PRIMEIRA DO BRASIL, SERÁ DIRIGIDA POR POLA RIBEIRO

Pola Ribeiro discursa na posse à frente da Bahia Filmes. Foto: Joe Macedo.
A Bahia inaugurou, no fim-de-semana passado, a Bahia Filmes e inicia novo ciclo de investimentos para o audiovisual baiano. Essa produção audiovisual tem sido fundamental para dar voz a narrativas que muitas vezes permanecem marginalizadas, promovendo um diálogo profundo sobre identidade, religiosidade e os desafios sociais enfrentados pela população local. A produção cinematográfica na Bahia ocupa um lugar de destaque, não apenas no cenário cultural brasileiro, mas também como um importante veículo de expressão social e religiosa. Os filmes produzidos com a participação de baianos refletem a riqueza da diversidade cultural do estado, incorporando elementos que vão desde as tradições afro-brasileiras até as questões contemporâneas da sociedade. O governador Jerônimo Rodrigues acertou em cheio ao indicar o cineasta e gestor cultural Pola Ribeiro para “tocar esse barco”.
O Governo da Bahia abriu, ontem (28), a Bahia Filmes, primeira empresa pública estadual dedicada ao audiovisual do Brasil. Vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), a companhia inicia suas operações com a missão de fortalecer a cadeia produtiva do setor, ampliar a atração de investimentos e impulsionar o desenvolvimento econômico, cultural e social a partir do audiovisual.
O ato de lançamento foi realizado na sede da empresa, no edifício Oscar Cordeiro, no bairro do Comércio, em Salvador, e reuniu representantes do Governo da Bahia, profissionais do setor audiovisual, artistas, produtores, comunicadores e instituições parceiras. Além da Bahia Filmes, o edifício recebe a Diretoria de Audiovisual da Fundação Cultural do Estado da Bahia (DIMAS) e a Cinemateca, que vai ser a casa do cinema baiano.
Criada por meio da Lei Estadual nº 14.877/2025, a Bahia Filmes é resultado de um processo de construção em diálogo com o setor. A empresa nasce como uma sociedade de economia mista voltada à articulação de investimentos, promoção de negócios, fortalecimento das produções locais e ampliação da presença das obras baianas nos mercados nacional e internacional.
O Governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, ressaltou que o estado mantém uma atuação relevante para o audiovisual do país: “Temos muitos produtores, realizadores e artistas. Por isso, além das linhas de financiamento, estamos anunciando um edital específico para fortalecer o setor. Queremos ampliar as parcerias com empresas da cadeia do audiovisual, mas também é fundamental estarmos articulados com as universidades, para investir na formação, na qualificação profissional e na produção de conhecimento. É assim que vamos consolidar e fortalecer esse segmento no estado”, afirmou Jerônimo.

