A INCRÍVEL HISTÓRIA DOS COMPUTADORES

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TUDO COMEÇOU EM 1800 COM UM TEAR DE SEDA

O tear manual foi substituído por um sistema de cartões perfurados.

A movimentação frenética das redes sociais de Internet, principalmente em período de eleições e cenários de guerra, despertou a curiosidade do Ângulo e Foco sobre um detalhe crucial: A importância da computação eletrônica atual, no mundo, estabeleceu uma gigante comparação entre o ‘antes e o depois’ do hoje: como tudo começou? Muita gente não sabe a importância da tecelagem da seda, em 1800, para termos, agora, um smartphone e um laptop. Fique sabendo os detalhes dessa evolução.

Em 1839, um tear francês teceu um retrato em seda usando 24 mil cartões perfurados. Esse pedaço de tecido virou o primeiro arquivo de imagem da história – e inspirou Charles Babbage a projetar o primeiro computador do mundo.

Joseph-Marie Jacquard era analfabeto até os 13 anos. Filho de tecelão, criou, em 1801, um sistema de cartões perfurados que usava lógica binária – furo ou não furo, 0 ou 1 – Décadas antes de George Boole formalizar a álgebra que rege todo computador moderno.

O retrato do próprio inventor, impresso em seda, está num mudeu.

O tear “mágico”

Em 1804, Joseph Marie Jacquard construiu um tear inteiramente automatizado, que podia fazer desenhos muito complicados. Esse tear era programado por uma série de cartões perfurados, cada um deles controlando um único movimento da lançadeira. Curiosamente, ele era de um ramo que não tinha nada a ver com números e calculadoras: a tecelagem. Filho de tecelões – e, ele mesmo, um aprendiz têxtil desde os dez anos de idade – Jacquard sentiu-se incomodado com a monótona tarefa que lhe fora confiada na adolescência: alimentar os teares com novelos de linhas coloridas para formar os desenhos no pano que estava sendo fiado.

Mecanismo Jacquard no Musée des Arts et Métiers.

Como toda a operação era manual, a tarefa de Jacquard era interminável: a cada segundo, ele tinha que mudar o novelo, seguindo as determinações do contratante. Com o tempo, Jacquard foi percebendo que as mudanças eram sempre sequenciais. E inventou um processo simples: cartões perfurados, onde o contratante poderia registrar, ponto a ponto, a receita para a confecção de um tecido.

Construiu um tear automático, capaz de ler os cartões e executar as operações na sequência programada. A primeira demonstração prática do sistema aconteceu na virada do século XIX, em 1801. Os mesmos cartões perfurados de Jacquard, que mudaram a rotina da indústria têxtil, teriam, poucos anos depois, uma decisiva influência no ramo da computação. E, praticamente sem alterações, continuam a ser aplicados ainda hoje.

A introdução dos novos teares não foi pacífica: tecelões de Lyon queimaram os teares em praça pública e atacaram Jacquard nas ruas. Mas a matemática venceu: em 1834, eram 30 mil máquinas só em Lyon. E, hoje, cada parâmetro do ChatGPT, por exemplo, cada foto do seu celular, cada linha de código – é descendente direto daquele tear que tecia flores em fio de seda.

Tecendo números: o tear Jacquard e os primórdios da computação

Quando o matemático britânico Charles Babbage lançou seus planos para a Máquina Analítica, amplamente considerada o primeiro projeto de computador moderno, a também matemática Ada Lovelace ficou famosa por afirmar que: “A Máquina Analítica tece padrões algébricos da mesma forma que o tear Jacquard tece flores e folhas.”

O tear Jacquard é frequentemente considerado um precursor do computador moderno porque utiliza um sistema binário para armazenar informações que podem ser lidas pelo tear e reproduzidas repetidamente.

O sistema binário é uma forma de armazenar informações utilizando indicadores com apenas dois estados possíveis. Em um cartão perfurado, cada espaço possui um furo ou não possui furo; essas são as duas configurações possíveis. Com um número suficiente de espaços, é possível armazenar informações complexas dessa maneira. O uso do sistema binário no tear Jacquard representou uma revolução na interação entre seres humanos e máquinas.

Assim como os primeiros computadores, que utilizavam cartões perfurados para armazenar informações, o tear Jacquard emprega cartões perfurados para guardar um padrão de tecelagem, que depois pode ser reproduzido inúmeras vezes. Para programar o tear, um designer primeiro desenha o padrão em papel quadriculado. Em seguida, esse desenho é transferido para os cartões perfurados: um quadrado vazio da grade corresponde a um furo, enquanto um quadrado preenchido corresponde à ausência de furo. Os cartões são então inseridos no cabeçote do tear Jacquard, que os lê e reproduz o padrão.

Fazer um tecido exigia 29 mil cartões perfurados.

Projetado em 1805, o tear Jacquard era capaz de tecer padrões extremamente complexos e detalhados em uma fração do tempo que um mestre tecelão manual levaria para produzir o mesmo trabalho. Isso revolucionou a fabricação de tecidos estampados e decorados, permitindo que fossem produzidos a um custo muito menor e, consequentemente, se tornassem acessíveis a um novo mercado de consumidores da classe média, em vez de permanecerem restritos aos mais ricos da sociedade.

