O ABASTECIMENTO DE ÁGUA NA BAHIA


Represa Ipitanga I – Foto: Matheus Lemos- Ascom/Sema
O que deve fazer um governo de estado na região semiárida do Nordeste, por exemplo? A fim de garantir o “precioso líquido”, nessa fase de mudanças climáticas, é preciso atuar em muitas frentes, e isso o Governo da Bahia está fazendo. A ação nos conforta. No Dia Mundial da Água, celebrado ontem, 22 de março, a Bahia destaca os avanços na gestão dos recursos hídricos e reforça o compromisso com a segurança no fornecimento de água potável, a preservação ambiental e seu uso sustentável. As ações são conduzidas pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que vêm fortalecendo políticas públicas e instrumentos de gestão em todo o estado.
Entre os principais avanços está a elaboração pela Sema do novo Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH 2026-2040), que irá orientar as políticas públicas para os próximos anos. O plano inclui ações voltadas à integração entre águas superficiais e subterrâneas, enfrentamento das mudanças climáticas e mediação de conflitos pelo uso da água.
“A elaboração do novo Plano é uma grande oportunidade de ajustar a gestão de recursos hídricos do Estado considerando os inúmeros desafios impostos pelo novo contexto climático que vivemos”, destacou Larissa Cayres, coordenadora de Recursos Hídricos da Sema.
Além disso, a Bahia segue avançando na elaboração e execução dos Planos de Bacias Hidrográficas, fundamentais para garantir o uso equilibrado da água em diferentes regiões. Já são mais de R$ 23 milhões investidos em planos e estudos estratégicos, em diversas bacias do estado, ao longo dos anos.
O monitoramento da qualidade da água também é um dos pilares da gestão hídrica. Atualmente, pelo Programa Monitora são monitorados 332 rios e reservatórios, com 637 pontos de amostragem de água em rios e reservatórios e 147 pontos de balneabilidade ao longo do litoral.
Outro destaque é a atuação da Sala de Situação do Inema, sob a gestão da Coordenação de Estudos de Clima e Projetos Especiais (COCEP), que realiza o monitoramento em tempo real das condições hidrológicas, acompanhando chuvas, níveis de rios e reservatórios em diferentes regiões da Bahia.

Laboratório de análise da nossa água. – Foto: Mauri Azevedo
4,6 milhões de análises anuais garantem a qualidade
O Dia Mundial da Água é uma data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1992, para alertar sobre a necessidade de preservação dos recursos hídricos e destacar a importância de gerenciar a água doce de forma sustentável, impulsionando ações que visam garantir água potável à população, entre outros objetivos.
Presente em 368 municípios com o serviço de abastecimento, a Embasa garante a qualidade da água tratada que chega aos lares baianos, realizando um controle rigoroso por meio de normas específicas definidas pelo Ministério da Saúde. Somente no ano passado, foram realizadas 4,6 milhões de análises laboratoriais nos processos de tratamento de água e de controle de qualidade na área de atuação.
O tratamento é dividido em etapas, começando pela avaliação das características da água bruta captada no manancial, seja uma nascente, um leito de rio ou uma barragem. As etapas seguintes acontecem nas estações e são seguidas por uma série de análises para garantir a qualidade da água distribuída à população.
Monitoramento
Para o controle da qualidade, 240 profissionais trabalham na coleta e análise das amostras dos 458 sistemas de abastecimento de água operados pela Embasa. “A estrutura conta com uma rede de 14 laboratórios de controle de qualidade, um na capital e 13 no interior do estado, totalizando 48 salas de ensaio, além de um laboratório externo que realiza grande parte das análises que não fazemos nos nossos laboratórios. Se alguma alteração é detectada em qualquer etapa do processo, fazemos análises adicionais e enviamos os resultados para a área operacional, que fará os devidos ajustes”, esclarece a gerente do Controle da Qualidade da Água e Efluentes, Tarciana Leonidio.
Para o presidente Gildeone Almeida, os números relacionados ao tratamento e controle de qualidade da água fornecida pela Embasa demonstram os esforços da empresa para contribuir com a saúde e a qualidade de vida das pessoas: “A Embasa é uma empresa pública que tem como propósito ‘Transformar vidas e promover o desenvolvimento’. Saber que o nosso trabalho melhora a vida das pessoas nos faz seguir em frente todos os dias”, conclui.

