A SENSIBILIDADADE EM VERSOS DA ÍNDIA E DO BRASIL

Pintura de Vijay Verma.
Um é ex-funcionário no Banco Estatal da Índia, aposentado, que ama cultura e escreve poesias: Vijay Kumar Verma; o outro, um dos poetas mais significativos da atualidade brasileira, Adão Valente, um verdadeiro estudioso da nossa cultura, em parte importante adquirida através da escravidão. Nesta Poesia Dominical, saberemos quem são nossos personagens de hoje e conheceremos algumas poesias que os definem.
Vijay Verma
Ele mesmo se define: Eu sou Vijay Kumar Verma, residindo em Calcutá, a cidade da alegria. Era banqueiro desde dezembro de 1985 e me aposentei em abril de 2017 do State Bank of India. Depois de servir ao Banco por 32 anos como oficial que ocupa diferentes atribuições de tempos em tempos, agora estou atualmente desfrutando da vida de aposentado.
Gostaria de cumprir o dever de serviço social através desta plataforma, divulgando-me abordando problemas relacionados com a saúde e os seus remédios. Também tento entreter meus seguidores por meio de informações verificadas e motivá-los a desfrutar de um estilo de vida melhor e de qualidade. É meu esforço manter um post amigável e o mais informativo que puder.
Estou disposto a me conectar com meus amigos e seguidores, por meio de minhas histórias e desenhos, a partir da minha paixão de escrever e fazer esboços. E gostaria de criar um círculo de confiança e alegria de amigos, e compartilhar contos do passado.
Este é um poema inspirador sobre resiliência e coragem na busca de sonhos. Celebra o espírito humano que não desiste, encontrando força nas lutas e superando a escuridão. Cada linha visa inspirar ação, motivar a esperança e nos lembrar de que temos o poder de nos erguer e reivindicar nossa luz, apesar dos obstáculos.

