velho de Bolsonaro, disse ainda que analisará os cenários em todos os estados com a participação de Michelle. Porém, segundo ele, a decisão final partirá do pai, mesmo estando preso.
Estratégia do PL
Embora, de acordo com Flávio, ele e Michelle tenham se resolvido, o PL realizou uma reunião de emergência, ontem (2), para acalmar os ânimos. Aí, ficou claro que a declaração da ex-primeira-dama não causou mal-estar apenas entre com os enteados, mas com a cúpula nacional do partido, que havia aprovado o apoio a Ciro.
A CNN Brasil apurou que a avaliação de integrantes do comando da sigla é de que a esposa de Bolsonaro acabou com qualquer chance que ela tinha de compor uma chapa para a disputa presidencial em 2026.
Vários membros do partido têm defendido que Michelle seja “enquadrada” e que fique fora dos assuntos eleitorais. Além disso, o PL empoderou Flávio Bolsonaro como o principal interlocutor do pai.
Segjndo fontes, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, pretende alertar Michelle de que manifestações sobre eleições e decisões do partido devem, necessariamente, passar por ele e por Flávio.
Em breve, cenas dos próximos capítulos dessa ‘novela’ burlesca.

Sem motivos para sorrir. Foto: Luiz Nova.
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Fontes: Sputnik, Financial Times, CNNBrasil, Metrópoles e redes sociais.


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