DIA DO TRABALHADOR – TRINCHEIRA DE LUTA

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HISTÓRIA HOJE COM O CONGRESSO INIMIGO DO POVO – POESIA DE VINICIUS

Ninguém pode negar. O Brasil vive um ambiente político – manifestado descaradamente pelo Congresso Inimigo do Povo – de ataques aos trabalhadores e de defesa cega dos milionários e criminosos do País. Ainda bem que o brasileiro não se dobra e este dia 1ª de maio também deverá entrar para nossa história. As centrais sindicais promovem hoje, Dia do Trabalhador, atos descentralizados pelo Brasil com a reivindicação central pelo fim da injusta escala 6 X 1. Leia um pouco da história dessa data e o forte poema de Vinícius de Moraes “Operário em Construção”.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) publicou ontem, em nota publicada no site da entidade, um resumo da história dessa data, afirmando: “A luta pela redução da jornada de trabalho, sem redução de salários, ganha protagonismo neste ano e expressa a urgência por mais qualidade de vida e condições dignas para quem vive do trabalho”.

O Ângulo e Foco traz um pouco dessa história, fundamental na luta por justiça social: O Dia do Trabalhador tem origem na greve de 1º de maio de 1886, em Chicago, nos Estados Unidos, quando trabalhadores lutaram por uma jornada de trabalho de oito horas. Remonta a um período de intensa mobilização operária no final do século XIX.

Naquele ano, trabalhadores de Chicago iniciaram uma greve geral para exigir a redução da jornada de trabalho, que chegava a 17 horas diárias, para oito horas, enfrentando repressão policial que resultou em prisões e mortes, episódio conhecido como a “tragédia de Haymarket“. O movimento inspirou a criação do Dia Internacional dos Trabalhadores, estabelecido pela Internacional Socialista em 1889, como um dia de luta e homenagem aos trabalhadores.

Data de luta dos nossos trabalhadores

No Brasil, a data começou a ser celebrada informalmente no início do século XX e foi oficializada em 1924, durante o governo de Artur Bernardes. Durante a gestão de Getúlio Vargas, a celebração passou a ser chamada de “Dia do Trabalho”, sendo utilizada como instrumento político para promover a legislação trabalhista, como a criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e aumentos do salário mínimo, transformando a data em uma festa nacional que homenageava o trabalho em si, mais do que os trabalhadores individualmente.

Além do contexto histórico e político, o dia também é associado a São José Operário, padroeiro dos trabalhadores, reforçando o caráter simbólico da data. Atualmente, o 1º de maio é feriado nacional no Brasil, consolidado por lei, e celebrado em diversos países como um símbolo da luta por direitos trabalhistas e melhores condições de trabalho.

Depois de apreciar, a seguir, a forte poesia de Vinicius de Morais, leia um resumo da história do 1º de Maio no Brasil.

Na foto, Vinícius lê seu poema em apoio às greves do ABC Paulista.

POEMA DE VINÍCIUS PARA OS TRABALHADORES

‘Operário em construção’ (1959)

“E foi assim que o operário

Do edifício em construção

Que sempre dizia sim

Começou a dizer não.

E aprendeu a notar coisas

A que não dava atenção:

Notou que sua marmita

Era o prato do patrão

Que sua cerveja preta

Era o uísque do patrão

Que seu macacão de zuarte

Era o terno do patrão

Que o casebre onde morava

Era a mansão do patrão

Que seus dois pés andarilhos

Eram as rodas do patrão

Que a dureza do seu dia

Era a noite do patrão

Que sua imensa fadiga

Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!

E o operário fez-se forte

Na sua resolução.”

(Vinicius de Moraes)

Um Dia de Luta Popular no Brasil

É curioso e educativo acompanharmos a trajetória O Dia do Trabalhador, no nosso País, com base no texto das entidades organizadoras, com destaque para a CUT: “É uma data marcada por manifestações, greves, comícios e celebrações, em defesa dos direitos da classe trabalhadora. No Brasil, a história do 1º de Maio é também a história da organização popular, da mobilização sindical e da resistência contra regimes autoritários e políticas que atacam direitos sociais e trabalhistas. Desde o fim do século XIX, passando pela Era Vargas, a ditadura militar e o período democrático, a data sempre refletiu o grau de organização e consciência da classe trabalhadora brasileira.”

