BIOENERGIA-MAIS UMA ROTA PRA BAHIA SEGUIR

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O ESTADO CONSOLIDA SEU POTENCIAL

Bahia apresenta potencial da bioenergia e lança um Atlas. Foto: Joá Souza/GOVBA

Entre tantas formas que vão sendo descobertas de gerar energia, sem usar o poluidor petróleo ou grandes quantidades de água, como hoje se faz, desponta a opção de produzir bioenergia, a partir de resíduos vegetais, principalmente. Placas solares, super-baterias e energia eólica já estamos usando corriqueiramente, no Brasil e na Bahia. Mas a energia, a partir de biomassa ainda tem um vasto caminho a percorrer, no nosso País; embora tenhamos a matéria-prima disponível para isso. A Bahia apresenta potencial de bioenergia e reforçou seu protagonismo na transição energética, durante evento internacional, ontem (25).

A Bahia deu mais um passo na consolidação de sua agenda de transição energética ao apresentar, nesse evento, os avanços e o potencial do estado na área de bioenergia. Foi durante o International Brazil Energy Meeting (iBEM), realizado no Centro de Convenções de Salvador. O governador Jerônimo Rodrigues participou do lançamento do Atlas Bioenergia Bahia e assinou o decreto nº 14.880/2025, que institui o Programa Estadual de Transição Energética (PROTENER).

Realizado de terça-feira (24) até hoje (26 ), o iBEM reúne especialistas, gestores públicos e investidores para discutir soluções voltadas a uma matriz energética mais sustentável. Ao sediar o encontro, a Bahia amplia sua inserção no debate internacional e consolida sua posição de liderança nacional na geração de energia eólica e solar.

Durante a agenda, o governador destacou a importância da regulamentação para fortalecer o ambiente de negócios e atrair novos investimentos. “Estamos estabelecendo regras claras para a produção de energia e consolidando a Bahia como referência em uma matriz diversificada, que inclui fontes eólica, solar e de biomassa”, afirmou.

O momento é favorável para o avanço das energias renováveis no país. Dados do Balanço Energético Nacional (BEN) 2025 indicam que as fontes eólica e solar já respondem por 23,7% da geração de eletricidade no Brasil. O número evidencia o crescimento consistente dessas matrizes na composição energética nacional.

Na avaliação do secretário de Infraestrutura do Estado, Saulo Pontes, o lançamento do Atlas representa um marco estratégico: “A Bahia dá um grande passo ao estruturar informações que permitem direcionar investimentos com mais precisão e abrir novas fronteiras na produção de energia limpa”, destacou.

O Atlas da Bioenergia

A relevância da participação baiana no iBEM também se evidencia com a apresentação do Atlas Bioenergia, iniciativa que mapeia o potencial de geração de energia a partir da biomassa, em diferentes regiões do estado. Desenvolvido em parceria com instituições de pesquisa, o estudo vai orientar políticas públicas e impulsionar investimentos em biogás e biometano.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Angelo Almeida, o avanço posiciona a Bahia de forma competitiva no cenário nacional e internacional: “Estamos nos antecipando às demandas do futuro, ao investir em conhecimento e planejamento. Isso nos permite atrair empreendimentos, gerar renda e promover um desenvolvimento econômico sustentável para a população baiana”, afirmou.

O Atlas identifica regiões com maior vocação para a produção de biomassa, como o Oeste baiano, impulsionado pela atividade agrícola, e o Extremo Sul, com potencial associado à indústria de celulose. O estudo também incorpora novas culturas, como a macaúba e o agave, ampliando as possibilidades de diversificação da matriz energética: “Com o Atlas, passamos a contar com um mapeamento detalhado do potencial energético por território, o que traz mais segurança para investidores e contribui para o desenvolvimento do estado”, concluiu Jerônimo Rodrigues.

Potencial baiano em biomassa

A Bahia tem alto potencial para produzir bioenergia, e esse vetor é estratégico, tanto para a economia estadual quanto para a transição energética, em múltiplas escalas (regional, nacional e global). A análise desse setor precisa considerar aspectos importantes: base produtiva, disponibilidade de biomassa, infraestrutura e integração com políticas climáticas.

A Bahia reúne condições técnicas raras no Brasil: Base agroindustrial diversificada, a exemplo de cana-de-açúcar (Oeste e Recôncavo), soja e milho (Luís Eduardo Magalhães e MATOPIBA), eucalipto (Sul e Extremo Sul) e pecuária (resíduos orgânicos), em diversas áreas.

