Regulação é a fila da vida: Jerônimo critica uso político da saúde e destaca avanços na Bahia

Written in

by

Governador reage a fala cruel de candidato

Hospital Costa das Baleias. Novos hospitais aliviam a Regulação.

O governador Jerônimo Rodrigues criticou o uso da regulação do SUS como instrumento de palanque eleitoral e rejeitou a tentativa de resumir um sistema complexo à expressão “fila da morte”. Para o governador, saúde pública exige responsabilidade, dados e respeito às famílias que dependem diariamente da rede estadual.

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi sabatinado ontem (25), na Rádio Baiana (89,3 FM) e na BNEWS TV. O gestor estadual criticou o termo usado pela oposição – “fila da morte” – para desqualificar a fila da regulação: “Esses termos da fila da morte, traumáticos, são termos que eu até entendo que a oposição queira se utilizar, às vezes, até usando de maneiras e métodos que eu não concordo. Eu, na cadeira de governador, na cadeira de professor, na cadeira de pai de família, eu não concordo”, afirmou.

Referindo-se a um vídeo escandaloso, veiculado durante a campanha eleitoral, por esses dias, Jerônimo denunciou que pessoas foram ao Hospital do Subúrbio, segundo ele, para simular um atendimento, e as câmeras do estabelecimento mostraram depois as pessoas se levantando normalmente: “Qual o governador que entregou em três anos e meio 15 novos hospitais? Estamos fazendo mais oito hospitais novos, fora os hospitais municipais”, declarou.

REGULAÇÃO FAZ JUSTIÇA SOCIAL E SE APERFEIÇOA

A regulação é, na prática, a fila da vida. É o mecanismo técnico que organiza o acesso a leitos, cirurgias, exames e atendimentos especializados, priorizando os pacientes de acordo com a gravidade de cada quadro clínico — e não pela ordem de chegada ou por influência política.

Ao entrar no sistema, o paciente tem suas informações clínicas apresentadas pela unidade solicitante, como UPA, hospital municipal ou unidade de saúde. Exames, laudos e a evolução do quadro são analisados por médicos reguladores, que buscam a vaga adequada para aquela necessidade. Quanto mais grave o caso, maior é a prioridade.

Por trás desse trabalho, estão médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares e outros profissionais que atuam 24 horas por dia. A secretária da Saúde da Bahia, Roberta Santana, informou que cerca de 600 profissionais trabalham na Central Estadual de Regulação para encontrar, no menor tempo possível, o leito e a especialidade necessários a cada paciente.

Os dados apresentados pela Sesab mostram que o tempo de resposta vem melhorando. Em 2022, 49% dos pacientes eram regulados em até 24 horas. Em 2025, o índice chegou a 71%. Atualmente, de cerca de mil solicitações que entram diariamente no sistema, aproximadamente 700 são atendidas em até 24 horas, enquanto nove em cada dez pacientes são regulados em até três dias.

É claro que existem desafios. Casos de alta complexidade, como neurocirurgia, tratamento de leucemia e onco-hematologia, por exemplo, podem demandar mais tempo. Muitas transferências para Salvador ou para centros mais distantes não acontecem pela ausência de hospital ou equipamento no interior, mas pela escassez de especialistas — uma realidade nacional, e não exclusiva da Bahia.

Para enfrentar essa demanda, o Governo da Bahia ampliou a rede hospitalar e investiu na regionalização da saúde. Segundo Jerônimo Rodrigues, em três anos e meio foram entregues 15 novos hospitais no estado, enquanto outros oito estão em construção. A meta é aproximar serviços de média e alta complexidade da população, reduzindo deslocamentos e fortalecendo a regulação.

O Governo Federal também mantém o programa Agora Tem Especialistas, que amplia a oferta de consultas, exames e cirurgias, além de incentivar a formação e o provimento de médicos especialistas em regiões prioritárias. Em 2026, o Ministério da Saúde abriu 103 vagas para especialistas na Bahia, dentro da estratégia de reduzir o tempo de espera e ampliar a assistência especializada pelo SUS.

MILHARES DE EXAMES E CIRURGIAS NO EXTREMO-SUL

No Extremo Sul, o Hospital Estadual Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas, é um exemplo concreto da importância desse modelo. A unidade atende uma região formada por 21 municípios e cerca de 900 mil habitantes. Em 2025, foram realizados aproximadamente 370 mil exames e mais de 10 mil cirurgias no hospital.

Com a implantação do serviço de radioterapia, em abril deste ano, pacientes oncológicos da região passaram a ter acesso ao tratamento mais perto de casa, evitando viagens longas e dolorosas para outros centros. É a regionalização da saúde funcionando para salvar vidas.

Cobrar melhorias, fiscalizar e apontar problemas é legítimo e necessário. Mas transformar a dor de pacientes e familiares em discurso eleitoral, ignorando o trabalho técnico de centenas de profissionais e os avanços da rede, não contribui para resolver os desafios da saúde pública. A regulação precisa ser compreendida pelo que ela é: uma ferramenta essencial para organizar o SUS e salvar pessoas todos os dias.

Fontes: A Tarde, Bahia Notícias, Ministério da Saúde e Fundação José Silveira, Instagram.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre ÂNGULO E FOCO

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo