GOVERNO VAI AGIR PARA RESOLVER O PROBLEMA

O jogos provocam compulsão incontrolável. Imagem: I.A. Ângulo e Foco.
Os brasileiros gastam cerca de R$ 30 bilhões em bets por mês, estima o Banco Central. O avanço das bets e o vício nesses joguinhos de apostas online via celular tem gerado preocupação crescente em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde a proteção ao consumidor e a educação financeira costumam ser mais frágeis. Esse risco para a economia doméstica no País vem mobilizando o presidente Lula e sua equipe para resolver o problema que aflige tantas famílias, principalmente com o impacto internacional sobre as economias, causado pela guerra EUA-Israel-Irã.
Um dos efeitos, sentidos na economia brasileira, é o endividamento familiar, principalmente agravados pelos jogos de azar das chamadas bets. Em audiência da CPI das Bets, no Senado, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, informou que os bancos consideram pessoas que apostam como clientes de risco elevado de inadimplência, por isso cobram juros mais altos.
Os brasileiros apostam cerca de R$ 30 bilhões por mês, segundo estimativas do BC, divulgadas dia 8 passado. Segundo revelou o secretário-executivo do BC, Rogério Lucca, a estimativa inicial era de que os apostadores aplicavam cerca de R$ 20 bilhões por mês em bets, mas a projeção subiu, após a regulamentação do setor, implementada a partir de janeiro deste ano:
“Essas instituições passaram a ter uma conta específica no banco para esse tipo de atividade. Com base nessa identificação e com dados mais concretos, a gente ratificou esse valor de R$ 20 bilhões, porém, mais recentemente, ficou claro que podemos chegar a R$ 30 bilhões por mês”, disse Lucca.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, esclareceu, na ocasião, que os bancos já consideram as apostas como fator de risco durante a análise de crédito. Segundo ele, os apostadores são considerados clientes de alto risco pelos bancos que, consequentemente, cobram taxas de juros mais altas para conceder o empréstimo.
Preocupação social no mundo
O crescimento das bets e suas apostas viciantes vem atingindo várias economias pelo mundo. Seus riscos para a economia doméstica incluem:
1. Comprometimento da renda familiar: Com acesso facilitado pelo celular e incentivos como “bônus de boas-vindas”, muitos usuários destinam parte significativa do salário ou de benefícios sociais a apostas, reduzindo recursos para alimentação, saúde e moradia.
2. Endividamento acelerado: A busca por “recuperar perdas” leva ao uso de cartões de crédito, empréstimos consignados ou agiotagem. Em países com juros reais elevados, a dívida cresce rapidamente.
3. Substituição do consumo produtivo: Dinheiro que poderia ir para poupança, pequenos negócios ou educação é desviado para plataformas com retorno esperado negativo (devido à vantagem da casa). Isso reduz a mobilidade social e a resiliência a choques econômicos.
4. Efeito multiplicador negativo: A economia doméstica em países em desenvolvimento tem forte participação do comércio local e serviços informais. Apostas retiram liquidez desses circuitos, prejudicando pequenos empreendedores.
5. Normalização cultural e vulnerabilidade digital: A publicidade massiva e a ‘gamificação’ de bets atingem especialmente jovens e pessoas com menor escolaridade financeira, criando hábitos prejudiciais de longo prazo.
Estudos recentes no Brasil, África do Sul e Índia mostram correlação entre crescimento de apostas online e aumento de inadimplência, busca por empréstimos de curto prazo e relatos de violência doméstica por perdas financeiras. A falta de regulação eficaz (como limites de depósito, alertas de tempo de jogo e restrição a formas de pagamento com crédito) agrava o quadro.

Lula fala do problema do endividamento, em visita à CAOA. Foto: RicardoStuckert/PR
Governo Federal se mobiliza
Em visita à fábrica de veículos CAOA, Lula também detalhou o problema e um plano para combater o endividamento das famílias, criticando o consumo impulsivo via celular. Ele garantiu que o governo usará a Polícia Federal e Procons para impedir que a Guerra no Irã encareça o preço dos alimentos e combustíveis no Brasil.
O presidente Lula avalia, também, a inclusão do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) entre as medidas que pretende tomar para reduzir o endividamento das famílias.
Em entrevista a três veículos de comunicação, Lula disse que ainda não pode adiantar o que tem sido discutido, mas assegurou que será uma resposta sólida: “Vai ter coisa boa – disse. – Nós estamos pensando em vários setores. É um trabalho meticuloso. Exige muita seriedade. Estou envolvendo todas as pessoas que têm alguma coisa a ver com isso para que, quando a gente anunciar, possa ter um efeito no bolso das pessoas. A gente vai ter que incluir como é que a gente vai aliviar a conta do cara que fez um crédito para estudar e que está com dificuldade de pagar” – avisou Lula.
Após criticar a venda da BR Distribuidora pelo governo, que considerou “equivocada”, abordou o impacto econômico da guerra EUA-Irã que, segundo ele, “afeta as decisões tomadas pelo Governo do Brasil para evitar que o conflito tenha impactos severos sobre os preços no Brasil”.

Entrevista concedida aos jornalistas Leonardo Attuch (Brasil 247), Kiko Nogueira (DCM) e Renato Rovai (Revista Fórum). Foto: Ricardo Stuckert/PR
Só para lembrar, o governo já retirou o PIS/Cofins dos impostos do óleo diesel, foi feito um acordo com os governos dos estados, dando uma subvenção: eles abrem mão de uma parte dos ICMS e recebem subvenção de outra parte. Tudo para não permitir que o preço do combustível chegue ao preço do feijão, ao preço da salada, ao preço do pão e, muito menos, ao tanque de um caminhoneiro autônomo.
“Se a gente tivesse a BR na nossa mão – disse o presidente – o aumento de preço seria controlado por nós. Na privatização da BR, está descrito que se a gente quiser readquiri-la, só a partir de 2029”, explicou Lula, lamentando a privatização com prejuízo, da refinaria e da distribuidora, pelo governo Bolsonaro.
Segundo ele, o país reúne todas as condições para assegurar seu lugar entre as maiores potências econômicas do planeta. “O Brasil pode estar entre as quatro ou cinco economias do mundo”, afirmou.
Economia cresceu 2,3% em 2025
No início de março, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro atingiu R$ 12,7 trilhões no ano passado, com a agropecuária como o principal motor do PIB nacional. A expansão de 2,3% da economia brasileira em 2025 posiciona o Brasil na sexta posição do ranking de crescimento do G20, grupo das maiores economias do mundo. A lista é liderada pela Índia, que apresentou um salto de 7,5% na comparação com 2024. O Brasil aparece imediatamente à frente dos Estados Unidos, maior potência econômica do mundo, que teve crescimento de 2,2%.

Ao analisar o momento da economia brasileira e as perspectivas do país para os próximos anos, Lula mostrou otimismo. Foto: Ricardo Stuckert / PR.
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Fontes: Ag. Brasil/EBC, Senado.


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