Toda essa produção de commodities gera grande volume de resíduos lignocelulósicos e orgânicos, base da bioenergia. A Bahia tem disponibilidade territorial nas extensas áreas agricultáveis e baixa densidade populacional em regiões produtivas, o que permite expansão do novo setor produtivo sem pressão urbana imediata. Possui, também, infraestrutura energética consolidada, integração ao Sistema Interligado Nacional e forte presença de renováveis (eólica e solar). Tudo isso facilita a hibridização energética, misturando bioenergia + solar + eólica.

As principais rotas de bioenergia a seguirmos, na Bahia, são a da biomassa sólida – o bagaço de cana, descarte na produção de grãos e o cavaco de madeira (eucalipto). Seu uso é na geração termoelétrica, cogeração em indústrias e biogás / biometano, a partir de resíduos agropecuários, aterros sanitários e efluentes industriais.

Esses combustíveis podem substituir o diesel, o gás natural fóssil e os biocombustíveis líquidos como etanol (cana e milho) e o biodiesel da soja. E têm alto potencial futuro, ainda subexplorado.

O papel da bioenergia na matriz energética

No Brasil, aproximadamente, 30% da matriz energética já é renovável de biomassa, principalmente pela sua liderança global em etanol. A bioenergia é o principal diferencial brasileiro na transição energética. No Mundo, a biomassa representa, aproximadamente, 10% da energia global.

O crescimento dessa opção para substituição de fontes não-renováveis é impulsionado pela descarbonização, segurança energética e substituição de combustíveis fósseis. Por isso, é considerada essencial por organismos como a International Energy Agency.

Uma função estratégica dessa modalidade, na transição energética, é que a bioenergia resolve problemas que solar e eólica não resolvem sozinhas: Energia despachável, que pode ser gerada sob demanda, diferente de solar/eólica, que são intermitentes; tem armazenamento indireto, pois a biomassa funciona como “estoque energético natural”; promove a descarbonização de setores difíceis como o transporte pesado e a indústria térmica; além de ter um padrão de economia circular porque aproveita resíduos agrícolas e urbanos.

Os impactos específicos para a Bahia, com o crescimento da bioenergia, são: Econômicos, pela geração de cadeias produtivas regionais; interiorização do desenvolvimento; redução da dependência de combustíveis externos; sociais com a geração de empregos no campo; inclusão produtiva (agricultura familiar); ambientais pela redução de emissões e o aproveitamento de resíduos, pois reduz a pressão sobre aterros.

A produção de etanol, a partir de cavacos de eucalipto. Imagem: I.A. Ângulo e Foco.

Regiões baianas com mais potencial

Na Bahia, a Chapada Diamantina tem um potencial médio, por suas características: Vegetação de transição (Caatinga + Cerrado), existência de áreas de conservação e relevo acidentado; e baixa densidade agroindustrial.

Estudos mostram baixa densidade de biomassa acumulada em várias áreas da Chapada, onde existe biomassa mais associada à vegetação natural (não industrial). Os tipos viáveis são a biomassa nativa (lenha controlada, resíduos vegetais), pequenos sistemas de bioenergia descentralizada e projetos de biogás rural, em escala local.

Mas o Oeste da Bahia tem potencial muito alto de agroenergia, por suas características: na região do MATOPIBA (fronteira agrícola) existe produção intensiva de soja, milho e algodão. Portanto, existe uma geração de resíduos agrícolas em larga escala com o forte crescimento do agronegócio, uma base contínua de biomassa.

Essa biomassa sólida é boa para termoelétricas, para produzir etanol de milho e biogás agroindustrial. A vantagem estratégica é que tem escala industrial, alta mecanização e logística consolidada, o que a torna o principal polo potencial de bioenergia da Bahia.

A região Sul da Bahia tem um potencial muito alto (florestal): uma forte presença de silvicultura (eucalipto), indústria de papel e celulose e alta pluviosidade que produz biomassa densa. Essa região apresenta os maiores estoques de biomassa do estado com o grande volume de resíduos florestais e industriais.

A região tem condições de produzir biomassa concentrada e contínua, já possui cadeia produtiva estruturada e com alta eficiência energética. Por isso, é nosso melhor polo para bioenergia florestal.

Fontes: GOVBA

2 responses to “BIOENERGIA-MAIS UMA ROTA PRA BAHIA SEGUIR”

  1. Avatar de
    Anônimo

    GOVERNADOR JERÔNIMO, GOVERNO LULA JÁ 2026. TUDO DE BOM.

  2. Avatar de
    Anônimo

    👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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