… E ATÉ A HIPERTENSÃO QUE RESISTE A REMÉDIOS


Uma cobaia com sintomas de depressão se curou. Imagem sibya / Pixabay.
A depressão – causada por esse período alucinado em que vivemos – é uma das principais causas de incapacidade, a nível mundial, afetando centenas de milhões de pessoas. Alguns pacientes desenvolvem formas resistentes ao tratamento, em que há incapacidade de sentir prazer em atividades que antes lhes davam satisfação. A China está descobrindo um tratamento revolucionário para essa doença, com a ajuda de ratos, como cobaias. Esse animal também está colaborando na pesquisa para o tratamento de pressão alta, em pessoas que tomam medicamentos e estes não funcionam. O Ângulo e Foco, hoje, se dedica a essas possibilidades de cura que deverão salvar milhões de pacientes.
Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de depressão, tornando-se um dos transtornos mentais mais comuns, que afeta pessoas de todas as idades, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Este transtorno é a principal causa de incapacidade global e contribui significativamente para a carga de doenças em nível mundial.
Cientistas chineses transplantaram células cerebrais humanas em ratos. A depressão desapareceu, quando os investigadores conseguiram transformar células estaminais humanas em neurônios produtores de dopamina e transplantá-los para as cobaias, conseguindo reduzir comportamentos depressivos e aumentar sensações de prazer.
Quando implantadas em ratos, condicionados ao comportamento depressivo, as células neuronais desenvolvidas ajudaram a aliviar sintomas como ansiedade e resignação, ao mesmo tempo que reforçaram a capacidade de desfrutar de experiências gratificantes.
Este avanço pode vir a ser utilizado no tratamento de distúrbios neuropsiquiátricos, atuando diretamente na reparação de regiões do cérebro, responsáveis pela regulação do humor, revela o jornal South China Morning Post.
Os autores do estudo, num artigo publicado na semana passada na revista Cell Stem Cell, afirmaram: “Este trabalho demonstra que a terapia celular pode ser utilizada para reconstruir circuitos neurais disfuncionais, causadores de distúrbios psiquiátricos”, afirmam.

Os estados depressivos atingem de jovens a idosos. Foto: AF.
Como foi o experimento
Alguns pacientes desenvolvem formas resistentes ao tratamento, frequentemente associadas à incapacidade de sentir prazer em atividades que antes lhes davam satisfação (anedonia). Esta condição pode persistir, mesmo quando outros sintomas de depressão melhoram.
Os neurônios responsáveis pela produção de dopamina – neurotransmissor chave na motivação, recompensa e movimento – desempenham um papel central na anedonia. A diminuição dessa atividade dopaminérgica está associada a estados depressivos. Esses neurónios são o A8, A9 e A10. Os neurónios A10 são particularmente importantes em comportamentos relacionados com recompensa e motivação. A sua disfunção tem sido ligada a depressão, esquizofrenia e dependência de drogas, tornando-os um alvo promissor para terapias.
Células estaminais humanas, capazes de se transformar em qualquer tipo celular (pluripotentes), já tinham sido utilizadas para gerar neurônios dopaminérgicos A9. No entanto, a produção eficiente de neurônios A10 tinha-se mostrado até agora difícil de atingir.
Ao longo do estudo, uma equipe da Academia Chinesa de Ciências na Universidade Fudan, em colaboração com a empresa UniXell Biotechnology, desenvolveu uma técnica para gerar neurônios semelhantes aos A10, aplicando uma combinação específica de químicos, numa fase determinada da diferenciação celular. Os neurônios resultantes apresentaram as mesmas propriedades biotecnológicas e elétricas que os neurônios A10 naturais.
Quando transplantados em ratos expostos a stress crônico – modelo de depressão com sintomas de resignação e perda de prazer -, os neurônios conduziram a comportamentos comparáveis aos observados com antidepressivos. Observou-se uma redução da anedonia e do desespero comportamental, um estado em que os animais deixam de tentar escapar de situações de perigo, tornando-se imóveis.
Os investigadores verificaram que os neurônios transplantados se integraram eficazmente nos circuitos neurais, recebendo sinais dos neurônios circundantes, o que demonstra o potencial desta abordagem para reparar vias dopaminérgicas danificadas.
Segundo a equipe, a especificidade da terapia celular oferece uma vantagem sobre os fármacos convencionais, uma vez que reduz significativamente os efeitos secundários indesejados.
“Este estudo fornece uma prova sólida de conceito para o uso de neurônios A10, em terapias clínicas contra a depressão grave e abre caminho a novas aplicações da terapia celular em distúrbios psiquiátricos”, concluem os investigadores.

