POESIA DOMINICAL-MARGARETH ATWOOD

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COTIDIANO, EM REFLEXÕES POLÍTICAS E SOCIAIS

Margareth Atwood. Foto: Griffin Prize

O Ângulo e Foco selecionou hoje para @s querid@s leitores  a grande escritora e poetisa Margaret Eleanor Atwood. Ela nasceu em Ottawa, Canadá, a 18 de novembro de 1939 e sua vida na literatura iniciou-se na poesia, aos 16 anos. Sua poética aborda temas que vão desde o cotidiano, em reflexões políticas e sociais, até criações fantásticas, a partir do mundo dos contos de fadas e origens da mitologia. Uma das principais escritoras da atualidade, Margareth ficou bastante conhecida em todo mundo por obras de adaptações para o cinema, como o livro “O conto de Aia”, de 1985, e que virou série em 2017, vencendo os mais importantes prêmios do gênero. Em 7 de maio deste ano, Margaret Atwood foi anunciada como a vencedora do Prêmio de Reconhecimento Vitalício de 2025, depois de receber o Prêmio Griffin por 16 anos.

Margaret Atwood é autora de mais de cinquenta livros de ficção, poesia e ensaios críticos, sendo premiada por muitos desses trabalhos. Em 2020, ela publicou “Dearly”, sua primeira coletânea de poesias em uma década. Em outubro de 2024, foi publicada “Paper Boat”, uma coleção de poemas novos e selecionados de 1961 a 2023.
Atwood ganhou inúmeros prêmios, incluindo o Prêmio Arthur C. Clarke por Imaginação a Serviço da Sociedade, o Prêmio Franz Kafka, o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, o Prêmio de Realização Vitalícia do PEN USA e o Prêmio Literário da Paz de Dayton. Em 2019, ela foi nomeada membro da Ordem dos Companheiros da Honra por serviços prestados à literatura. Ela também trabalhou como cartunista, ilustradora, libretista, dramaturga e marionetista. Mora em Toronto, Canadá.

O site “Recanto do Poeta” assim se refere a ela:

“Margaret Atwood é uma das principais escritoras contemporâneas… Sua obra é uma combinação de poesia e narrativa, refletindo a complexidade da vida e a luta por direitos.”

POEMAS DE MARGARETH ATWOOD

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ALMA DE PÁSSARO

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Se os pássaros fossem almas humanas

Qual pássaro seria você?

Uma ave da primavera com canto alegre?

Uma daquelas que voa bem alto?

.

Você seria um pássaro noturno

Observando a lua

Cantando Estou só, Estou só

Cantando Triste Fim?

.

Você só seria uma coruja

Uma predadora de penugem macia?

Caçadora incansável, você estaria caçando

A alma do seu assassino?

.

Sei que você não é um pássaro

Embora tenha voado

Para longe, muito longe.

Eu preciso que você esteja em algum lugar…

.

Poema retirado do livro, “Poemas Tardios”, Rocco, 2020. Tradução de Stephanie Borges

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OBSERVAÇÕES DA EDITORA

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Um ponto poderia ser (segundo ela)

se afastar um pouco

da advertência e do desespero

.

Em vez disso (ela disse)

tente oferecer

um contexto empírico

.

a compreensão do humano

o impacto (de acordo com ela) humano

o pacto humano

.

então deixe as pessoas

deixe as pessoas chegarem

por si só as pessoas chegam

.

às suas conclusões.

Às próprias conclusões.

Ela disse:

Há um certo perigo nisso.

Poema retirado do livro, “Poemas Tardios”, Rocco, 2020. Tradução de Stephanie Borges

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A CRIANÇA FERIDA

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A criança ferida vai mordê-lo.

A criança ferida vai se tornar

uma criatura assustadora

e mordê-lo aí mesmo onde você está.

.

A criança ferida verá a pele se formar

sobre o ferimento que recebeu de você

– recebe não, porque o ferimento

não é um presente, um presente é aceito

livremente, e a criança não teve escolha.

.

Ela vai formar uma pele sobre o ferimento,

o ferimento acumulado, o ferimento que atravessa gerações

e que você extraiu com força de si mesmo feito uma bala

e implantou na carne da criança –

uma pele um couro um pelo

uma crosta escaldada,

e dentes afiados de peixe

como os de um bebê deformado –

e vai mordê-lo

.

e você vai dizer que não vale

como é o seu hábito

e haverá uma luta

porque você vai tirar a luta da caixa

com o rótulo Lutas que guarda com tanto cuidado

para as emergências, e esta é uma delas,

.

e a criança ferida perderá a luta

e irá cambaleando

para os subúrbios, e causará

pânico nas drogarias e estrago

nos churrascos

e eles dirão ajudem! ajudem um monstro

e sairá no noticiário

.

e ela será caçada

com cães, e deixará um rastro

de cabelo, pelo, escamas e dentes de leite, e lágrimas

de onde foi rasgada

com vidro quebrado e coisas do tipo

.

e vai se esconder em canos de esgoto

em depósitos de ferramentas, debaixo de arbusto,

lambendo sua ferida, sua raiva,

a raiva que recebeu de você

e vai se arrastar até o poço

.

o lago o riacho o reservatório

porque tem sede

porque é monstruosa

com sua sede feroz

que parece toda coberta de espinhas

.

e os cães e caçadores vão encontrá-la

e ele ficará encurralada

e uivará sobre injustiças

e vão rasgar seu corpo e abri-lo

.

e vão comer seu coração

e todos darão vivas,

Graças a deus acabou!

.

E seu sangue escorrerá para dentro d’água

e você vai bebê-lo todos os dias.

.

Poema retirado do livro, “A Porta”, Rocco, 2007. Tradução de Adriana Lisboa

Margareth Atwood. https://margaretatwood.ca/

Fontes: Griffin Poetry Prize 2025

griffinpoetryprize.com/press/announcing-the-2025-lifetime-recognition-award

Site Recanto do Poetarecantodopoeta.com

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2 respostas a “POESIA DOMINICAL-MARGARETH ATWOOD”

  1. Avatar de
    Anônimo

    Também não conhecia MARAVILHOSA,MATERIA INCRÍVEL .

  2. Avatar de heroic0573c510b4
    heroic0573c510b4

    Não conhecia a poeta e gostei muito!

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