CHAPADA DIAMANTINA E MATA ATLÂNTICA

Animais silvestres apreendidos na Chapada Diamantina. Foto: Cetas
O Centro de Triagem de Animais Silvestres do Inema apoiou uma operação que resgatou mais de 340 animais silvestres e reforçou o combate ao tráfico de fauna na Chapada Diamantina . Uma ação fundamental para deter a destruição. Ao mesmo tempo, proteger a Mata Atlântica é crucial, não apenas para a sobrevivência das espécies ameaçadas, mas também para a manutenção do equilíbrio ecológico e dos serviços ambientais que essas florestas proporcionam. A educação e a conscientização sobre a importância da conservação são fundamentais para reverter a situação alarmante das espécies ameaçadas.
Mais de 340 animais silvestres foram resgatados durante uma operação da Polícia Militar, no município de Itatim, na região da Chapada Diamantina, na semana passada. Os animais foram recolhidos pelos profissionais do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Cruz das Almas, unidade vinculada ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), para triagem, atendimento veterinário e reabilitação.
A operação resultou na apreensão de aves e répteis, mantidos em cativeiro de forma irregular e em condições precárias. Entre os répteis, foram contabilizados 136 jabutis e dois teiús. Já entre as aves, foram identificadas diversas espécies da fauna silvestre, como canário-da-terra, cardeal-do-nordeste, sofrê, azulão, papa-capim, caboclinho, golinho, coleirinho, perdiz, inhambu, tico-tico-rei-cinza e pintassilgo-do-nordeste, espécie classificada como ameaçada de extinção.
Segundo a Polícia Militar, os animais seriam destinados ao comércio ilegal, prática considerada crime ambiental por envolver a captura, manutenção e comercialização de espécies silvestres, sem autorização dos órgãos ambientais competentes. O responsável pelo imóvel foi conduzido à Delegacia Territorial de Itatim, onde foram adotadas as medidas legais cabíveis.
Tratamento e Reabilitação
As equipes técnicas do Cetas de Cruz das Almas foram acionadas para realizar o recolhimento dos animais e iniciar os procedimentos de triagem. Os espécimes passam por avaliação clínica, identificação taxonômica, quarentena e cuidados veterinários, além de protocolos de reabilitação com foco na possível reintegração ao ambiente natural, quando tecnicamente viável.
Parte dos animais já foi considerada apta para retorno à natureza, com a soltura imediata de 192 indivíduos no fim de semana. Durante o processo de resgate e triagem, foram registrados 11 óbitos, em decorrência das condições em que os animais eram mantidos.
A responsável pelo Cetas de Cruz das Almas, Vanessa Silva, informou sexta-feira (06) que o processo de triagem ainda está em andamento. “Ainda estamos finalizando a triagem dos animais, mas já contabilizamos mais de 340 indivíduos, entre aves e répteis. Esse trabalho técnico envolve avaliação clínica detalhada, identificação das espécies e definição do manejo adequado para cada grupo”, destacou.
A atuação do Inema no recolhimento e na reabilitação dos animais resgatados integra a política ambiental da Bahia, voltada à conservação da biodiversidade e ao enfrentamento do tráfico de fauna silvestre. A cooperação entre os órgãos ambientais e as forças de segurança pública fortalece as ações de fiscalização, contribuindo para a proteção da fauna e a preservação dos ecossistemas da Chapada Diamantina e de outras regiões do estado.
O Inema orienta que ocorrências com animais silvestres, mesmo as que resultem na morte do animal, sejam comunicadas por meio do Disque Fauna (71) 99661-3998, para o devido encaminhamento dos espécimes aos Cetas. Com unidades em Salvador e Cruz das Almas, os centros são responsáveis pelo acolhimento, tratamento e reabilitação de animais silvestres, garantindo que estejam aptos para a reintegração ao meio ambiente.

