POESIA DOMINICAL ANTI-DISCRIMINAÇÃO

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LUTHER KING, MANDELA E ANTJIE KROG

Discurso em que Luther King mencionou "Eu tenho um sonho".

Discurso em que Luther King mencionou “Eu tenho um sonho”.

É oportuno tratarmos, hoje, na nossa Poesia Dominical, do tema ‘racismo’, tão presente ainda entre nós, brasileiros, assim como no mundo, nascido do colonialismo que povoou o planeta de europeus e escravizados. Na semana passada, dia 15, se comemorou o aniversário de nascimento do maior líder e mártir dessa luta, nos Estados Unidos, o pastor Martin Luther King. Ele não foi propriamente um poeta, mas pronunciou palavras emocionantes e catalizadoras da luta pelo respeito e promoção racial em todas as nações. Chegou até a inspirar outro grande expoente dessa luta, Nelson Mandela, na África do Sul, que também pronunciou palavras poéticas e proféticas, enaltecendo a luta vitoriosa anti-apartheid. Trazemos, também, aos queridos leitores, um poema famoso de Antjie Krog, a corajosa e vanguardista poetisa branca que viveu aqueles tempos no mesmo país. Devemos dar graças pelos avanços que alcançamos nesse tema no Brasil e na Bahia. Ainda falta mudar certas cabecinhas. Boa leitura!

Sobre o aniversariante do dia 15: O famoso discurso “Eu Tenho um Sonho” (I Have a Dream) é de Martin Luther King Jr., pronunciado em 1963, em Washington, D.C., nos EUA. King Jr. (1929-1968) foi um pastor batista e ativista norte-americano, conhecido por seu papel fundamental na luta pelos direitos civis e contra a discriminação racial nos Estados Unidos.

Em “I Have a Dream“, expressou sua visão de um futuro onde as pessoas seriam julgadas pelo seu caráter e não pela cor da pele. King foi um dos principais líderes do movimento pelos direitos civis, promovendo a não-violência e a desobediência civil como formas de protesto. Sua luta e legado continuam a inspirar movimentos por justiça e igualdade em todo o mundo.

Nascido Michael King Jr. em Atlanta, a 15 de janeiro de 1929, morreu em Memphis, em 4 de abril de 1968), quando foi assassinado. King é amplamente conhecido pela sua luta, inspirado por suas crenças cristãs e pelo ativismo não violento de Mahatma Gandhi.

Tornou-se o primeiro presidente da Conferência da Liderança Cristã do Sul. Como seu presidente, ele liderou, sem sucesso, em 1962, a luta contra a segregação em Albany, e foi um dos participantes que organizaram os protestos não-violentos de 1963, em Birmingham. King ajudou na organização da Marcha sobre Washington onde ele ditou seu famoso discurso “Eu Tenho um Sonho”, aos pés do Memorial de Abraham Lincoln.

No dia 14 de outubro de 1964, King ganhou o Prêmio Nobel da Paz, por combater o racismo nos Estados Unidos, através da resistência não violenta. Em 1965, ele ajudou a organizar as Marchas de Selma a Montgomery. Nos últimos anos de sua vida, ele ampliou seu ativismo contra a pobreza e a Guerra do Vietnã.

Martin Luther King foi preso em Birmingham.

Martin Luther King foi preso em Birmingham.

O diretor do FBI, J. Edgar Hoover, achava King um radical e fez dele alvo do programa de contrainteligência, a partir de 1963. Os agentes do FBI o investigaram por possíveis laços comunistas, ameaçaram tornar públicas suas supostas relações extraconjugais e o denunciaram para agentes governamentais. Até que, em 1964, mandaram a King uma carta ameaçadora anônima, a qual ele interpretou como uma tentativa de alguém a incentivá-lo a cometer suicídio.

Antes de sua morte, King estava planejando uma ocupação em Washington, D.C., que seria denominada Campanha dos Pobres, quando ele foi assassinado em 4 de abril de 1968, em Memphis. Sua morte causou forte reação e foi seguida por manifestações em várias cidades dos Estados Unidos.

Aí veio Mandela

Nelson Mandela, o líder sul-africano, também teve um sonho parecido e poderosíssimo para seu país e expressou-o de maneira poética e comovente. O texto mais icônico de Mandela – que se assemelha a um poema em sua estrutura e força – é o trecho final de seu discurso, no julgamento de Rivonia, em 1964.

Esse poema não se chama “Eu Tenho um Sonho”, mas captura a mesma essência de sacrifício e visão de futuro. Mandela enfrentava a possibilidade da pena de morte quando disse estas palavras, que se tornaram o credo da luta contra o apartheid.

