FERROVIA SALVADOR-JUAZEIRO, OESTE-LESTE E NOVO CAÇA SUPERSÔNICO


Novo caça Gripen-F39 vai consolidar a defesa brasileira. Arte: CECOMSAER.
Paz e Progresso tem sido o lema dos governos democráticos brasileiros e, este mês, o Brasil tem motivos para se orgulhar dos avanços alcançados por nosso País. Duas importantes notícias nos chegam e o Ângulo e Foco traz os detalhes para @s querid@s leitores: A Ferrovia Oeste-Leste vai se tornando realidade, assim como o trecho ferroviário Salvador-Juazeiro, na Bahia, colocando os brasileiros e os baianos nos trilhos. E, em tempos de pensar na nossa defesa, o novo caça-supersônico Gripen, já fabricado pela Embraer, é mostrado ao público, em solenidade que acontecerá amanhã, com a presença do presidente Lula.
A ligação da capital baiana, Salvador, a Juazeiro, no Norte do Estado por ferrovia dá um novo e importante passo; a Bahia contrata estudo para reativar a linha, de 600 km de extensão. O Governo do Estado investe R$ 16 milhões em pesquisa com universidade espanhola para avaliar a viabilidade econômica e de infraestrutura do projeto.
O governador Jerônimo Rodrigues avança nos planos de mobilidade e acaba de contratar um estudo de viabilidade para a reativação da antiga Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco (EFBSF), que conectava Salvador a Juazeiro. A informação foi divulgada, há duas semanas, pelo presidente da Companhia de Transportes da Bahia (CTB), Eracy Lafuente.
A CTB está em fase final de contrato com a universidade da Espanha para realizar a pesquisa. O estudo vai analisar a viabilidade econômica, de arquitetura e de infraestrutura da ferrovia.
Segundo Eracy Lafuente, o projeto visa a requalificar os trilhos existentes e integrar o transporte de passageiros e cargas. A iniciativa é vista como um futuro vetor de mobilidade e desenvolvimento para a região, similar a modelos europeus.

Interesse Federal e Impacto Regional
A requalificação da ferrovia Salvador-Juazeiro também está no radar do Governo Federal. Em setembro do ano passado, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, manifestou o interesse do governo Lula em revitalizar a linha. De acordo com o ministro, a linha férrea existe, mas não recebe manutenção há muito tempo. O estudo busca quantificar os custos para tornar a ferrovia novamente trafegável e complementar o trecho de Simões Filho até Águas Claras, onde se conectaria com o metrô, o VLT e a Nova Rodoviária de Salvador.
O projeto da ferrovia Salvador-Juazeiro substitui a ideia original de estender o VLT até Alagoinhas. A nova proposta prevê uma conexão entre Salvador, a Região Metropolitana, Simões Filho, Dias D’Ávila e Camaçari, com futura ligação à Transnordestina, impulsionando o transporte de trabalhadores e o polo petroquímico.

A FIOL é uma obra do Governo Federal e está inserida no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da União – Foto: Elói Corrêa /GOVBA
A Ferrovia Oeste-Leste
A ligação ferroviária do interior ao litoral baiano para acessar o Porto Sul, em Ilhéus, será uma realidade com a EF-334, a Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol), que embora com cerca de 70% dos trechos 01 e 02 concluídos, ainda não tem previsão para entrar em funcionamento.
A Estrada de Ferro faz parte do projeto do Corredor Leste-Oeste do governo federal pois deverá se conectar na Ferrovia de Integração do Centro Oeste do Brasil (Fico). Toda a estrutura fará parte da projetada Ferrovia Transoceânica, que deverá, enfim, ligar o oceano Atlântico (Porto Sul/Ilhéus) ao Pacífico (Porto Chancay/Peru).
A ideia de unir os dois oceanos por uma ferrovia não é nova. Os primeiros projetos neste sentido foram registrados entre as décadas de 1940 e 1950 pelo engenheiro civil Vasco de Azevedo Neto. Ele denominou seu trajeto de Ferrovia Transulamericana, ligando o Porto de Campinho, na Baía de Camamu, na Bahia, ao Porto de Pisco, no Peru.
Com traçado semelhante à Transulamericana, a Transoceânica está em fase de projetos e estudos de viabilidade, com participação do governo brasileiro e empreendimentos chineses, com equipes especializadas em ferrovias.
Com um investimento aproximado de US$ 100 bilhões, a iniciativa cria uma nova rota para agilizar a logística de mercadorias entre a América do Sul e a Ásia e tem imensos desafios pela necessidade de atravessar a floresta Amazônica e a cordilheira dos Andes.
Conforme o Ministério dos Transportes (MT), a expectativa é que o lançamento do edital deste projeto aconteça no primeiro semestre de 2026. Este corredor cruza a Ferrovia Norte-Sul e deve conectar as regiões do Centro-Oeste e Oeste brasileiro diretamente a portos importantes, passando pelos estados como Mato Grosso, Goiás e Bahia.