Seminário Água em Foco – Foto: Matheus Lemos – Ascom/Sema
Seminário Água em Foco
O Seminário promove debate para proteção das águas nos municípios da Bahia. Em celebração ao Dia Mundial da Água, técnicos de consórcios públicos municipais que integram o Programa de Gestão Ambiental Compartilhada (GAC) participaram, sexta-feira (20), de um encontro virtual promovido pela Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema). A iniciativa teve como foco o fortalecimento do papel dos municípios na proteção dos recursos hídricos e estimulou o intercâmbio de experiências e estratégias voltadas à gestão sustentável da água no estado.
A programação reuniu especialistas com atuação direta na agenda ambiental e de recursos hídricos. Entre os destaques, estiveram as palestras de Larissa Cayres, especialista em Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Sema e secretária executiva do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (Conerh), e de Anna Luísa Beserra, da organização Sustainable Development & Water for All (SDW for all).
O papel dos municípios na proteção das águas
Com o tema “Água: problema mundial, solução local – o papel dos municípios na proteção das águas”, Larissa Cayres enfatizou a centralidade da atuação municipal na agenda ambiental, especialmente na implementação de políticas públicas voltadas à gestão dos recursos hídricos. Ao dialogar com técnicos que atuam diretamente nos territórios, destacou que a disponibilidade de água não está relacionada apenas à quantidade, mas também – e de forma decisiva – à sua qualidade.
O Poder da Água
Na sequência, Anna Luísa Beserra conduziu a palestra “Pequenas Ações, Grandes Impactos: O Poder da Água!”, trazendo uma abordagem centrada na valorização do conhecimento local e no potencial transformador de soluções simples e acessíveis para a gestão dos recursos hídricos. A especialista chamou atenção para a importância de incorporar, nos processos de gestão e tomada de decisão, o saber das comunidades que vivem diretamente nos territórios. Segundo ela, esse conhecimento, muitas vezes invisibilizado, é fundamental para compreender as dinâmicas da água.
Ao abordar soluções práticas, Anna Luísa apresentou exemplos de tecnologias simples com alto impacto socioambiental, como pequenas estruturas de retenção de água que ajudam a reduzir o escoamento superficial e favorecem a infiltração no solo. Essas intervenções, além de contribuírem para a recarga de aquíferos, também ajudam a minimizar problemas como assoreamento, turbidez e escassez hídrica.

