IMAGEM DE ACM NETO ESTÁ ARRANHADA


Carreata da campanha de ACM Neto com atrações apelativas, na Globo News.
Nosso foco, por estes dias, está sendo chamado à atenção por episódios ‘cabeludos’, envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro, as desavenças de ministros do Supremo, e o ‘cheiro’ de golpe de Estado por todo lado. O presidente do Supremo fala em quebra de sigilos no escândalo do Banco Master, mas permite que André Mendonça bloqueie precisamente as revelações capazes de expor as relações entre Vorcaro e a família Bolsonaro. Hoje, voltamos nosso foco para a operação gigante da PF no caso Dark Horse, logo nos viramos para as sucessivas delações premiadas contra Bolsonaro e Vorcaro e para a nova delação do próprio banqueiro… Vivemos num caldeirão em erupção que uma nova filosofia de campanha do PT – em preparação – pretende explorar ao máximo, no tom da propaganda. A ver. Mas, aqui mais perto de nós, no final de agosto, duas mulheres nuas desfilaram ao lado do candidato a governador, ACM Neto (União Brasil), em ruas de Salvador. A exploração da nudez feminina em campanha eleitoral tem sido condenada, aos quatro ventos e, ontem, o caso foi estampado na Globo News, que desancou a campanha de Neto. Ele, que recebia mesada de Daniel Vorcaro, garante que não sabia da contratação das dançarinas nuas.
A campanha de ACM Neto parece querer destruir o candidato. Num momento em que há enorme repercussão das delações do banqueiro Daniel Vorcaro, envolvendo ACM Neto e uma suposta comissão de 10%, relacionada a serviços prestados ao sistema Master, em operações envolvendo aportes de aposentadorias, o episódio constrangedor da apelação à nudez coloca o político baiano no centro das atenções nacionais.
A aparição de mulheres nuas, em um evento político ligado ao grupo de Neto, provocou tanta repercussão que a Justiça Eleitoral determinou restrições e estabeleceu multas em caso de reincidência. É pouco citarmos apenas a polêmica nas redes sociais: o episódio ultrapassou as fronteiras da Bahia e ganhou espaço no noticiário nacional.
E, quando um fato político sai das páginas locais e chega à GloboNews, fica difícil fingir que nada aconteceu. A questão deixou de ser simplesmente uma disputa entre adversários e passou a envolver a imagem pública de quem pretende governar a Bahia. Isso porque um candidato que tenta vender a ideia de “mudança” precisa, antes de tudo, explicar os episódios que cercam sua própria trajetória política. Afinal, não é possível querer ocupar o Palácio de Ondina se apresentando como novidade, enquanto, ao seu redor, acumulam-se controvérsias, decisões judiciais e notícias péssimas (pra ele) de repercussão nacional. Mas o Neto prefere apelar para a nudez feminina. Se deu mal.

Jerônimo Rodrigues x ACM Neto.
Chamar tudo de “fake” é o argumento mais conveniente, quando a realidade atrapalha o discurso eleitoral do candidato. Mas não cola. A notícia nacional não desaparece com um post nas redes sociais, decisão judicial não vira fake por conveniência política e acusações públicas não deixam de exigir esclarecimentos porque são desagradáveis. O eleitor baiano merece respostas — não desculpas prontas. Transformar toda controvérsia em “fake” torna-se impossível, diante de delações que o envolvem criminalmente, assim como a desesperada apelação à exploração da nudez.
GloboNews repercute exploração de mulheres
A repercussão do episódio das mulheres nuas em uma carreata de ACM Neto (União Brasil) chegou à GloboNews em forma de condenação pesada. Ao comentar o caso, a emissora classificou a cena como “objetificação” e questionou a permanência do candidato no ato. “Se o candidato não sabia de um negócio desse, ele tinha que ter saído da carreata”, afirmou a jornalista Natuza Nery. Antes, a situação havia sido resumida de forma ainda mais direta: “mulher objeto, né? É uma objetificação, uma coisa horrível”. (Veja vídeo no final)
A cena ocorreu em São Cristóvão, Salvador. Duas mulheres apareceram sobre um minitrio com os corpos pintados nas cores associadas à campanha. O caso chegou à Justiça Eleitoral, e o TRE-BA determinou que ACM e sua coligação não utilizem mulheres nuas, seminuas ou com pintura corporal como adereço, em atos de campanha, sob pena de multa de R$ 50 mil por descumprimento.
A decisão judicial foi explícita. O desembargador Mhércio Cerqueira Monteiro considerou “incontroverso” que houve “exploração/objetificação da figura feminina, a fim de atrair a atenção para o evento político”. A alegação de que ACM não sabia previamente da apresentação não foi considerada suficiente para afastar o dever de vigilância da candidatura sobre os atos que coordena.
A controvérsia também repercutiu na chamada grande imprensa escrita. A Veja repercutiu o episódio em 30 de agosto e destacou as críticas ao uso de modelos seminuas como recurso de campanha. O portal UOL e a CartaCapital também deram destaque nacional à decisão do TRE-BA, ampliando o desgaste.
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