DRUMMOND, CORA CORALINA E QUINTANA


Um dia celebrado em todas as línguas. Imagem: I.A. Ângulo e Foco.
O Dia das Mães é para celebrar, mas também para recordar. Algumas mães seguram nossas mãos na vida, e algumas continuam a nos guiar, através de memórias, orações e sonhos. Se você é mãe, é um dia para comemorar com os filhos e netos; se é, ainda, apenas filha ou filho, é um dia para louvar quem lhe deu ‘régua e compasso’ para traçar seu rumo; e, também, para dar a quem o/a gerou, o crédito dos aprenderes acumulados, num ambiente de amor. Se é mãe pobre, ainda mais louvores merecerá; se tem meios seguros de manter a vida familiar, valorize o Amor recebido, gestado e doado, sem pensar nos custos e gastos. Na Poesia Dominical do nosso Ângulo e Foco de hoje, deixemos nossos pensamentos voarem, até o coração da mãe geradora e criadora, esteja ela ainda pisando neste solo instável que nos cerca, ou ocupando seu lugar reparador na Eternidade. Todas a mães têm memórias de dor e de alegrias, assim como nós. Hoje é dia de desatar os nós e esticarmos a linha da vida com a segurança que dela herdamos. De lermos palavras que brotam, doces, de Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina e Mário Quintana sobre a Mãe.

Drummond Foto: Correio do Estado.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
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Para Sempre
.
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
.
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
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Cora Coralina. Foto: Revista Biografia.
CORA CORALINA
.
Mãe
.
Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.
Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições…
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.
Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.
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Quintana, numa foto de O Tempo.
MÁRIO QUINTANA
.
Mãe
.
Mãe! São três letras apenas
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais…
E nelas cabe o Infinito
E palavra tão pequena
– confessam mesmo os ateus –
É do tamanho do Céu!
E apenas menor que Deus…
—
Fonte: O Pensador


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