EXPOSIÇÃO ‘TRADIÇÃO E INVENÇÃO’ NO MAB

Alegoria dos quatro continentes, do pintor negro baiano José Theófilo de Jesus.
O Museu de Arte da Bahia, MAB, está abrindo ao público uma exposição de longa permanência, trazendo ao público relíquias de pinturas, feitas pelos criadores dos afrescos que ornamentam as belíssimas igrejas barrocas de Salvador. Mulheres e negros também são alguns desses excelentes pintores. Esse grandioso trabalho pela arte e cultura da Bahia vem sendo desenvolvido pela equipe do diretor de Museu, Pola Ribeiro, que bem avalia a representatividade dessa exposição. E o Governo do Estado dá mais uma importante demonstração de que a Bahia está se desenvolvendo em todos os setores. Não dá exemplos, apenas, de operações policiais inteligentes, num contexto nacional sujo pela matança indiscriminada, em nome da segurança pública.
A exposição Tradição e Invenção apresenta ao público parte significativa da pinacoteca do MAB, cujo acervo abrange pintura, gravura, fotografia, escultura, desenho, mobiliário, porcelana, prataria, numismática, azulejaria, entre outras coleções. A mostra busca evidenciar a tradição nas artes plásticas, em especial na pintura, e o confronto em relação ao conceito de invenção, demonstrado por artífices e artistas baianos atuantes na Bahia desde o período barroco e estendendo-se ao século XX.
Pode-se considerar, também, tratar-se de indicativo de orgulho do nível técnico e expressivo alcançado, num contexto em que artistas negros libertos precisavam afirmar publicamente sua autoria para projetar-se além das limitações impostas pela escravidão recém-vivida, agregando valor ao papel social do artista na Bahia e aos sentidos da própria pintura.
“Tradição e Invenção” reúne cerca de 150 obras do acervo do MAB, além de oito obras emprestadas por instituições, como o Museu de Arte Moderna da Bahia, o Museu de Arte Contemporânea da Bahia, Sociedade Beneficente Montepio dos Artistas e artistas, como Tiago Sant’Ana e Mike San Chagas para dialogar ou contrastar, por contraponto, com a coleção do MAB. Os trabalhos percorrem diversos gêneros da pintura (alegoria, retrato, paisagem, natureza-morta, pintura de gênero, casario etc.), evidenciando a alta qualidade artística do desenvolvimento da linguagem plástica na Bahia.

Alegoria dos quatro continentes, do pintor negro baiano José Theófilo de Jesus.
A exposição busca revisitar, desenvolver um processo reflexivo e crítico das formas de como o acervo do MAB pode ser exibido e evidenciar questões presentes nas narrativas contemporâneas, em especial no que toca à representatividade étnica, destacada na exposição, por trabalhos de autoria de artistas negros, e ao papel das mulheres artistas, denotando, portanto, um esforço em evidenciar os muitos significados dessas obras.
Segundo o texto de divulgação, o MAB vem desenvolvendo um processo de reimaginação de suas coleções e práticas museais para delinear novos rumos e perspectivas de atuação, em direção a um museu mais inclusivo e relevante para um público mais amplo, no sentido de se fortalecer como um organismo operante, dinâmico e presente na vida da população.
“Tradição e invenção” tem concepção e curadoria coletiva da Comissão Curatorial do Acervo do MAB, composta por profissionais do próprio museu e por professores da UFBA e da UNEB – Escola de Belas Artes, Museologia, Arquitetura e Acessibilidade, especialistas que pesquisam o acervo, tem artigos acadêmicos publicados e trazem suas turmas para aulas nas exposições do museu.

Alegoria dos quatro continentes, obra do pintor negro baiano José Theófilo de Jesus.