A inauguração movimentou o belo prédio da sede, no Comércio. Foto: Thuane Maria.
Bahia Filmes atua em várias frentes
A atuação da companhia abrange diferentes etapas da cadeia produtiva do audiovisual e do mercado cinematográfico. Entre as frentes previstas estão a captação de recursos públicos e privados, o apoio à distribuição e comercialização de obras, a atração de produções para o território baiano, a formação profissional, a promoção de talentos e empresas do setor e o desenvolvimento de novos negócios. A proposta é transformar o potencial criativo, já reconhecido da Bahia, em mais oportunidades, empregos e em geração de renda.
Para o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Bruno Monteiro, a inauguração da empresa representa um marco para a política cultural baiana e para o desenvolvimento da economia criativa.
“Com a Bahia Filmes, investimos nas políticas de permanência. Ajudamos a estruturar o setor, a mapear, investir em novas produções e, ao mesmo tempo, colaboramos na comercialização de produções, no apoio à toda estruturação da rede de mercado, nos programas de formação. É o setor do audiovisual sendo fortalecido em todas as suas etapas, para que a Bahia, que é cenário e inspiração, que tem profissionais e produções de tanta qualidade, possa viver um novo momento de desenvolvimento cultural e econômico por meio do audiovisual”, explicou Bruno Monteiro, secretário de Cultura do Estado.
A secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Governo Federal, Joelma Oliveira Gonzaga, exaltou o advento da Bahia Filmes: “Como filha dessa terra, vejo aqui o Brasil inteiro entrar em cartaz, quando entra no cenário a Bahia Filmes, que é uma demanda histórica do audiovisual baiano. E que, se é do audiovisual baiano, é do audiovisual do Nordeste e do audiovisual do Brasil”.
Joelma Gonzaga prosseguiu fazendo referências ao ex-ministro da Cultura e cantor, “o nosso mestre Gilberto Gil”, ao mencionar que “o primeiro chão é na Bahia”, se referindo ao fato de que a Bahia e sua capital têm sido pioneiras de fatos históricos de grande impacto nacional. E concluiu: “A Bahia Filmes é sobre financiamento, memória e preservação, tudo isso que nasce com o DNA de muita gente e o Governo Federal reitera o apoio à primeira empresa estadual de audiovisual do país”.
Lançados editais e investimentos
Durante o evento, também foi apresentado o primeiro conjunto de investimentos que integra a atuação da companhia. O pacote inicial reúne R$ 46 milhões, distribuídos em linhas de investimento voltadas à comercialização de obras audiovisuais e do Programa Arranjos Regionais Bahia, realizado em parceria com o Ministério da Cultura e a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).
As inscrições para os editais serão abertas em duas etapas. Amanhã (30), começam as inscrições para os três editais do Programa Arranjos Regionais Bahia. Já na quarta-feira (1º), será aberto o edital de Recursos Próprios da Bahia Filmes. Juntos, os investimentos contemplam ações nas áreas de formação, difusão, pesquisa e comercialização de obras audiovisuais, ampliando as oportunidades para profissionais, produtoras e empreendimentos do setor em diferentes regiões do estado.
Os editais estarão disponíveis no site da Bahia Filmes. Em breve, serão apresentados com mais detalhes e será iniciada a inscrição para o apoio executado com recursos dos Arranjos Regionais.
Para a atriz Tânia Toko, “É um grande prazer, um sonho antigo de todos nós, que tivéssemos um equipamento desse, para que possamos criar mais ainda, mostrar nossa cara, fomentar nosso trabalho, mostrar para o Brasil, para o mundo. As pratas da casa e os que estão chegando também super merecem isso, de coração. É uma noite de celebração, sobretudo por essa questão de entender que não é preciso mais sair daqui para que os holofotes nos vejam”.
Em sua apresentação, o diretor-presidente da Bahia Filmes, Pola Ribeiro, avaliou os princípios e o processo de construção do projeto. “Temos um projeto muito maduro que reconhece as forças que a Bahia tem para se desenvolver e fazer um audiovisual potente para o mundo. Estamos engrossando a musculatura para fazer um cinema cada vez mais forte, inclusive o cinema que é feito com celular, nos bairros, comunidades, que ele tenha também sentido e força. A cara da Bahia Filmes é isso, é ser um espaço de junção, de trazer e passar as informações, e fazer a comunicação do audiovisual baiano para que ele tenha a relevância que ele precisa ter”, avaliou.
Além de apoiar a produção e a circulação de conteúdos audiovisuais, a empresa terá papel estratégico na atração de investimentos, na geração de empregos e no fortalecimento de atividades econômicas associadas ao setor, como turismo, hotelaria, transporte e serviços.
Com o início das atividades, a Bahia passa a contar com uma estrutura inédita no país voltada exclusivamente ao desenvolvimento do audiovisual como política pública e vetor de desenvolvimento.

