POESIA DOMINICAL O AFEGÃO RÛMI

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DA MESOPOTÂMIA, JALALADIM MAOMÉ RÛMI.

A tradução de seu primeiro nome é: “Majestade da Religião”.

O Ângulo e Foco, na Poesia Dominical de hoje, visita o respeitado e festejado poeta afegão Maulana Jalaladim Maomé, também conhecido como Rumi de Bactro (em francês), ou ainda apenas Rumi ou Mevlana. Se você ainda não conhece, com certeza já ouviu falar dele. Foi um poeta e teólogo sufi, de origem persa, do século XIII. Seu nome significa literalmente “Majestade da Religião”. Jalal significa “majestade” e Din significa “religião”. Rumi é, também, um nome descritivo, cujo significado é “o romano”, pois ele viveu grande parte da sua vida na Anatólia, que era parte do Império Bizantino, dois séculos antes.

A província persa de Bactro, onde nasceu, fica atualmente no Afeganistão. A região estava, nessa época, sob a esfera de influência da região de Coração e era parte do Império Corásmio. Viveu a maior parte de sua vida sob o Sultanato de Rum, no que é hoje a Turquia, onde produziu a maior parte de seus trabalhos e morreu em 1273. Foi enterrado em Cônia e seu túmulo tornou-se um lugar de peregrinação. Após sua morte, seus seguidores e seu filho, Sultan Walad, fundaram a Ordem Sufi Mawlawīyah, também conhecida como ordem dos dervishes girantes, famosos por sua dança sufi, conhecida como cerimônia samā.

Escritos em ‘novo persa’

Os trabalhos de Rumi foram escritos em novo persa. Uma renascença literária do século VIII/IX que começou nas regiões de Sistão, Coração e Transoxiana e, por volta do século X/XI, ela substituiu o árabe como língua literária e cultural no mundo islâmico persa.

Embora os trabalhos de Rumi houvessem sido escritos em persa, a importância de Rumi transcendeu fronteiras étnicas e nacionais. Seus trabalhos originais são extensamente lidos em sua língua original em toda a região de fala persa. Traduções de seus trabalhos são bastante populares no sul da Ásia, em turco, árabe e nos países ocidentais. Sua poesia também tem influenciado a literatura persa, bem como a literatura em urdu, bengali, árabe e turco. Seus poemas foram extensivamente traduzidos em várias das línguas do mundo.

Detalhes de sua Biografia

Rûmî é filho de um renomado teólogo e mestre sufi: Bahâ od Dîn Walad (1148-1231), apelidado de “sultão dos eruditos”.

Em 1273, depois de muito peregrinar e seguir mestres eruditos, Rumi adoece e entende que sua hora chegou. Ele falece num domingo à noite, no dia 17 de dezembro, que agora é a data de aniversário da celebração do shab-i arus, uma cerimônia de casamento mística. É dentro de seu convento que Rumi está enterrado, sob uma cúpula verde chamada Qubba-i Hadra, construída em 1274. Ele repousa sob um sarcófago de nogueira, uma obra-prima da arte seljúcida, esculpida por Selimoglu Abdülvahid, que se tornou um importante centro de visitação.

Túmulo de Rumi em Cônia, Turquia.

A POESIA DE RUMI

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O pão do meu verso

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Meu verso é como o pão do Egito:

a noite passa sobre ele e já não pode mais comê-lo.

Devora-o enquanto está fresco,

antes que o recubra a poeira do deserto.

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Seu lugar é o clima cálido do coração,

ele não sobrevive ao gelo deste mundo.

É como um peixe na terra seca:

estremece por um instante e logo perece.

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Se queres comê-lo e o imaginas fresco,

terás de invocar muitos ídolos.

O que agora bebes é tão somente tua imaginação.

Isto não é uma ilusão, companheiro!

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A viagem do sonho

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Com a oração da noite,

quando o sol declina e se esconde,

fecha-se a via dos sentidos

e abre-se o caminho ao não-visto.

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O anjo do sono conduz então os espíritos

como o pastor o seu rebanho.

Para além do espaço, em pradarias transcendentes,

que cidades, que jardins ele nos mostra!

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Quando o sono nos rouba a imagem do mundo,

o espírito contempla mil formas e maravilhas.

É como se habitasse desde sempre essas paragens,

já não recorda a vida na terra,

nem sente cansaço ou tristeza.

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O coração liberta-se por inteiro

do peso do mundo, de toda a opressão,

e já nem percebe os cuidados que lhe são dedicados.

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Quando as uvas se tornam vinho

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Quando as uvas se tornam vinho

imitam nossa capacidade de mudança.

Quando as estrelas giram ao redor do Pólo Norte

anelam nossa consciência que desperta.

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O vinho embriaga-se conosco

e não o contrário.

O corpo cresce a partir de nós

e não o contrário.

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Nós somos as abelhas

e nosso corpo, a colméia.

Fizemos nosso corpo.

Célula por célula, nós o fizemos.

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A mente é um oceano

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A mente é um oceano.

Quantos mundos estão ali girando,

misteriosos, apenas vislumbrados.

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Como uma taça

flutuando no oceano,

assim é o nosso corpo.

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Há de encher e ir ao fundo,

sem que nenhuma bolha

assinale o lugar em que repousa.

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O espírito está tão próximo que não o vês.

Busca-o! Evita ser o cântaro cheio d’água

cuja boca está sempre seca.

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Não te pareças ao cavaleiro

que galopa noite adentro

e não vê a própria montaria.

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Poemas extraídos do  livro “Poemas Místicos – Divan de Shams de Tabriz”, Attar Editorial, 1996. Tradução de José Jorge de Carvalho.

Livro original, que pode ser visto no túmulo de Rûmi.

Fontes: Wikipedia, Recanto do Poeta

Uma resposta para “POESIA DOMINICAL O AFEGÃO RÛMI”

  1. Avatar de
    Anônimo

    VIVA A POESIA UNIVERSAL DO BEM, QUE FAZ BEM! PRESIDENTE LULA E GOVERNADOR JERÔNIMO, DE NOVO, PRO NOSSO BEM.

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