Foto: Site Retired.
POEMA DE VIJAY VERMA
Siga a Luz
Passo a passo, a estrada ganha vida.
Em meio à tempestade e ao sol, lutamos, perseveramos.
Montanhas altas e rios largos,
No entanto, seguimos em frente com passos destemidos.
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Vento nos cabelos, fogo no peito,
Cada desafio nos põe à prova.
As sombras chegam, mas os corações se inflamam.
Transformando a hora mais escura em luz.
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Os sonhos alçam voo em asas de chamas.
Nada volta a ser como antes.
Através da perda, da alegria, de cada luta,
Nós nos levantamos, nós rugimos, nós perseguimos a luz.
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Olhos voltados para o futuro, o passado para trás.
A coragem nasce em cada mente.
A vida é uma dança, um voo ousado –
Erga suas asas, reivindique a luz.
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Foto: Literafro
Adão Ventura
Adão Ventura Ferreira dos Reis nasceu em Santo Antônio do Itambé, antigo distrito do Serro/MG, vale do Jequitinhonha, em 5 de julho de 1939. Neto de escravos e trabalhadores de fazenda e de mina, Adão viveu nessa cidade até o início de sua juventude, o que marcou profundamente sua vida e obra. Em seguida, residiu na cidade vizinha do Serro, onde se inicia na literatura, lendo tudo o que lhe caísse nas mãos. Mais tarde, transferiu-se para Belo Horizonte, para onde trouxe, mais tarde, sua família.
Enquanto estudante, trabalhou como revisor do Suplemento Literário do Minas Gerais, órgão oficial do Governo do Estado. Criado em 1966 pelo escritor Murilo Rubião, o Suplemento fez história na cena cultural mineira e abrigou a estreia de muitos autores, inclusive Adão, que, ao lado de Luiz Vilela, Ivan Ângelo, Libério Neves, Sérgio Sant’Ana e Jaime Prado Gouvêa, integraria a chamada “Geração Suplemento”.
Adão Ventura publicou seu primeiro livro – “Abrir-se um abutre ou mesmo depois de deduzir dele o azul” – em 1970. A obra obteve boa repercussão no meio literário por se tratar de um poema em prosa, marcado pelo fantástico, o que levou muitos críticos a aproximá-lo da herança surrealista.
Em 1971, o autor se diplomou em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. Neste mesmo ano, recebeu o “Prêmio Revista Literária da UFMG”, com os poemas “Móveis a) A cama”; no ano de 1972 conquistou o Prêmio Cidade de Belo Horizonte; e, em 1991, o “Prêmio Fundação Cultural do Distrito Federal”, entre outros.
Em 1973, foi convidado a lecionar Literatura Brasileira Contemporânea, na University of New México, nos Estados Unidos. Nesse mesmo ano, participou do Congresso de Escritores Internacionais (International Writing Program), promovido pelo Departamento de Letras da University of Iowa. Este período nos Estados Unidos deu ao poeta contato não apenas com a riquíssima cultura afro-americana – com destaque para o jazz, o blues, a poesia e a ficção de autoria negra, entre outras manifestações –, mas também com a luta pelos direitos civis dos negros estadunidenses.
Tais experiências, como o próprio poeta revelou à época, foram fundamentais para o amadurecimento da sua escrita e como ser humano, o que culminaria na outra fase de sua poesia, com a assunção da afrodescendência. Adão Ventura publicou oito livros de poesia, dentre eles o de maior destaque é “A cor da pele”, de 1980, por se tratar de escritos que têm como tema as experiências e visões de mundo do homem negro brasileiro. Um dos seus poemas – “Negro Forro” – foi selecionado por Ítalo Moriconi para integrar a antologia “Os cem melhores poemas do século”.
Seus poemas constam de diversas antologias, tanto brasileiras quanto internacionais, sendo traduzidos para várias línguas. Em 1984, recebeu a Insígnia da Inconfidência por méritos relevantes como escritor. Na década de 90, atuou como Juiz Classista, tendo também presidido a Fundação Palmares, cuja atuação, como seu segundo presidente, contribuiu para a consolidação dos valores e da missão dessa fundação.
Adão Ventura faleceu prematuramente, aos 64 anos, no dia 12 de junho de 2004, deixando vários escritos inéditos. Seu acervo foi doado à Universidade Federal de Minas Gerais, e está alocado no Acervo de Escritores Mineiros, do Centro de Estudos Literários e Culturais, junto de outros importantes acervos de escritores mineiros.
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POEMAS ADÃO VENTURA
agora
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É hora
de amolar a foice
e cortar o pescoço do cão.
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– Não deixar que ele rosne
nos quintais
da África.
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É hora
de sair do gueto/eito
senzala
e vir para a sala
– nosso lugar é junto ao Sol.
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comensais
.
A minha pele negra
servida em fatias
em luxuosas mesas de jacarandá,
a senhores de punhos rendados
há 500 anos.
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limite
e quando a palavra
apodrece
num corredor
de sílabas ininteligíveis.
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e quando a palavra
mofa
num canto-cárcere
do cansaço diário.
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e quanto a palavra
assume o fosco
ou o incolor da hipocrisia.
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e quando a palavra
é fuga
em sua própria armadilha.
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e quando a palavra
é furada
em sua própria efígie.
.
a palavra
sem vestimenta,
nua,
desincorporada.
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Zumbi
.
Eu-Zumbi
Rei de Palmares
tenho terreiros e tambores
e danço a dança do Sol.
.
Eu-Zumbi enfrento o vento
que ainda tarda
dessas cartas de alforria.
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Eu-Zumbi jogo por terra
a caneta de ouro
de todas as Leis-Áureas.
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Eu-Zumbi
Rei de Palmares
Tenho terreiros
e tambores
e danço a dança do Sol.
—
negro forro
.
minha carta de alforria
não me deu fazendas,
nem dinheiro no banco,
nem bigodes retorcidos.
.
minha carta de alforria
costurou meus passos
aos corredores da noite
de minha pele.
—
Das biografias
.
em negro
teceram-me a pele.
enormes correntes
amarram-me ao tronco
de uma Nova África.
.
carrego comigo
a sombra de longos muros
tentando impedir
que meus pés
cheguem ao final
dos caminhos.
.
mas o meu sangue
está cada vez mais forte,
tão forte quanto as imensas pedras
que os meus avós carregaram
para edificar os palácios dos reis.
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Fontes: Literafro e Retired


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