Imagem ilustrativa da Fiol, que vai ligar o Atlântico ao Pacífico. Foto: Ministério da Infraestrutura
Nosso caça Gripen
Este é o novo caça multimissão da FAB, que representa dissuasão, tecnologia, renovação e, principalmente, um legado que impacta positivamente todo o Brasil, a partir do fortalecimento da indústria nacional.
O dia 25 de março ficará marcado na história do Brasil, da Base Industrial de Defesa (BID) e também da Força Aérea Brasileira (FAB). Amanhã, o primeiro caça F-39 Gripen fabricado em solo nacional será apresentado, consolidando o país como polo de alta tecnologia em defesa. Mais do que a incorporação de um caça de última geração, a entrega simboliza o fortalecimento da indústria e a construção de um legado que ultrapassa os limites da aviação militar, instaurando uma nova era: a do Brasil supersônico.
Para a FAB, o Gripen representa o estado da arte no cumprimento da missão, reafirmando palavras como dissuasão e inovação. Para a indústria nacional, é motor de desenvolvimento, já que impacta na geração de emprego e renda, capacitação de mão-de-obra e transferência de tecnologia.
“É um passo fundamental para consolidar o Brasil como um polo de alta tecnologia no setor aeronáutico de defesa”, complementa o Major-Brigadeiro do Ar Mauro Bellintani, presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC).
Ao todo, 63 projetos de offset integram o Projeto FX-2. Na prática, isso significa que o contrato, firmado há pouco mais de uma década entre a FAB e a SAAB – empresa sueca responsável pela fabricação do caça, já resultou no treinamento de 350 engenheiros brasileiros na Suécia, mais de dois mil empregos diretos e dez mil indiretos, além da criação de produtos inovadores, associados à aeronave. Cerca de 70% dos créditos de compensação já foram reconhecidos, consolidando ganhos financeiros e tecnológicos para o Brasil.
Hoje, empresas nacionais envolvidas no projeto estão aptas a realizar, desde manutenções essenciais até a produção de partes da fuselagem e sistemas da aeronave, impulsionando inovações que levam o conhecimento brasileiro para todo mundo. Segundo o Major-Brigadeiro do Ar Mauro Bellintani, o FX-2 vai muito além da aquisição de caças para a FAB: “A Embraer é responsável pela montagem final de 15 aeronaves. A AEL Sistemas produz três dos principais sistemas aviônicos, todos de altíssima complexidade. A Saab Brasil fabrica partes da aeroestrutura e a Atech contribui com o desenvolvimento das estações de planejamento de missão e simuladores de voo. Já a Akaer atua em engenharia de estruturas, desenvolvendo seções da fuselagem e asas”, detalha.
Assim, cada F-39 Gripen que entra em operação no Brasil carrega, além de dissuasão e defesa, investimento em soberania, em tecnologia e na indústria nacional. O presidente da COPAC ainda enfatiza que a produção local de uma aeronave de combate de última geração coloca o Brasil em um patamar de destaque no cenário da aviação militar mundial, insere a indústria nacional em uma cadeia de valor extremamente sofisticada e gera empregos qualificados. (Texto: Tenente Kelly / CECOMSAER)

O novo caça brasileiro
O primeiro novo caça F-39 Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB) foi entregue ao Brasil, em 2024. A aeronave supersônica foi retirada de um navio no Porto de Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina. O caça saiu do Porto de Norrköping, na Suécia, e fez a viagem pelo mar por 21 dias. Segundo a administração do porto, a aeronave é capaz de atingir velocidade de 2,4 mil km/h (duas vezes a velocidade do som). Agora está sendo totalmente fabricado no Brasil, na Embraer de São José dos Campos.
Hoje, o Brasil está prestes a alcançar um marco histórico na indústria de defesa e tecnologia aeronáutica. Amanhã (25), será apresentado oficialmente o primeiro caça supersônico F-39E Gripen totalmente fabricado em território nacional – um avanço que consolida o país como protagonista na produção de aeronaves de alta complexidade.
A cerimônia contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e será realizada no Aeródromo da Embraer, em Gavião Peixoto (SP), simbolizando mais de uma década de investimento estratégico, transferência de tecnologia e desenvolvimento industrial.
O caminho até esse momento começou em 2013, quando o governo brasileiro escolheu a sueca Saab como vencedora de uma concorrida licitação internacional para fornecer 36 caças à Força Aérea Brasileira (FAB). A disputa envolveu gigantes da indústria global, como a Boeing, com o F-18 Super Hornet, e a Dassault, com o Rafale.
O diferencial decisivo foi a proposta da Saab: transferência completa de tecnologia, incluindo acesso ao código-fonte e participação ativa de engenheiros brasileiros no desenvolvimento da aeronave.
Diferentemente das concorrentes, que ofereceram restrições ou garantias limitadas, a fabricante sueca abriu espaço para que o Brasil não apenas adquirisse aviões, mas dominasse o conhecimento necessário para produzi-los e evoluí-los.
Tecnologia nacional e indústria fortalecida
A escolha por um projeto ainda em desenvolvimento, à época, foi estratégica. Isso permitiu que profissionais brasileiros participassem desde as etapas iniciais, absorvendo conhecimento técnico de ponta.
Hoje, componentes essenciais do Gripen já são produzidos no Brasil, incluindo: fuselagem dianteira e traseira, cone de cauda, sistemas de frenagem e instrumentação da cabine. Por isso, das 36 aeronaves contratadas, 15 terão montagem final em solo brasileiro, consolidando a capacidade industrial nacional em todas as fases do ciclo de vida do caça.
Segundo especialistas do setor, esse processo não se limita à produção: envolve também formação de engenheiros, técnicos e pilotos altamente qualificados, criando uma base de conhecimento permanente.
A fabricação do Gripen no Brasil insere o país em um grupo extremamente restrito de nações com capacidade de produzir aeronaves de combate de última geração.
O Brasil é dos brasileiros.
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Fontes: EBC, Aeronáutica, GOVBA, Ministério da Infraestrutura, Ministério dos Transportes


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