ENFIM, VAMOS SALVAR A SERRA DA CHAPADINHA

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SERÁ “REFÚGIO DA VIDA SILVESTRE”

Raro exemplar do Guigó-da-Caatinga. Foto: Cristine Prates-conexaoplaneta.

Uma das melhores notícias para os verdadeiros amantes da Natureza – que são contra o avanço, desordenado do desenvolvimento, a qualquer custo – chegou dois dias atrás: A Serra da Chapadinha, que estava sendo agredida, vai ser transformada em Refúgio da Vida Silvestre (REVIS). Uma iniciativa do Governo, sensível ao problema e aos reclamos da sociedade. Os muitos meses recentes foram de grande movimentação, em defesa do local, que é uma importante fonte de água potável para grande parte da Bahia, único refúgio de espécies animais, ameaçadas de extinção e um gigantesco patrimônio de nosso Turismo. Vamos celebrar, juntos, a vitória da sensatez!

No dia 4, foi iniciada pelo Governo da Bahia a etapa de consulta pública, destinada à criação de um Refúgio de Vida Silvestre na Serra da Chapadinha, área situada no sul da Chapada Diamantina, na Bahia. A proposta da nova unidade de conservação contempla a proteção de, aproximadamente, 18,3 mil hectares, distribuídos entre os municípios de Itaetê, Ibicoara e Mucugê.

Como área estratégica para a segurança hídrica, a região integra a Bacia do Rio Una e contribui, tanto para o abastecimento das populações locais quanto para o fornecimento de água à própria Região Metropolitana de Salvador. A iniciativa, que receberá contribuições da sociedade civil até o próximo dia 30 de junho, atende a uma recomendação expressa do Ministério Público Federal (MPF).

A proteção de espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, como o guigó-da-caatinga, bem como a garantia dos modos de vida tradicionais, estão entre os objetivos do REVIS, além da preservação do patrimônio hídrico. Diante do avanço da mineração, do desmatamento e da grilagem na região – conflitos que recentemente resultaram em um grave atentado armado contra lideranças ambientalistas locais -, a formalização da reserva tornou-se ainda mais urgente.

Na região, a ameaça à vida silvestre. Foto: Divulgação

REVIS vai barrar agressões

A importância de lançar luz sobre esses processos reside no fato de que eles demonstram que a criação de Unidades de Conservação vai muito além de um simples procedimento ecológico, constituindo-se em uma barreira institucional essencial para conter a violência estrutural no campo e reduzir os riscos de colapso climático em áreas altamente vulneráveis.

A criação da unidade de conservação também responde a uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF), que defende a adoção de medidas mais rigorosas para proteger uma área considerada estratégica para o equilíbrio ambiental baiano.

A mineração, em Ibiquara, está muito próxima das águas. Foto: Divulgação.

Importância ambiental e segurança hídrica

Integrando a Bacia do Rio Una, a Serra da Chapadinha faz parte do complexo hidrográfico da Bacia do Paraguaçu. O abastecimento de diversas comunidades do interior baiano depende das nascentes e cursos d’água da região, que também exercem papel relevante para a segurança hídrica de vastas áreas da Bahia.

A preservação da vegetação nativa e de espécies ameaçadas de extinção, entre elas o guigó-da-caatinga (Callicebus barbarabrownae), está entre os objetivos do Refúgio de Vida Silvestre, além da proteção dos recursos hídricos. A proposta contempla ainda o incentivo à pesquisa científica, à educação ambiental, à conservação da biodiversidade e à valorização das comunidades tradicionais que habitam o entorno da área.

Alvo de crescentes disputas, envolvendo interesses econômicos, a Serra da Chapadinha passou a figurar, nos últimos anos, no centro de debates e conflitos. Entidades da sociedade civil, moradores e ambientalistas vêm denunciando o avanço da grilagem de terras, da supressão vegetal e de projetos minerários que, segundo defensores da preservação, ameaçam um dos mais importantes patrimônios naturais da Chapada Diamantina.

Uma das lindas cachoeira, a ser protegida pela futura REVIS. Foto: Divulgação.

Ataque a ambientalistas ampliou repercussão do caso

Após o atentado sofrido pelos ambientalistas Alcione Correa e Marcos Fantini, reconhecidos por sua atuação em defesa da Serra da Chapadinha, ganhou ainda mais força o debate sobre a criação da unidade de conservação. Há cerca de um mês, homens armados surpreenderam o casal ao invadir a Pousada Toca do Lobo, em Itaetê, efetuando disparos, destruindo equipamentos e fazendo ameaças, durante a ação.

Segundo os relatos apresentados pelas vítimas, os autores do crime relacionaram o ataque à resistência contra empreendimentos minerários na região. Sistemas de comunicação, equipamentos de monitoramento ambiental e estruturas de energia da propriedade foram destruídos, elevando a preocupação de moradores e organizações ambientais com a intensificação dos conflitos no território.

A motivação, ligada ao conflito ambiental, foi indicada pelos criminosos durante a ação. “E começaram a falar que era por causa da gente que a mineradora ainda não tinha entrado e que nós estávamos atrapalhando o progresso da Chapadinha”, relatou Alcione.

Nesse contexto, a medida surge como um importante passo para assegurar a proteção de uma área considerada estratégica para a conservação da biodiversidade, dos recursos hídricos e dos modos de vida tradicionais da Chapada Diamantina, diante de tantas agressões sobre recursos naturais, indispensáveis ao desenvolvimento sustentável da região. Já podemos comemorar!

Fonte: ((o))eco, Jornal da Chapada, AFlorestal

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