Macururé e a reserva de água.- Foto: Divulgação
Água fortalece produção no Semiárido
O Dia Mundial da Água reforça a importância de garantir o acesso à água como um direito essencial e um elemento estratégico para o desenvolvimento rural. Na Bahia, esse acesso no meio rural tem avançado, também, por meio de investimentos do Governo do Estado, por meio Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), que executa tecnologias sociais voltadas à convivência com o semiárido e ao fortalecimento da agricultura familiar.
Entre 2023 e 2026, já foram implantadas 8.546 ações, com investimento superior a R$ 70,8 milhões, beneficiando milhares de famílias agricultoras, em diversas regiões do estado. As iniciativas incluem estruturas como cisternas de produção e de consumo, barreiros trincheira, aguadas, barragens e sistemas simplificados de abastecimento. Essas tecnologias permitem captar, armazenar e utilizar a água de forma planejada, garantindo a produção de alimentos, o abastecimento de água para os animais e maior segurança hídrica diante de períodos prolongados de estiagem.
Água para Todos
Segundo a coordenadora das ações do programa Água para Todos na CAR, Kamilla Ferreira, diante das mudanças climáticas, as tecnologias sociais se tornam ainda mais estratégicas: “Em um cenário de estiagens cada vez mais severas, estruturas como aguadas, barragens e cisternas de produção funcionam como reservas essenciais de água e ajudam a mitigar os efeitos da seca, somando-se a outras políticas públicas voltadas à convivência com o semiárido.”
Entre as tecnologias executadas pela CAR, a cisterna de calçadão tem desempenhado papel fundamental ao captar água da chuva e armazená-la para uso produtivo nas propriedades rurais. Na comunidade onde vive, em Oliveira dos Brejinhos, a agricultora Jovina Maria de Almeida destaca a mudança proporcionada pela estrutura. “Essa cisterna vai ajudar muito a manter minhas hortaliças e as plantações. Aqui, durante a seca, a água é muito difícil, então ter essa reserva traz mais tranquilidade e aumenta a produção da nossa família”, relata.
Em Macururé, por exemplo, o agricultor José Henrique Gonçalves, da Fazenda Cipó, conta que o barreiro trincheira transformou a realidade da criação animal: “Antes, eu gastava cerca de mil reais por mês para garantir água para o rebanho. Hoje, com o barreiro trincheira, tenho uma reserva dentro da propriedade, e isso mudou completamente minha realidade”, afirma.

Pedra do Cavalo – Foto: Elemilson Negão/ Ascom Embasa
Enfrentando as mudanças climáticas
Como parte das comemorações ao Dia Mundial da Água, a Embasa realiza, amanhã (24), um encontro reunindo lideranças institucionais, equipe técnica e convidados, visando fortalecendo o debate sobre práticas sustentáveis e reflexões sobre o papel da água como bem público essencial e os desafios relacionados à segurança hídrica. O evento será realizado a partir das 9h, no Parque da Embasa no Lucaia (Rio Vermelho).
Entre as discussões, destaque para a ampliação da estratégia de segurança hídrica da empresa, voltados ao monitoramento e à gestão dos mananciais utilizados em sua área de atuação. A estratégia está baseada na ampliação do monitoramento, no uso de tecnologias avançadas e na geração de dados hidrológicos e operacionais qualificados para suporte à tomada de decisão.
Principais linhas de ação
Dentre os projetos em curso, a Embasa está desenvolvendo a modelagem hidrodinâmica e de qualidade da água das barragens de Pedra do Cavalo (foto) e Joanes II, responsáveis pelo abastecimento da Região Metropolitana de Salvador (RMS). “Este tipo de projeto utiliza ferramentas técnicas para simular cenários operacionais e climáticos, avaliar riscos e orientar a gestão dos recursos hídricos com maior precisão”, define o biólogo e gerente socioambiental da Embasa, Fabrício Tourinho.
Os principais resultados esperados incluem a ampliação da capacidade de antecipação de eventos que impactam a qualidade da água, permitindo ajustes operacionais preventivos, redução de riscos operacionais e maior eficiência no planejamento das estações de tratamento, além de suporte técnico qualificado para decisões em situações críticas.
Outro eixo estruturante da estratégia de segurança hídrica é a implantação e ampliação da rede de monitoramento hidrometeorológico, com cerca de 60 pontos de coleta distribuídos em diversas regiões hidrográficas do estado. Com aporte estimado em R$ 12 milhões, o sistema permitirá o acompanhamento em tempo real de variáveis como chuva, vazão e nível dos reservatórios, ampliando a previsibilidade operacional e a capacidade de resposta a eventos críticos.
As ações estão alinhadas ao Marco Legal do Saneamento (Lei nº 11.445/2007), à Política Nacional de Recursos Hídricos e às diretrizes de segurança da água, incorporando a variável climática à gestão dos sistemas e fortalecendo a resiliência operacional.
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Fonte: Ascom/Embasa


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