A primeira manifestação do 1º de Maio, no Brasil, ocorreu em 1891, em Santos (SP), organizada por trabalhadores anarquistas. A comemoração foi dispersada pela polícia, mas marcou o início de uma tradição de mobilização que se fortaleceria nas décadas seguintes.

Registros históricos revelam que houve uma concentração na região portuária, com discursos sobre a exploração do trabalho, a necessidade de união entre os trabalhadores e a defesa da jornada de oito horas diárias. A mobilização, no entanto, foi vista com desconfiança e reprimida pelas autoridades locais. A polícia dispersou os manifestantes, e parte da imprensa da época tratou o evento com hostilidade, caracterizando-o como “subversivo” ou “estrangeiro”.

Na chamada República Velha, apareceu, na luta trabalhista, o protagonismo anarquista e a repressão. A manifestação mais marcante foi a greve geral de 1917, iniciada em São Paulo, em julho, e que se espalhou por outras capitais, como Rio de Janeiro e Porto Alegre. Organizada por sindicatos livres, associações de classe e imprensa operária, a paralisação conquistou aumento de salários e libertação de presos políticos.

Em todo o país, a greve geral envolveu 50 mil operários, e durou uma semana. Muitos sindicatos foram fechados, seus líderes presos ou deportados. A elite política e econômica via com desconfiança qualquer mobilização operária que ameaçasse a “ordem social”. A grande greve de 1917 teve 200 mortos, incluindo operários e policiais, segundos documentos do Arquivo do Senado Federal.

Oficializado como feriado

Em 1924, o 1º de Maio foi oficializado como feriado. A data deixava de ser apenas um momento de protesto operário para se tornar uma celebração “legal” e “nacional”. Mesmo com o feriado oficial, muitas manifestações operárias continuaram sendo reprimidas nos anos seguintes, especialmente quando incluíam críticas ao sistema político ou reivindicações salariais.

Na Era Vargas, o 1º de Maio passou a ser instrumento de propaganda. Com a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, o 1º de Maio passou a ser institucionalizado. Em 1925, a data foi oficialmente reconhecida como feriado nacional. Vargas buscava legitimar o projeto de um Estado interventor, que conciliava capital e trabalho sob sua tutela, induzindo o desenvolvimento. Foi em 1º de maio de 1940, por exemplo, que Vargas anunciou a criação do salário mínimo, uma das conquistas mais emblemáticas da legislação trabalhista.

A celebração do 1º de Maio de 1943 entrou para a história como um dos momentos mais emblemáticos do trabalhismo no Brasil. Em ato simbólico e político, Vargas, anunciou a promulgação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) — um marco na legislação brasileira que unificou e sistematizou os direitos trabalhistas então dispersos em decretos e leis avulsas.

O evento foi realizado em um grande comício no Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro. O local, lotado de trabalhadores convocados por sindicatos controlados pelo Estado, foi o palco escolhido para reforçar a imagem de Vargas como o “Pai dos Pobres” e patrono do trabalhador brasileiro.

Durante seu discurso, Vargas exaltou o papel do Estado como garantidor da justiça social e se apresentou como defensor da harmonia entre capital e trabalho. “A Consolidação das Leis do Trabalho constitui o monumento jurídico da Era Vargas”, afirmou o presidente diante de milhares de pessoas. Mas completou com o autoritarismo esperado: “Nenhuma organização social subsiste sem disciplina, e nenhuma disciplina se impõe sem autoridade”, acrescentou, justificando o controle estatal sobre os sindicatos e o regime corporativista que marcava sua política trabalhista.

Ditadura militar: repressão e resistência

Com o golpe civil-militar de 1964, o movimento sindical sofreu nova onda de repressão. As centrais sindicais foram dissolvidas, e os sindicatos foram colocados sob rígido controle do Estado. A data de 1º de Maio voltou a ser apropriada por governos autoritários, com discursos ufanistas, desfiles militares e presença obrigatória de trabalhadores.

Apesar da repressão, a resistência crescia nas fábricas, nas periferias e nas igrejas. Durante os anos 1970, o movimento sindical começou a se rearticular a partir das oposições sindicais, especialmente no ABC paulista, berço de importantes greves operárias entre 1978 e 1980.

O sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, durante a Greve do ABC paulista.

