MAIOR NÚMERO DE ILETRADOS É IDOSO

A secretária de Educação Rowena Brito e equipe comemoram.Fotos: Amanda Ercilia GovBA
O analfabetismo funciona como um fator estrutural de exclusão, afetando a autonomia individual, a produtividade econômica e a coesão social. Ele não é apenas uma ausência de habilidade, mas um limitador sistêmico de oportunidades. Experiente educador, o governador Jerônimo Rodrigues (ex-secretário de Educação) tem pressa em superar o analfabetismo, durante sua gestão. Isso, além da ‘fábrica’ de colégios de alto gabarito para aqueles que seguem em frente na sua formação como humano, num mundo civilizado. Hoje, a Bahia comemora a marca de 55% de crianças alfabetizadas e supera meta do Ministério da Educação e Cultura.
Os índices de alfabetização na Bahia chegaram a 55%, segundo dados preliminares da Avaliação da Alfabetização, apresentados ontem (24), em coletiva da Secretaria da Educação do Estado, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador.
O levantamento do Ministério da Educação mede o nível de leitura e escrita dos estudantes na idade adequada e mostra como os municípios vêm avançando. O resultado reflete as ações do programa Bahia Alfabetizada, uma iniciativa do Governo do Estado que apoia os municípios com formação de professores, material didático e suporte técnico para garantir que as crianças aprendam a ler e escrever até os 7 anos.
O estado avançou 19 pontos entre 2024 e 2025, ultrapassou a meta de 50% definida pelo MEC e foi o que mais cresceu no país. O número reforça a meta de seguir ampliando o índice até alcançar todas as crianças alfabetizadas aos 7 anos.

O anúncio da boa nova, em entrevista coletiva.
Para a secretária da Educação, Rowenna Brito, o resultado é consequência direta do trabalho conjunto: “É um avanço muito significativo e resultado de um grande esforço coletivo. A alfabetização acontece no município, mas é uma responsabilidade de todos nós. Quando Estado e municípios trabalham juntos, os resultados aparecem. É um esforço conjunto, que envolve formação de professores, apoio às redes municipais e acompanhamento contínuo da aprendizagem”, afirmou.
A avaliação é compartilhada pelos gestores municipais: “Esse resultado reforça que a parceria entre Estado e municípios está no caminho certo. Quando há compromisso com a educação, os resultados aparecem e chegam na ponta, dentro das escolas”, afirmou o prefeito de Andaraí e presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso.
O programa reúne os 417 municípios baianos, em regime de colaboração, e tem foco nos anos iniciais do ensino fundamental. Entre as ações estão a formação de professores, a distribuição de material didático e o suporte técnico às redes municipais, além do acompanhamento do aprendizado. Em 2025, a iniciativa alcançou 98% de adesão dos municípios. O Bahia Alfabetizada também inclui ações para jovens, adultos e idosos, ampliando o alcance das políticas educacionais e contribuindo para reduzir o analfabetismo no estado.

Analfabetos são, na maioria, idosos. Imagem: I.A. Ângulo e Foco.
Analfabetismo é problema antigo
Um rápido olhar para a estrutura etária do analfabetismo, na Bahia e no Brasil, revela um padrão muito claro: Cerca de 60% dos analfabetos na Bahia são idosos. No Brasil, mais da metade também está acima de 60 anos.
Uma implicação técnica, levantada pelos estudiosos, é que o problema atual é menos sobre acesso escolar infantil (que melhorou) e mais sobre um passivo histórico de exclusão educacional.
Os péssimos efeitos do Analfabetismo
O analfabetismo – entendido como a incapacidade de ler, escrever e interpretar textos – produz impactos profundos e cumulativos ao longo da vida. Esses efeitos não são apenas educacionais; eles atravessam dimensões cognitivas, econômicas, sociais e até de saúde.
Seus impactos cognitivos e no desenvolvimento intelectual aparecem principalmente na limitação do pensamento abstrato. A leitura estimula conexões neurais associadas à interpretação, inferência e raciocínio lógico. Sem isso, há menor desenvolvimento dessas capacidades.
Quem é iletrado tem vocabulário reduzido. A linguagem oral tende a ser mais limitada sem o contato com textos escritos, o que o leva a ter dificuldade de aprendizagem contínua. Por isso, o indivíduo depende exclusivamente da oralidade, o que restringe seu acesso a conhecimentos mais complexos.
Claro que, cedo, aparecem os prejuízos educacionais, especialmente em crianças e jovens. Tem sido observado o baixo desempenho escolar, ao longo das séries. Crianças analfabetas ou com alfabetização precária tendem a apresentar atraso em todas as disciplinas.
O problema se agrava com a evasão escolar. A frustração com dificuldades de leitura e escrita aumenta a probabilidade de abandono dos estudos. E piora, por seu efeito cumulativo, quando as lacunas iniciais se ampliam, ao longo do tempo, tornando a recuperação cada vez mais difícil.

A secretária Rowena fala aos jornalistas, ao lado do representante dos municípios.
Consequências econômicas
Toda a dificuldade em adquirir conhecimento resulta em uma natural restrição ao mercado de trabalho. A maior parte das ocupações exige, pelo menos, alfabetização funcional.
Na verdade, o analfabetismo gera pobreza porque o iletrado sempre teria menor renda, ao longo da vida. Está comprovado que existe uma correlação direta entre escolaridade e renda, assim como a maior vulnerabilidade ao desemprego e informalidade daqueles que não leem. Sem qualificação básica, o indivíduo fica restrito a atividades precárias.
No âmbito da coletividade, não saber ler causa impactos sociais e atinge a cidadania. O analfabeto acaba tendo dependência de terceiros para tarefas simples como ler um contrato, receita médica ou instruções.
E esse problema – que vem sendo vencido – se reflete na baixa participação política. O cidadão-eleitor tem dificuldade de compreender propostas, leis e direitos, então reduz o engajamento cívico. Além de sofrer maior exposição à manipulação, acreditando em informações falsas ou enganosas, que são mais difíceis de identificar sem leitura crítica.
Não ser capaz de ler e escrever também traz efeitos na saúde, pela dificuldade de entender prescrições, exames e orientações médicas. Tem pior adesão a tratamentos e erros no uso de medicamentos são mais frequentes e faz menos prevenção, pois as campanhas de saúde pública, muitas vezes, dependem de leitura e interpretação.
Na saúde mental, os analfabetos sofrem mais impactos psicológicos e emocionais, gerando baixa autoestima e a sensação de incapacidade ou exclusão social. Isso o leva a sentir vergonha e ficar no isolamento. Muitos adultos ocultam o analfabetismo, evitando situações que exponham essa limitação. Mas se queixam de ansiedade, em contextos sociais formais, como entrevistas de emprego ou atendimento em serviços públicos.
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Fontes: Secom-SEC-GOVBA
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