SOBRE PROJETOS E INVESTIMENTOS PARA JOVENS


Mariah Rafaela Silva, representante do Banco Mundial, com parte do grupo. Foto:AscomGOVBA
Num cenário social, econômico e político como o que o Brasil está atravessando, cada vez mais é fundamental o engajamento da juventude no contexto social ativo. Há quase 10 anos, o governo estadual vem trabalhando com essa faixa etária, nos diversos territórios, como o Semiárido, através do projeto Jovens Comunicadores, desenvolvido através da CAR, com ótimos resultados. A Bahia está no caminho certo. Leia, abaixo, o registro de uma reunião, realizada ontem, entre o Banco Mundial e representantes de vários segmentos da juventude, no estado.
Em um encontro marcado pelo diálogo aberto e pelo reconhecimento da força da juventude nos territórios, representantes da Cojuve/BA (Coordenação de Políticas para a Juventude da Bahia) participaram terça-feira, em Salvador, de uma roda de conversa com integrantes do Banco Mundial.
A reunião teve como objetivo principal trocar experiências, apresentar iniciativas já desenvolvidas em diferentes grupos e comunidades, além de discutir possibilidades de construção conjunta de projetos voltados para jovens baianos. O encontro foi no Centro Histórico de Salvador.
Segundo Mariah Rafaela Silva, representante do Banco Mundial – consultora de Desenvolvimento Social para Inclusão de Orientação Sexual e Identidade de Gênero -, está sendo realizado um mapeamento de coletivos, lideranças e organizações juvenis que já atuam de forma direta ou indireta no desenvolvimento social. O objetivo é identificar iniciativas que fazem diferença nos territórios e que podem receber apoio e investimento para ampliar seu impacto.
Durante o encontro, cada grupo presente apresentou suas ações, desafios e resultados, fortalecendo um cenário diverso e representativo das juventudes da Bahia – incluindo jovens de comunidades rurais, quilombolas, indígenas, urbanos e periféricos. A partir dessas trocas, iniciou-se a construção de uma proposta de projeto coletivo, que represente tanto os interesses dos jovens quanto as diretrizes da instituição internacional.

Noésio de Jesus argumentou sobre remuneração.
O retorno esperado
Noésio Santos de Jesus, jovem comunicador de Juazeiro, comentou que a juventude não vem sendo remunerada como devia: “Isso é muito importante, até porque a gente precisa garantir que os jovens lutem por seu espaço. E, muitas das vezes, a gente vê essa falta de interesse dos jovens, até por causa disso. Eu vou sair de casa, vou investir meu tempo, mas na hora de ser remunerado, eu não estou sendo remunerado.
“Acho que a gente precisa trabalhar também nesse aspecto: a gente precisa se qualificar porque precisamos entender que a sociedade está passando por um momento que exige uma qualificação constante da juventude. Mas, a gente precisa, também, compreender que, para que haja essa qualificação, a remuneração ela está faltando para a juventude.”
O projeto Jovens Comunicadores do semiárido baiano – desenvolvido pela CAR com apoio do Banco Mundial – teve resultados significativos, com todas as metas alcançadas. Entre os principais resultados, 385 jovens foram capacitados e fortalecidos no semiárido, com 82% participando de espaços de atuação política e acesso a direitos, e 56% permanecendo na comunidade rural. Além disso, 48% dos jovens passaram a desenvolver ações comunitárias, superando a meta inicial.

Mariah, a represenante do Banco Mundial.
Pautas prioritárias discutidas no diálogo
Ao longo da conversa, surgiram temas considerados fundamentais para qualquer iniciativa voltada às juventudes. Entre os principais pontos levantados, destacam-se:
> Ampliação do acesso a editais para juventude, com especial atenção para processos que não exijam obrigatoriamente CNPJ;
> Letramento e educação midiática, entendidos como ferramentas essenciais para participação cidadã e proteção contra desinformação;
> Estudo aprofundado dos contextos locais onde o Banco Mundial pretende atuar, respeitando especificidades culturais, sociais e econômicas;
> Saúde mental dos jovens, apontada como uma preocupação urgente e transversal;
> Acesso à informação sem burocratização, garantindo que oportunidades cheguem efetivamente a quem precisa;
> Construção de projetos com a participação direta da juventude, assegurando protagonismo real e não apenas consultivo; e
> Geração de renda para jovens, incluindo iniciativas de empreendedorismo, economia criativa e fortalecimento das atividades produtivas nos territórios.
Outros temas também foram mencionados, à medida em que o diálogo avançava, revelando a pluralidade de demandas e as expectativas das juventudes presentes.
Juventude como protagonista
Ao final do encontro, ficou evidente a convergência entre a perspectiva da Cojuve/BA – que faz parte da Serin, Secretaria de Relações Institucionais do Estado da Bahia – e o posicionamento do Banco Mundial: não há projeto para juventude sem a participação direta dos jovens. A instituição reforçou o interesse em construir políticas e ações que tenham base territorial e sejam cocriadas com quem vive os desafios cotidianos.

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