Surge uma estrela

Em 1979, metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, entraram em greve exigindo 78% de reajuste salarial. Assembleias lotaram o estádio da Vila Euclides e, apesar da greve ser declarada ilegal, o movimento persistiu. A mais marcante dessas assembleias foi a de 1º de maio daquele ano com 150 mil trabalhadores liderados por uma pessoa que mudaria a história desse país: Luiz Inácio Lula da Silva. Lula propôs uma trégua. A greve terminou com um reajuste de 63% e o sindicato retomou sua gestão. Nascia o embrião do novo sindicalismo brasileiro.

Em 1983, nasce a Central Única dos Trabalhadores (CUT), fruto do acúmulo de experiências das lutas dos anos anteriores. A CUT surgiu como alternativa democrática e autônoma frente ao sindicalismo pelego. Desde então, tornou-se protagonista das manifestações de 1º de Maio, articulando categorias diversas, como professores, bancários, servidores públicos, trabalhadores rurais e operários industriais.

Os anos 1990 foram marcados pelo neoliberalismo e resistência. Durante os governos de Collor e FHC, a classe trabalhadora enfrentou ofensivas neoliberais com privatizações, flexibilização de direitos e aumento do desemprego. O 1º de Maio foi marcado por protestos contra as reformas trabalhistas e previdenciárias, a criminalização de greves e os ataques às estatais.

Nos anos 2000, o movimento se manteve com mobilizações e críticas. Com a chegada de Lula à presidência em 2003, parte da militância sindical esperava avanços nas políticas públicas e maior valorização do trabalho. De fato, houve ganhos importantes, como a política de valorização do salário mínimo, a ampliação de direitos previdenciários e o crescimento do emprego formal.

Nesse tempo, os atos de 1º de Maio passaram a incluir temas como igualdade racial, direitos das mulheres, combate à homofobia e democratização da mídia.

Na década de 2010, a história foi marcada por golpes e retrocessos. A partir de 2015, com a intensificação da crise política, os atos de 1º de Maio voltaram a ganhar contornos de resistência mais intensa. Em 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff – considerado um golpe pela CUT e outras entidades – o 1º de Maio foi marcado por protestos contra o governo de Michel Temer e sua agenda de desmonte de direitos.

Um dos momentos mais emblemáticos foi o 1º de Maio de 2017, quando milhões de trabalhadores saíram às ruas contra a reforma trabalhista que acabaria sendo aprovada no Congresso.

Em anos mais recentes, passamos pela pandemia, a tragédia Bolsonaro e a retomada da esperança. Durante a pandemia, os atos de 1º de Maio foram virtuais ou com público reduzido, mas a luta não cessou. A CUT teve papel crucial na defesa do auxílio emergencial, na denúncia das condições precárias de trabalho de entregadores de app e na luta por vacina para todos.

Com a eleição de Jair Bolsonaro, as centrais intensificaram a resistência. O 1º de Maio de 2021 teve como lema “vida, emprego, democracia e vacina para todos”, unificando diversas entidades. Em 2022, a CUT denunciou os ataques às urnas eletrônicas e defendeu a democracia diante das ameaças golpistas.

Com o retorno de Lula à presidência em 2023, os atos de 1º de Maio voltaram às ruas. A CUT participou da organização do comício em São Paulo com o tema “Emprego, renda, direitos e democracia”. As pautas incluíram a revogação da reforma trabalhista de 2017, valorização do salário mínimo, combate à fome e justiça fiscal.

Como se vê, a luta em defesa dos trabalhadores ainda é uma necessidade, até que o Brasil seja um Estado de Justiça Social.

Fontes: CUT, Agência Senado, TVT News, Wikipédia e Leituras Livres

2 responses to “DIA DO TRABALHADOR – TRINCHEIRA DE LUTA”

  1. Avatar de
    Anônimo

    DEUS COM CERTEZA ESTÁ EM LUZ DE PROTEÇÃO DIVINA COM O PRESIDENTE LULA, A MELHOR OPÇÃO PARA QUEM TEM AMOR E DESEJA UMA MELHOR QUALIDADE DE VIDA PARA O TRABALHADOR BRASILEIRO. A JUSTIÇA DIVINA É INFINITA, A FAVOR DA DEMOCRACIA DO BRASIL. PRESIDENTE LULA 2026 E GOVERNADOR JERÔNIMO, AS MELHORES OPÇÕES PARA 2026. 13 JÁ.

  2. Avatar de
    Anônimo

    Excelente leitura (e pesquisa) para uma data importante.

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