O diretor do MAB, Pola Ribeiro.
Pola Ribeiro avalia exposição
Pola Ribeiro é mestre em gestão social pela Universidade Federal da Bahia, onde também se formou em Comunicação Social. Cineasta e produtor audiovisual, durante dez anos esteve na gestão pública, como diretor do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia – IRDEB e secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura. Nos últimos anos dirigiu documentários e várias séries para televisão aberta e fechada. Dirigiu o Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM e hoje dirige o Museu de Arte da Bahia – MAB.
Em declaração exclusiva para o Ângulo e Foco, ele destaca o trabalho do MAB e a importância dessa exposição: “Essa exposição é muito importante para o MAB porque é a principal coleção do Museu. É a escola baiana de pintura, é a nossa pinacoteca. São os pintores que fizeram as igrejas de Salvador, que pintaram os telhados das igrejas de Salvador e, de lá pra cá, essa é a grande formação de pintura clássica baiana.
“Neste momento, já estamos trazendo de volta, quando estamos reimaginando, com a exposição de Paulo Coqueiro, Reimaginando o MAB – que vem dando o nome do nosso Seminário. Desde o ano de construção do plano museológico, continuamos com a exposição dos 270 desenhos de Caribé, inéditos, que nunca tinham sido expostos; depois os 50 anos do acervo do Museu, mas agora a gente volta com o que se espera muito do MAB, que é a exposição de seus principais quadros, aqueles que contam a história de Salvador com uma narrativa modificada, mais contemporânea, uma narrativa que abre espaço para outros pensamentos, outros significados.
“Então, estamos muito felizes de estar abrindo a exposição Tradição e Invenção, e devolvendo a nossa cidade o que seria a nossa principal obrigação. A equipe está preparando espaços em cima para grandes exposições; em janeiro teremos Beatriz Milhares; e estamos com espaços embaixo apresentando exposições de longa duração. Essa é uma exposição que reflete, que é um espelho de como o Museu se coloca entre os museus da Bahia e do Brasil. É muito importante pra gente.”
O Museu de Arte da Bahia (MAB) é o museu mais antigo do estado, criado em 1918. Possui um acervo de artes plásticas e artes decorativas, incluindo mobiliário baiano, porcelanas orientais e europeias, cristais e ourivesaria. O museu oferece exposições, atividades culturais e um serviço educativo. Também possui uma biblioteca especializada em artes plásticas.

Alegoria dos quatro continentes, obra do pintor negro baiano José Theófilo de Jesus.
Endereço e horário de funcionamento:
End: Av. Sete de Setembro, 2340, Corredor da Vitória.
Terça a domingo – 10h às 18h
Comissão Curatorial do Acervo do MAB
MAB: Pola Ribeiro, Camila Guerreiro, Celene Souza e Isabel Gouvêa
UFBA: Alejandra Muñoz, Dilson Midlej e Joseania Freitas
UNEB: Lysie Reis e Sandra Rosa
SERVIÇO:
Exposição de longa permanência do acervo da pinacoteca: TRADIÇÃO E INVENÇÃO
Data abertura: 18 de dezembro de 2025 (quinta-feira)
Horário: 18h

ESPAÇOS DO DEPARTAMENTO DE MUSEUS DO ESTADO DA BAHIA
O Departamento de Museus do Estado da Bahia, através do IPAC, realiza diversas atividades e eventos que promovem a valorização do patrimônio cultural e a inclusão social. Entre as realizações mais destacadas estão:
Centro Cultural Solar Ferrão: Um espaço de arte, cultura e memória, que abriga a Galeria Solar Ferrão, o Museu Abelardo Rodrigues e coleções de Arte Africana, Arte Popular e Instrumentos Musicais Tradicionais.
Museu do Recôncavo Wanderley Pinho: Um museu que reúne coleções de arte e cultura da Bahia, localizado em Candeias.
Parque Histórico Castro Alves: Um parque que abriga um museu e oferece acesso a uma variedade de coleções e eventos culturais.
Museus de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA): Museus que oferecem exposições e coleções de arte moderna e contemporânea.
Museu de Arte da Bahia (MAB): Um museu que exibe obras de arte da Bahia, com um acervo que inclui pinturas, esculturas e fotografias.
Essas realizações são parte de um esforço contínuo do Governo estadual para preservar e promover a cultura e a história da Bahia, contribuindo para a inclusão social e a valorização do patrimônio cultural.
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