Jerônimo cria reserva de 18,4 mil hectares na Serra da Chapadinha

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Refúgio de Vida Silvestre era uma cobrança da população

Imagem panorâmica da Serra da Chapadinha.

Há vários meses, ambientalistas e a população da Chapada Diamantina clamam pela criação de uma reserva ambiental de Refúgio da Vida Silvestre, na Serra da Chapadinha. Finalmente, o pedido foi atendido e o governador do Estado acaba de assinar o documento, criando essa Unidade de Conservação.

Assim, uma das áreas ambientalmente mais valiosas da Chapada Diamantina ganhou proteção definitiva. O governador Jerônimo Rodrigues criou o Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha, unidade de conservação de proteção integral que alcança Itaetê, Ibicoara, Mucugê e Iramaia. O Decreto nº 24.778, assinado em 31 de agosto e publicado no Diário Oficial de terça-feira (1º/9), protege uma área de aproximadamente 18,4 mil hectares.

A decisão encerra uma etapa iniciada em 2023 e transforma em política pública uma reivindicação de comunidades, pesquisadores e ambientalistas. Estudos técnicos do Governo do Estado mostram a dimensão do patrimônio protegido: cerca de 98% da cobertura vegetal da Serra da Chapadinha permanece preservada. A área está numa zona de transição entre Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado e reúne campos rupestres, brejos de altitude, matas de galeria e espécies endêmicas.

Área de recarga hídrica está protegida. Foto: Transportal.

A importância vai além da biodiversidade. A Serra da Chapadinha é uma área estratégica de recarga hídrica da Bacia do Rio Paraguaçu, responsável pelo abastecimento de mais de 50 municípios baianos, incluindo áreas da Região Metropolitana de Salvador. O decreto determina a conservação das formações vegetais nativas, dos recursos hídricos, da paisagem e do patrimônio histórico e ambiental, além de favorecer a conexão entre remanescentes de vegetação e outras unidades de conservação.

A fauna ajuda a dimensionar o valor ecológico da região. Estudo publicado em maio na revista Biodiversidade Brasileira, do ICMBio, registrou 23 espécies de mamíferos por meio de armadilhas fotográficas, entre elas animais ameaçados de extinção, como o gato-do-mato-pequeno, o gato-mourisco, o queixada, o macaco-prego-do-peito-amarelo e o guigó-da-caatinga. A pesquisa apontou a Serra como estratégica para a conectividade entre paisagens de Caatinga e Mata Atlântica.

A criação do refúgio também estabelece uma barreira contra atividades incompatíveis com a conservação. O decreto proíbe expressamente a exploração e o aproveitamento de recursos minerais dentro da unidade, além da caça e de outras intervenções capazes de comprometer seus atributos naturais. Antes da criação, havia autorizações federais para pesquisa mineral na região, embora o Inema informasse não existir licença ambiental para lavra.

A unidade será administrada pelo Inema e terá Conselho Consultivo com participação de proprietários, poder público, organizações sociais, moradores, assentamentos e comunidades tradicionais. O decreto preserva usos existentes que sejam compatíveis com a conservação e prevê visitação pública, pesquisa científica, educação ambiental e turismo de base comunitária. O plano de manejo deverá ser elaborado em até cinco anos.

As aves estão livres da extinção na reserva. Foto:Transportal.

Fonte:SecomGOVBA

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