MÁRCIA KAMBEBA E O MINISTRO NO 19 DE ABRIL

A geógrafa e poetisa Márcia Kambeba. Foto: AgBrasil.
O Dia dos Povos Indígenas é celebrado anualmente em 19 de abril e visa reconhecer a diversidade cultural desses povos originários, no Brasil, além de promover a luta por seus direitos.
Foi criado em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, inicialmente com o nome de “Dia do Índio”. A mudança para “Dia dos Povos Indígenas” ocorreu em 2022, por meio da Lei 14.402, refletindo uma maior sensibilidade e respeito pela diversidade das culturas indígenas. A data foi estabelecida em decorrência do Congresso Indigenista Interamericano, realizado em 1940 no México, que buscou discutir e reivindicar os direitos dos povos indígenas na América.
A data é um momento de reflexão sobre a luta dos povos indígenas por seus direitos, terras e culturas. É uma oportunidade para combater preconceitos e promover políticas públicas que garantam a proteção e a valorização das culturas indígenas. Foi constatado um crescimento significativo da população originária no Brasil, destacando a importância desses povos na preservação cultural e ambiental do país.
Desafios e Lutas Atuais
Apesar das comemorações, o Dia dos Povos Indígenas também serve como um lembrete das lutas contínuas enfrentadas pelos povos indígenas, incluindo a demarcação de terras e a preservação de suas culturas diante da urbanização e da exploração de recursos naturais. A mudança de nome da data é vista como uma vitória para o movimento indígena, que busca abandonar termos considerados pejorativos e inadequados.
O Dia dos Povos Indígenas é uma data significativa que não apenas celebra a diversidade cultural dos povos indígenas, mas também destaca a necessidade de continuar a luta por seus direitos e reconhecimento na sociedade brasileira. É um momento para educar e sensibilizar a população sobre a rica herança cultural e os desafios enfrentados por esses povos.
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MÁRCIA WAYNA KAMBEBA
Ay Kakyri Tama: eu moro na cidade
A obra Ay Kakyri Tama é um livro de poesias escrito por Márcia Wayna Kambeba, mulher indígena do povo Omágua/Kambeba, poeta, ativista e doutora em geografia. Com forte caráter autobiográfico, os poemas traçam a ponte entre a origem amazônica da autora e a vida urbana em Belém do Pará. A obra reflete as contradições de viver entre dois mundos: a ancestralidade da aldeia e as exigências da cidade.
Além de destacar a resistência cultural em meio ao apagamento histórico, o livro propõe reflexões profundas sobre identidade, território e pertencimento. Márcia dá voz à realidade de muitos indígenas urbanos, mostrando que viver na cidade não significa deixar de ser indígena. Leitura recomendada para estudantes do ensino fundamental e médio, e também para educadores que buscam ampliar sua compreensão sobre refúgio e migração interna no Brasil.
A autora de hoje, em suas próprias palavras. Quem é?
“Sou Márcia Vieira da Silva, artisticamente sou Márcia Wayna Kambeba, sou indígena da étnia Omágua/Kambeba, (usei esse nome pois quero com ele mostrar dois universos, o não indígena apresentado pelo meu nome Márcia e o indígena representado pelo nome Wayna que é meu nome indígena e Kambeba a minha etnia). Sou geógrafa, mestra em Geografia e pesquiso sobre meu povo envolvendo Território e Identidade em um processo de ressignificação da etnia. Escrevo poemas indígenas relacionados a vivência, território e identidade do povo indígena Omágua/Kambeba e dos povos indígenas em geral, sou cantora, compositora, fotógrafa registrando a vivência dos povos, palestrante de assuntos indigenas e ambiental, professora. Pelo fato de me afirmar indígena e viver na cidade foi que decidi escrever um livro de poemas intitulado Ay kakyri Tama. Eu moro na cidade, onde escrevo sobre assuntos voltados para nós indígenas que vivemos na cidade e lutamos por nosso respeito e afirmação junto aos que vivem nas aldeias. Gosto de escrever assuntos voltados para a questão ambiental, envolvendo a Geografia e os povos indígenas. Também busco registrar a vivência dos povos indigenas, aldeados ou na cidade, através da fotografia que também é um meio de divulgação, além de ser algo que faço com carinho e prazer. Fotografo paisagens e busco apresentar uma relação com a natureza, com a Geografia.”

POESIA DE MÁRCIA KAMBEBA
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EU MORO NA CIDADE
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Eu moro na cidade
Esta cidade também é nossa aldeia,
Não apagamos nossa cultura ancestral,
Vem homem branco, vamos dançar nosso ritual.
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Nasci na Uka sagrada,
Na mata por tempos vivi,
Na terra dos povos indígenas,
Sou Wayna, filha da mãe Aracy .
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Minha casa era feita de palha,
Simples, na aldeia cresci,
Na lembrança que trago agora,
De um lugar que eu nunca esqueci.
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Meu canto era bem diferente,
Cantava na língua Tupi,
Hoje, meu canto guerreiro,
Se une aos Kambeba, aos Tembé, aos Guarani.
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Hoje, no mundo em que vivo,
Minha selva, em pedra se tornou,
Não tenho a calma de outrora,
Minha rotina também já mudou.
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Em convívio com a sociedade,
Minha cara de “índia” não se transformou,
Posso ser quem tu és,
Sem perder a essência que sou,
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Mantenho meu ser indígena,
Na minha Identidade,
Falando da importância do meu povo,
Mesmo vivendo na cidade.
Márcia Wayna Kambeba

O ministro dos Povos Originários, Eloy Terena. Printscreen
MINISTRO FALA SOBRE O ABRIL INDÍGENA
Com o objetivo de propor um resgate da memória ancestral do país, o Ministério dos Povos Indígenas lançou a campanha “Brasil Raiz de Verdade: É Indígena o Berço da Nossa Identidade”. A ação de comunicação percorrerá todo o mês de abril e tem o objetivo de conectar o público à ancestralidade indígena, revelar hábitos e saberes de origem indígena, muitas vezes desconhecidos, e valorizar essa contribuição para a formação da identidade brasileira.
O ministro dos Povos Originários, Eloy Terena, enfatiza, nesta ocasião, que a diversidade indígena precisa ser vista com orgulho pelos brasileiros: “Nós precisamos aprender a conviver com toda essa diversidade e respeitá-la. E essa campanha, essa mensagem do Abril Indígena, vem justamente nesse sentido, para a gente não só reconhecer, mas também valorizar essa raiz dos povos indígenas, porque as raízes do povo brasileiro ainda estão entre nós; nós estamos entre vocês”, ressaltou.
Durante a entrevista, a diversas emissoras, no Bom Dia, Ministro, Eloy Terena falou sobre diversos aspectos, dos quais o Ângulo e Foco destaca, nesta Poesia Dominical, o que ele comentou sobre a importância de se apoiar iniciativas empreendedoras nas comunidades, assim como o turismo indígena, respeitando a territorialidade e a cultura.
Ele ressaltou a criação de um projeto, junto ao Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), que oferecerá capacitação e fomento produtivo para as comunidades, fortalecendo o cooperativismo e o empreendedorismo indígena.
Sobre o etnoturismo, ou turismo dos povos originários, o ministro destacou o apoio à prática bem gerida, quando se é coordenada pelos povos originários, gerando imersão cultural ao visitante e também retorno econômico para as próprias comunidades ancestrais.

O ministro Terena, durante a entrevista. Imagem:Printscreen.
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Fontes: SecomGOVBR, Recanto das Letras, EducaMaisBrasil


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