A pressão alta pode se estabilizar em casos especiais. Imagem: McRonny / Pixabay.
A hipertensão também na mira da Ciência
Cientistas brasileiros e neozelandeses podem ter descoberto uma nova causa de hipertensão e, ainda bem, já sabem como tratar. Em estudos, eles descobriram que uma área no cérebro causa a constrição dos vasos sanguíneos, o que ajuda a explicar porque há pacientes que continuam com a pressão alta mesmo sendo medicados.
Um estudo recentemente publicado na Circulation Research identificou um mecanismo cerebral pouco conhecido que pode contribuir para a hipertensão. Os investigadores descobriram que uma pequena região do tronco cerebral, conhecida como área parafacial lateral, desempenha um duplo papel – na regulação da respiração e da pressão arterial. Embora já se saiba que esta região controla as expirações vigorosas, como as que ocorrem durante o exercício ou a tosse, o estudo revela que pode também desencadear a constrição dos vasos sanguíneos, levando ao aumento da pressão arterial.
A descoberta pode ajudar a explicar porque cerca de 40% dos doentes continua a apresentar hipertensão descontrolada, mesmo com o uso de medicamentos. Os cientistas sugerem que a região cerebral pode ligar alterações sutis nos padrões respiratórios ao aumento da atividade da resposta de “luta ou fuga” do corpo, responsável pela regulação das funções cardiovasculares.
Os ratos sempre ajudando
Para estudar esses casos, os cientistas realizaram experiências com ratos, utilizando técnicas genéticas para ativar e desativar neurônios específicos da região. Eles monitoraram sinais nervosos relacionados com a respiração, a atividade do sistema nervoso simpático e os níveis de pressão arterial. Quando os neurônios eram ativados, os animais apresentavam um aumento da pressão arterial, devido à estimulação de outros circuitos neurais. Por outro lado, quando a região era desativada, nos ratos hipertensos, os níveis de pressão arterial voltavam ao normal.
As conclusões também fornecem informações sobre a relação bem estabelecida entre a apneia do sono (parar de respirar dormindo) e a hipertensão. Durante a apneia do sono, os níveis de oxigênio descem e os de dióxido de carbono aumentam, o que também ativa a mesma região cerebral identificada no estudo. Isto sugere que os distúrbios respiratórios noturnos podem contribuir indiretamente para a hipertensão sustentada.
Apesar dos resultados promissores, os investigadores alertam que o estudo foi realizado em modelos animais, o que significa que são necessárias mais pesquisas para confirmar se os mesmos mecanismos operam em humanos. No entanto, as implicações são significativas, sobretudo tendo em conta que a hipertensão afeta cerca de um terço da população mundial e é um importante fator de risco para doenças cardíacas, acidente vascular cerebral e até demência.
Animada, a equipe já começou a explorar possíveis abordagens de tratamento. Em vez de atacar o cérebro diretamente, o que pode ser desafiante, os investigadores estão a concentrar-se nos corpos carotídeos, que são pequenas estruturas sensoriais no pescoço que podem influenciar a região cerebral em questão.
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Fontes: ZAPaeiou e South China Morning Post
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