Poster de um dos filmes de Pola Ribeiro.
O destacado Cinema da Bahia
Historicamente, o cinema baiano começou a ganhar força a partir da segunda metade do século XX, com cineastas que buscavam retratar a realidade do Nordeste brasileiro sob uma perspectiva autêntica e crítica. O movimento conhecido como Cinema Novo, que teve grande influência nacional, também reverberou na Bahia, incentivando a produção de obras que abordavam temas sociais como a desigualdade, a luta por direitos e a valorização das raízes culturais. Nomes como Glauber Rocha, um dos maiores expoentes do cinema brasileiro, nasceram na Bahia e ajudaram a consolidar essa tradição de um cinema engajado e inovador.
Além do enfoque social, a religiosidade baiana, marcada pela forte presença das religiões afro-brasileiras como o Candomblé, tem sido um tema recorrente e central em muitos filmes. Essa dimensão espiritual é explorada não apenas como um aspecto cultural, mas também como uma forma de resistência e afirmação identitária. O cinema baiano, assim, contribui para a preservação e difusão dessas tradições, ao mesmo tempo em que questiona preconceitos e promove o respeito à diversidade religiosa.
Nos últimos anos, a produção cinematográfica na Bahia tem se diversificado ainda mais, incorporando novas tecnologias e linguagens, além de ampliar sua presença em festivais nacionais e internacionais. Essa evolução reforça a importância do cinema baiano como um espaço de reflexão crítica e celebração cultural, capaz de dialogar com múltiplos públicos e contribuir para a construção de uma sociedade mais plural e consciente.
Em suma, o cinema produzido na Bahia é uma expressão vital da cultura brasileira, que transcende o entretenimento para se tornar um instrumento poderoso de transformação social e valorização das múltiplas identidades que compõem o estado. Sua história é marcada por uma constante busca por autenticidade e compromisso com as causas sociais e religiosas que moldam a vida dos baianos

Pola Ribeiro. Foto: Divulgação.
Perfil e Atuação do diretor da Bahia Filmes
Pola Ribeiro é uma figura central no cenário cultural da Bahia, cuja obra e atuação transcendem a direção de filmes para incluir a gestão cultural e o fomento do audiovisual regional. Sua importância está ligada tanto à produção artística quanto à construção de políticas e espaços que valorizam o cinema baiano, contribuindo para a afirmação da identidade cultural da Bahia no Brasil e no mundo.
Pola é cineasta e gestor cultural baiano, conhecido por sua atuação significativa no cenário audiovisual da Bahia. Além de cineasta, ele tem exercido papéis importantes na direção de instituições culturais, como o Museu de Arte da Bahia e o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA). Sua atuação vai além da produção cinematográfica, envolvendo a promoção e o fomento da cultura audiovisual baiana e brasileira.
O Projeto da Bahia Filmes – um dos mais recentes em que está envolvido – tem destacado sua participação no fomento ao cinema baiano porque visa o desenvolvimento econômico e cultural da sétima arte na Bahia. Ele também esteve envolvido em eventos como o FUTFESTBOL, o primeiro festival de cinema e futebol da Bahia, o que demonstra seu interesse em conectar o cinema com outras manifestações culturais locais.
Pola Ribeiro tem sido uma voz ativa na valorização e expansão do cinema baiano, participando de mesas e debates sobre o crescimento do audiovisual na região. Como diretor do Museu de Arte da Bahia e do MAM-BA, ele tem buscado “recuperar a alma” dessas instituições, promovendo uma integração maior entre as artes visuais e o cinema, fortalecendo a identidade cultural baiana.
Sua atuação em projetos pioneiros, como o Bahia Filmes, mostra seu compromisso com o desenvolvimento sustentável do cinema local, criando infraestrutura e oportunidades para cineastas da Bahia.
Filmes Dirigidos por Pola Ribeiro
Os filmes de Pola Ribeiro são marcados por uma forte conexão com a cultura e a história da Bahia, refletindo temas locais e valorizando a identidade regional. Seu trabalho tem sido reconhecido por prêmios e pela contribuição ao audiovisual baiano. Aqui, destacamos alguns trabalhos marcantes:
“A Lenda do Pai Inácio” (1987): Um média-metragem que recebeu reconhecimento nacional e latino-americano, conquistando oito prêmios. Este filme é uma obra importante que aborda temas culturais e históricos da Bahia.
“Por Exemplo, Caxundé” (1976): Outro trabalho de Pola Ribeiro, que faz parte de sua filmografia inicial. No filme “Três Histórias da Bahia” (1999), Pola atuou como produtor executivo nesta obra, que reúne narrativas relacionadas à Bahia. O filme “Eu Me Lembro”, de 2003, também teve Pola Ribeiro na produção executiva, mais um filme que contribui para a memória cultural e histórica da região.
—
Fontes: SecomGOVBA, Aldeia Nagô


Deixe um comentário