POEMA DE MANDELA

O Trecho Final do Discurso de Rivonia, sua passagem mais célebre, realmente funciona como um poema em prosa:

“Durante a minha vida, dediquei-me a esta luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, lutei contra a dominação negra.

Acariciei o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais.

É um ideal pelo qual espero viver e que espero alcançar. Mas, se for necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer.”

Essas linhas resumiram não apenas a luta de Mandela, mas a de toda uma nação. Elas são recitadas, estudadas e lembradas como o núcleo de seu legado.

Enquanto Martin Luther King nos deu o imortal “I Have a Dream“, Nelson Mandela nos deu este juramento de vida ou morte por um ideal, que funciona como seu “poema” político e humano mais perene.

ANTJIE KROG

Antjie Krog (nascida em 23 de outubro de 1952) é uma acadêmica, poeta e jornalista sul-africana que mescla poemas em africâner e inglês. Nascida em uma família de escritores africâners, ela cresceu em uma fazenda.

Em 1973, obteve o bacharelado em Inglês pela Universidade do Estado Livre e o mestrado em africâner pela Universidade de Pretória, em 1976. Mais tarde, com diploma pela Universidade da África do Sul (UNISA), trabalhou como professora adjunta em uma universidade para sul-africanos negros. Em maio de 2022, Antjie morreu tragicamente em um acidente de carro e há rumores de suicídio ou homicídio, mas poucos detalhes ainda são conhecidos.

A respeito de sua Poesia, Pablo Neruda a definiu como a melhor do africâner. Ela publicou sua primeira coletânea de poemas aos 17 anos, “Dogter van Jefta” (Filha de Jefta), dois anos depois “Januarie-suite” (Suíte de Janeiro) e, posteriormente, mais 8 coletâneas de poemas em africâner e uma em inglês. Seu trabalho foi traduzido para vários idiomas.

No âmbito do Jornalismo, ela trabalhou para várias publicações e liderou programas de televisão.

Na Prosa criativa, talvez sua obra mais conhecida seja Country of My Skull (O País da Minha Caveira), que é uma crônica que depois foi adaptada para o cinema por Ann Peacock como In My Country (No meu País), com Samuel L. Jackson e Juliette Binoche.

Antjie Krog é branca, mas está na luta contra a discriminação.

Antjie Krog é branca, mas está na luta contra a discriminação.

POEMA DE ANTJIE KROG

No túmulo de Mandela

.

Aqui repousa agora,

quem nos uniu pode se encontrar,

quem está sempre na plenitude da paz,

quem fez do solo da nossa terra

a canção de sangue de todos nós

.

Dorme, agora

aquele que deu ao mundo

inteiro com uma mão que é usada para dar

aquele que nunca deixou de compartilhar

seu coração de leão

.

“Se ele foi notável, pelo que eles são!”

Nós, os ordinários, dizemos:

“Agora cuidemos uns dos outros!”

Vamos sussurrar no túmulo do Compartilhador,

a mão aberta – um “Vamos celebrar nossa conexão!”

Oramos àqueles nos assentos especiais

.

Para que os rios parem de correr,

quando abaixamos o caixão, os arbustos contra as montanhas

trêmulas param, quando abaixamos o caixão

.

Para o som seco e crocante da grama,

quando abaixamos o caixão para a vegetação que cresce,

quando abaixamos o caixão os pássaros param de cantar,

quando abaixamos o caixão a terra se abre

e a leva consigo, em absoluto silêncio

.

Tudo está emaranhado agora

aceite a morte

e sua morte apenas, amado Mandela,

abençoe nós, seus filhos,

deixe sua vida deixar sua marca em todos nós

.

Você é o caminho para realizar

o anseio do mundo pelo bem

você foi nosso rosto melhor

.

Será muito antes do comum e

poderemos representar novamente em nossos braços mortais

uma pessoa tão nobre

.

Alguém tão curativa e tenazmente bela,

tão dura de disposição,

tão severamente inclusiva de princípios,

tão elegante e radical de coração.

Tsamaya Hantle, barco dos nossos sonhos,

Ntate (Senhor) Moholo,

Khosto! Pula! (chuva) Nala!

2 respostas a “POESIA DOMINICAL ANTI-DISCRIMINAÇÃO”

  1. Avatar de heroic0573c510b4
    heroic0573c510b4

    Tema urgente em todo mundo!

  2. Avatar de Wagner Franci
    Wagner Franci

    Interessante e instrutivo. Não conhecia Antjie.

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Discurso em que Luther King mencionou "Eu tenho um sonho".

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