O cardeal é um dos mais ameaçados. Foto: Wikiaves
Bahia monitora espécies ameaçadas de extinção na Mata Atlântica
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) deu início ao Programa Estadual de Monitoramento da Biodiversidade com foco na preservação de espécies ameaçadas de extinção no estado. A primeira reunião de alinhamento aconteceu no dia 29 de janeiro, na sede do Parque Estadual de Ponta da Tulha (PEPT), em Ilhéus, reunindo técnicos, gestores de Unidades de Conservação (UCs), pesquisadores e um representante do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
O programa será implementado, inicialmente, em duas importantes áreas de conservação da Mata Atlântica baiana: o Parque Estadual de Ponta da Tulha e o Parque Estadual da Serra do Conduru (PESC), ambos situados no sul do estado. Juntos, os parques possuem uma área de mais de 1,7 milhões de hectares e abrigam ecossistemas como florestas tropicais pluviais, florestas de restinga e manguezais, além de serem dois pontos com elevado grau de biodiversidade em termos planetários.
O programa tem como objetivo monitorar a biodiversidade nos ecossistemas baianos, e se divide em dois grandes projetos. Um deles possui uma atenção especial para duas espécies em risco de extinção: a preguiça-de-coleira-do-nordeste (Bradypus torquatus) e o mico-leão-baiano, também conhecido como mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas). Ambas são endêmicas da Mata Atlântica e constam da lista oficial de espécies ameaçadas.
O outro projeto, é uma iniciativa inspirada no Programa Monitora, desenvolvido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que atualmente envolve mais de 125 UCs em todo o Brasil. O modelo adotado utiliza técnicas simples e de baixo custo, com participação de comunidades locais no processo de coleta e análise de dados.
“Este programa representa um passo fundamental para consolidarmos uma política de conservação baseada em evidências científicas. O monitoramento sistemático da biodiversidade nos permitirá conhecer melhor a situação real das nossas espécies e ecossistemas, avaliar a efetividade das ações de proteção e orientar estratégias mais eficientes de conservação”, destacou Mara Angélica dos Santos, coordenadora de Gestão da Biodiversidade do Inema.

A preguiça-de-coleira também vez sendo caçada cladestinamente. Foto:LereAprender
O programa vai gerar dados científicos que irão subsidiar as decisões de gestão ambiental, permitindo avaliar tendências ecológicas e mensurar os impactos das atividades humanas e das políticas públicas sobre a biodiversidade baiana. As informações coletadas também contribuirão para fortalecer a governança ambiental no estado.
Durante a reunião, foram debatidos pontos estratégicos para a implementação do programa, como a capacitação do corpo técnico, definição de indicadores de monitoramento, aquisição de equipamentos para trabalho de campo e financiamento de bolsas de pesquisa. O modelo prevê o monitoramento participativo, com envolvimento de diferentes atores em todas as etapas do processo.
Com o Programa Estadual de Monitoramento da Biodiversidade, a Bahia avança na proteção de seus ecossistemas e reforça o compromisso do Inema e das entidades parceiras no programa com a conservação de espécies em situação de vulnerabilidade, alinhando-se às melhores práticas nacionais de gestão ambiental e monitoramento da fauna e flora.

Jabutis são traficados em grande quantidade. Foto: InfoEscola
Várias espécies ameaçadas
A Mata Atlântica abriga uma diversidade de espécies ameaçadas, com 24% das espécies em risco de extinção, incluindo o pau-brasil, o lobo-guará e a arara-vermelha.
A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo, mas também um dos mais ameaçados, com menos de 12% de sua vegetação original remanescente. Um estudo recente revelou que 82% das espécies endêmicas da Mata Atlântica estão em risco de extinção, com mais de 2 mil espécies de árvores ameaçadas.
Algumas das principais espécies ameaçadas na Mata Atlântica incluem:
Pau-Brasil (Caesalpinia echinata): Considerada um símbolo nacional, essa árvore foi intensamente explorada e está em perigo devido ao desmatamento e à exploração madeireira.
Lobo-Guará (Chrysocyon brachyurus): Este mamífero enfrenta ameaças como a perda de habitat e a fragmentação de seu território, resultando em uma população em declínio.
Arara-Vermelha (Ara chloropterus): Embora não esteja globalmente ameaçada, a arara-vermelha é considerada em risco no Paraná devido à destruição de seu habitat e ao tráfico de animais.
Macaco Bugio-Ruivo (Alouatta guariba): Esta espécie não era avistada há mais de 100 anos no Rio de Janeiro, mas esforços de reintrodução estão em andamento.
Boto-Cinza (Sotalia guianensis): Este golfinho enfrenta riscos devido à poluição e à captura acidental em redes de pesca.
Causas das Ameaças
As principais ameaças às espécies da Mata Atlântica incluem:
Desmatamento: A conversão de florestas em áreas agrícolas e urbanas é a principal causa da perda de habitat.
Mineração e Agricultura: Essas atividades não apenas destroem a vegetação nativa, mas também poluem o solo e a água, afetando a fauna e flora locais.
Mudanças Climáticas: Alterações nos padrões climáticos podem impactar a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas.
A conservação da Mata Atlântica requer esforços conjuntos de pesquisa, educação e fiscalização para garantir a sobrevivência das espécies e a recuperação dos ecossistemas.

Equipe mobilizada para apoiar as ações policiais.Foto:SecomGOVBA
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Fontes: SecomGOVBA, IBGE, Wikiaves


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