Entretanto, o tear não foi aceito sem resistência quando foi introduzido na indústria. Os mestres tecelões do início do século XIX dedicavam muitos anos para aprender seu ofício, e muitos ficaram indignados ao serem substituídos por uma máquina capaz de realizar o trabalho de forma mais eficiente. Como forma de protesto, alguns trabalhadores começaram a retirar seus sapatos e lançá-los contra os teares, rompendo os fios e tornando as máquinas temporariamente inutilizáveis. Os sapatos usados pelos trabalhadores na França naquela época eram chamados de sabot, e é daí que se originou a palavra “sabotagem”.

O primeiro computador pesssoal lançado no mundo.

Linha do tempo da evolução dos computadores

Mui antes dos computadores (até o século XIX), em 2500 a.C., surgiu o ábaco, considerado a primeira ferramenta de cálculo da humanidade. Somente em 1642, o matemático francês Blaise Pascal cria a Pascalina, uma calculadora mecânica capaz de somar e subtrair. Três décadas depois, em 1673, Gottfried Wilhelm Leibniz desenvolve uma máquina capaz de multiplicar e dividir. Daí em diante, demos o primeiro passo da Era Moderna.

Em 1801, Joseph Marie Jacquard cria o tear Jacquard, controlado por cartões perfurados, conceito que inspiraria a computação moderna.

O nascimento da ideia de computador deu-se entre 1820 e 1900. Em 1822, Charles Babbage projeta a Máquina Diferencial, destinada a cálculos matemáticos automáticos. Em 1837, Babbage apresenta o projeto da Máquina Analítica, considerada o primeiro computador programável da história. Seis anos depois, em 1843, Ada Lovelace escreve o primeiro algoritmo, destinado a uma máquina, tornando-se a primeira programadora conhecida.

Calculadora de cartões.

A era eletromecânica (1890–1945) começou com o desenvolvimento, em 1890, por Herman Hollerith, da utilização de cartões perfurados para processar o censo dos Estados Unidos. Em 1911, surge a empresa que mais tarde se tornaria a IBM. Em 1944, é concluído o Harvard Mark I, um dos primeiros computadores automáticos de grande porte. Entre 1943 e1945, o computador Colossus ajuda os britânicos a decifrar códigos nazistas.

Depois veio a primeira geração eletrônica com o uso das válvulas (1945–1956). Logo em 1946, entra em operação o ENIAC, que ocupava salas inteiras, consumia enorme quantidade de energia, utilizava milhares de válvulas eletrônicas e a programação era feita manualmente. Numa segunda geração, surgiram os transistores (1956–1964).

O transistor substitui as válvulas e os computadores tornam-se menores, mais rápidos e confiáveis. Surgem linguagens como: FORTRAN, COBOL e houve expansão do uso empresarial e científico.

Na terceira geração, vieram os circuitos integrados (1964–1971). Diversos transistores passam a ser reunidos em um único chip. Os computadores ficam mais compactos e surgem sistemas operacionais mais sofisticados, resultando na popularização dos terminais e do processamento compartilhado.

Na quarta geração, chegaram os microprocessadores (1971–2000): Em 1971, a Intel lança o Intel 4004, primeiro microprocessador comercial. Em 1975, surge o Altair 8800, em 1976, comemorando a fundação da Apple; em 1981 deu-se o lançamento do IBM PC e, em 1984, o lançamento do Apple Macintosh.

Na década de 1990, houve uma ‘explosão’ da Internet com a popularização do correio eletrônico e os navegadores web tornam-se comuns.

A atual Era da internet e da mobilidade começou entre 2000 e 2015. A computação em nuvem ganhou força, as redes sociais transformaram a comunicação e os smartphones tornaram-se computadores de bolso. Em 2007, houve o lançamento do iPhone e uma grande expansão da computação móvel e dos aplicativos.

Entre 2015 e 2026, estamos a Era da Inteligência Artificial e da computação avançada, quando o aprendizado de máquina torna-se amplamente utilizado e as redes neurais profundas revolucionam, fazendo tradução automática, reconhecimento facial, diagnóstico médico e veículos autônomos. A computação em nuvem atinge escala global, enquanto computadores quânticos experimentais avançam rapidamente. A I.A. generativa passa a produzir textos, imagens, vídeos e códigos, cresce o uso de agentes de IA em empresas, governos e pesquisa científica.

O céu é o limite!

Agora, está sendo desenvolvida a computação quântica.

Fontes: Museu da Ciência e da Indústria, Wikipedia,

Uma resposta para “A INCRÍVEL HISTÓRIA DOS COMPUTADORES”

  1. Avatar de
    Anônimo

    MARAVILHOSO TRABALHO DE PESQUISA, INFORMAÇÃO INCRIVELMENTE DIDÁTICA, UMA ALEGRIA DE INFORMAÇÕES HISTÓRICA E CIENTÍFICA. ENRIQUECEDORA. GRATIDÃO AO GOVERNO DO PRESIDENTE LULA E AO GOVERNO DO GOVERNADOR JERONIMO. REELEITOS.

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