O USO POLÍTICO DE FALA DE WAGNER MOURA

O deputado estadual Marcelino Galo (PT) acusou ACM Neto, vice-presidente do União Brasil, de agir de forma oportunista e sem escrúpulos, ao usar uma fala do ator Wagner Moura para atacar o governador Jerônimo Rodrigues. Até o momento, não houve manifestação direta do ator sobre o uso político de sua fala. O debate, contudo, expôs o confronto entre governo e oposição na Bahia, se valendo do grau de polarização e da disputa por narrativas, no início do ano eleitoral.
Para o líder do PT na Assembleia, trata-se de mais um episódio de distorção deliberada de declarações alheias com fins exclusivamente políticos. Segundo Galo, em vez de respeitar o momento de reconhecimento internacional de um artista baiano, ACM Neto preferiu recorrer à politicagem rasteira, descontextualizando a fala de Wagner Moura para tentar desgastar a gestão estadual: “É uma atitude mesquinha, que revela total desprezo pela verdade e pelo significado da conquista do ator”, afirmou.
O deputado destacou que não é novidade o uso desse tipo de expediente pelo ex-prefeito de Salvador, que já demonstrou insensibilidade, ao instrumentalizar falas e imagens, inclusive em contextos de dor e violência, apenas para atacar adversários.
Um tiro no pé
O deputado, que é líder do PT na Assembleia, avaliou que o episódio tende a gerar enfraquecimento político de ACM Neto: “É preciso perguntar se Wagner Moura aceitará ter seu nome usado dessa forma, ainda mais por um aliado de Jair Bolsonaro, alguém com quem o ator tem claras e públicas divergências”, concluiu.
O Jornal Grande Bahia foi um dos que revelou que a utilização política da fala do ator Wagner Moura por ACM Neto provocou reação imediata no PT baiano. O deputado estadual Marcelino Galo acusou, hoje (13), o dirigente oposicionista de distorcer as declarações para atacar o governador Jerônimo Rodrigues e seus dois antecessores, classificando a iniciativa como oportunismo político e questionando a legitimidade do uso do nome do artista nos embates partidários.
Segundo Marcelino Galo, a movimentação de ACM Neto retira do contexto uma manifestação pública de Wagner Moura e a reposiciona com finalidade estritamente política. O parlamentar sustenta que, em vez de reconhecer a projeção internacional do ator baiano, a oposição teria optado por instrumentalizar sua fala para desgastar a gestão estadual, deslocando o foco do mérito artístico para a disputa partidária.
Em declaração pública, o deputado afirmou que o episódio evidencia uma prática recorrente, de uso seletivo de declarações alheias para fins de ataque político. Para ele, a estratégia ignora o conteúdo original da manifestação e cria um enquadramento de narrativa conveniente à oposição, sem compromisso com a fidelidade dos fatos.
Embates e estratégia de comunicação
O petista também enfatizou o contexto da crítica, ao mencionar episódios anteriores nos quais, segundo ele, ACM Neto teria recorrido a recortes de falas e imagens do passado para confrontar adversários. A leitura do PT é de que esse padrão revela uma estratégia de comunicação orientada ao conflito imediato, ainda que à custa de controvérsias e questionamentos éticos.
Na avaliação de aliados do governo, a reação busca dominar a narrativa e ultrapassar os limites entre o debate político e a exploração de manifestações culturais ou artísticas, sobretudo quando estas alcançam visibilidade internacional, como é o caso.
Para Marcelino Galo, o episódio pode produzir constrangimento político adicional ao oposicionista, ao associar o uso da fala do ator a alianças e posicionamentos ideológicos divergentes. O deputado levantou a hipótese de resistência do próprio artista, ao ver seu nome inserido em disputas partidárias conduzidas por um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem Wagner Moura mantém divergências públicas.
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Fontes: Jornal Grande Bahia e Veja


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