PRIMEIRO HOSPITAL DE TRANSIÇÃO DO SUS, DISTRIBUIÇÃO DE VACINAS PARA O PULMÃO E MUTIRÃO DE REGULAÇÃO


Trabalho de reabilitação, no novo hospital. Foto: Ascom/Fesf-SUS
Nos últimos oito dias, o Governo estadual anunciou três realizações impactantes para aprimorar o atendimento de Saúde na Bahia. Foi anunciado um pacote de investimentos superior a R$ 2,5 bilhões para ampliar o combate ao câncer, fortalecer a rede de média e alta complexidade, ampliar leitos e investir na produção de medicamentos. Dia 27 de novembro, houve a inauguração do primeiro hospital de transição do SUS, em Lauro de Freitas. Sábado passado (29), durante mutirão, foram feitas as regulações de 1.423 pacientes em 24 horas, na Central Estadual de Regulação, em Salvador. E terça-feira passada, a rede recebeu mais de 44 mil doses da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). Sem trocadilho, o Ângulo e Foco ‘saúda’ essas medidas.
Juntas, essas notícias mostram como o governo estadual está atuando em três pilares complementares: ampliação do acesso de pacientes, tratamento especializado e prevenção de doenças.
O novo Hospital Estadual Costa dos Coqueiros
Reabilitar e devolver autonomia. Com esse objetivo, o Hospital Estadual Costa dos Coqueiros (HECC), unidade da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), gerida pela Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS), em Lauro de Freitas, vem transformando a vida dos pacientes encaminhados à instituição.
Logo na admissão, cada paciente passa por uma avaliação detalhada, conduzida por equipe multiprofissional. A coordenadora de Fisioterapia, Camila Nossa, explica que muitos chegam à unidade com limitações, após meses ou anos de internação: “O paciente chega até nós com um nível de dependência funcional muito grande e, a partir dessa condição, montamos um plano terapêutico individualizado. Aqui, o tratamento é feito exatamente conforme a necessidade de cada um”, destaca.
Embora o tratamento seja individualizado, as condutas multiprofissionais também podem ocorrer em grupo. As atividades coletivas contribuem para a socialização, o bem-estar e a recuperação progressiva dos pacientes. O HECC dispõe de ambientes adaptados e áreas externas com acesso à natureza.
Para a psicóloga Marília Pena, a infraestrutura do hospital faz parte do processo de cura: “O hospital surpreende pela estrutura física. As enfermarias têm apenas dois leitos, o que é ótimo para a privacidade e acolhimento. Além disso, o ambiente externo é muito prazeroso. A clínica ampliada permite que o paciente circule e tome sol. Isso é essencial para a recuperação, um diferencial incrível”, afirma.
Entre os primeiros pacientes acolhidos está Deraldo Santos, de 66 anos. O motorista aposentado conta que apresenta sintomas de imobilidade desde 2020, após ser picado por uma cobra. Nesses cinco anos, ele passou por diversas unidades de saúde, em busca de um tratamento especializado para o seu caso.
Poucos dias após chegar ao HECC, no entanto, o paciente já percebe os primeiros avanços: “Já estou fazendo fisioterapia e tenho acompanhamento da enfermagem, médicos, serviço social e psicólogos. Senti melhora nos dedos, que estavam atrofiados. O formigamento está diminuindo aos poucos. Tenho esperança de sair daqui recuperado, com a ajuda dessa equipe”, relata, emocionado. “Agradeço a Deus e a todos por esta oportunidade. Tenho certeza de que vou sair daqui andando”.
Com um contrato mensal de R$ 3,4 milhões, o Hospital Estadual Costa dos Coqueiros é o primeiro hospital de transição e longa permanência do país, dedicado integralmente ao SUS. A unidade possui 90 leitos, sendo 60 dedicados à reabilitação clínica e 30 voltados ao cuidado de condições crônicas complexas, como a osteomielite. Os atendimentos acontecem via regulação.

Vacinas grátis salvam recém-nascidos. Foto: João Risi
Mais de 44 mil doses da vacina contra o vírus sincicial
Dentro do cronograma de distribuição nacional do Ministério da Saúde, a Bahia recebeu um total de 44.525 doses da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). Ofertado gratuitamente, pela primeira vez, pelo SUS, o imunizante é destinado a gestantes, a partir da 28ª semana, e tem como objetivo reduzir casos de bronquiolite em recém-nascidos.
O primeiro lote, enviado pelo Ministério da Saúde, que totaliza 673 mil doses, contemplará todos os estados e o Distrito Federal. Com a chegada dos imunizantes, estados e municípios poderão iniciar imediatamente a vacinação nos postos de saúde.
“Esse é mais um passo decisivo para proteger gestantes e recém-nascidos de uma das infecções respiratórias mais graves do período neonatal. A chegada dessa vacina é uma novidade e reforça o compromisso do SUS com a prevenção e com o cuidado integral das famílias brasileiras”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
“A proteção das gestantes e dos nossos bebês é construída a muitas mãos. A parceria com o Ministério da Saúde e a mobilização dos municípios baianos permite que essa vacina chegue com rapidez e alcance todas as famílias. O Governo do Estado segue trabalhando de forma conjunta e comprometida para ampliar o acesso, fortalecer a prevenção e garantir que nenhuma gestante fique sem essa importante proteção”, destacou a secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana.
A oferta da vacina no SUS, que na rede privada pode custar até R$ 1,5 mil, foi viabilizada por meio de acordo entre o Instituto Butantan e o laboratório produtor, que assegurou a transferência de tecnologia ao Brasil. Com isso, o país passará a fabricar o imunizante, ampliando a autonomia e o acesso da população a essa proteção.
Importância da vacinação
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia, em crianças menores de dois anos, no país. A vacina oferece proteção imediata aos recém-nascidos, reduzindo hospitalizações.
Até 22 de novembro passado, o Brasil registrou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), causados por VSR. Desses casos, a maior concentração de hospitalizações ocorreu em crianças com menos de dois anos de idade, totalizando mais de 35,5 mil ocorrências, o que representa 82,5% do total de casos de SRAG por VSR no período.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, foram registrados na Bahia, este ano, 2.269 casos de SRAG, provocados por VSR. Destes, 1.870 ocorreram entre crianças menores de dois anos, o que representa 82,42% dos casos.
O grupo prioritário para receber a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório são todas as gestantes, a partir de quatro meses de gravidez. Não há restrição de idade para a mãe. A recomendação é tomar dose única a cada nova gestação.

Superados os atrasos na Regulação.Foto: Pablo Barbosa/Ascom Sesab
Mutirão tem 1.423 pacientes regulados em 24 horas
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia registrou, sábado (29), a regulação de 1.423 pacientes, em 24 horas, na Central Estadual de Regulação, em Salvador, durante mutirão voltado à transferência para hospitais gerais e especializados, com prioridade para cirurgias e leitos de UTI. A ação mobilizou diretores de grandes unidades da capital e do interior, além de médicos reguladores, enfermeiros e equipes administrativas.
“Há três anos, a média diária de solicitações na tela da regulação era de aproximadamente 700 casos. Por exemplo, na sexta-feira (28), foram 1.200 solicitações, com forte presença de casos ortopédicos e vasculares. O mutirão é uma resposta concreta para reduzir o tempo de espera e garantir acesso mais rápido aos serviços de maior complexidade” afirma a secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana.
Para enfrentar o aumento da demanda, o governo Jerônimo Rodrigues vem ampliando a rede assistencial. Já foram abertos 12 novos hospitais, com a incorporação de mais de 3.500 leitos, e oito novas unidades estão sendo construídas, em regiões como Paulo Afonso, Alagoinhas, Jacobina, Valença e Serrinha. Nesta semana, além da inauguração do Hospital Estadual Costa dos Coqueiros, em Lauro de Freitas, foi autorizada a obra de ampliação do Hospital Geral de Vitória da Conquista, que prevê 40 novos leitos de UTI.
A secretária destaca que a estratégia combina expansão da média e alta complexidade e apoio à atenção primária nos municípios, para evitar o agravamento de doenças crônicas e a necessidade de UTI ou cirurgia. Em 2025, a Central Estadual de Regulação já solucionou mais de 297 mil pedidos, dos quais 50% em até 24 horas e 80% em até 72 horas. “Os números mostram avanço, mesmo com essa demanda crescente. O mutirão reforça esse esforço, ao concentrar energia nos casos que aguardam cirurgias e UTIs”, conclui Roberta Santana.
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Fonte: Ascom/Sesab


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