ENROLADO ATÉ DENTRO DE CASA

O encontro que selou o acordo de apoio de Trump a Flávio Bolsonaro.
Ânsia e gula sobre as riquezas minerais de vários países do mundo caracterizam o governo do Laranjão de Topete. E não é pouca coisa não. O Ângulo e Foco fez um rápido levantamento dos ataques imperiais a democracias do mundo todo para colocar no poder vendilhões dessas pátrias, demonstrando extremo desprezo pelos povos e pela preservação da natureza. Vejam as ‘realizações’ trompetistas e avaliem até onde vai o risco de ele criar um furdunço aqui no Brasil, quando escolhermos Lula como presidente reeleito. Esse é, talvez, o último alerta para nos colocarmos de resguardo e em guarda. Leia com atenção e aja.
Vamos começar pelos ataques imperialistas que ‘ele’ vem realizando pelo mundo. O mesmo sistema que está em marcha no Brasil e que nos empurra a reagir, nesse momento de ameaça.
Donald Trump, tanto durante seu primeiro mandato (2017–2021) quanto especialmente em seu segundo mandato (a partir de 2025), adotou uma postura de interferência explícita e pública em eleições de diversos países. Em vez de operações encobertas, ele passou a usar redes sociais, endossos diretos e ameaças de sanções para favorecer candidatos de direita alinhados ideologicamente. Atos desse tipo já foram comprovados no Brasil, por esses dias. A seguir, estão os principais países onde essa intervenção foi documentada:
Intervenções na América Latina
Brasil: Trump apoiou abertamente Jair Bolsonaro e, mais recentemente, seu filho Flávio Bolsonaro como pré-candidato à presidência, chegando a recebê-lo na Casa Branca. Também impôs sanções ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo contra Bolsonaro.
Argentina: Em 2023, Trump parabenizou Javier Milei pela vitória e disse estar “muito orgulhoso”. Em 2025, ameaçou retirar um pacote de US$ 20 bilhões caso o partido de Milei não vencesse as legislativas.
Colômbia: Trump declarou apoio “completo e total” a Abelardo De La Espriella, candidato de direita, na eleição presidencial de 2026.
Honduras: Apoiou publicamente Nasry Asfura, chamando-o de “o único verdadeiro amigo da liberdade”, e ameaçou cortar cooperação se ele não vencesse.
Chile: Trump destacou a vitória de José Antonio Kast e sugeriu que seu apoio contribuiu para o resultado.
Equador: Durante a campanha de 2025, Daniel Noboa reuniu-se com Trump em Mar-a-Lago, gesto interpretado como apoio; após a vitória, Trump o elogiou publicamente.
El Salvador e Panamá: Trump também é citado como tendo respaldado Nayib Bukele e José Raúl Mulino.
Venezuela: Sem eleição iminente, Trump colocou em prática o uso de poder militar para remover Nicolás Maduro.
Intervenções na Europa e Ásia
Polônia: A chefe de segurança nacional dos EUA, Kristi Noem, apoiou abertamente Karol Nawrocki, candidato conservador à presidência, que venceu.
Hungria: Trump pediu publicamente votos para Viktor Orbán antes das eleições legislativas de 2026.
Japão: Trump ofereceu seu “completo e total endosso” à primeira-ministra Sanae Takaichi.
Alemanha: O vice-presidente americano, JD Vance, criticou restrições ao partido de extrema direita AfD e apoiou Alice Weidel durante a campanha eleitoral.
Romênia: O aliado de extrema direita de Trump perdeu as eleições presidenciais, mas apenas após uma votação anterior ter sido anulada de forma controversa.
Reino Unido e Itália: Trump já endossou Boris Johnson e Giuseppe Conte em eleições parlamentares.
Essa interferência de Trump tem sido criticada por ser mais explícita e agressiva do que a de seus antecessores, combinando endossos públicos com pressões econômicas e sanções. Em alguns casos, como na Hungria e no Japão, tratam-se de eleições parlamentares, mas o objetivo de influenciar o chefe de governo é o mesmo.

Vastas áreas selvagens ameaçadas nos EUA.
Desrespeito permanente à natureza
O personagem em foco é inimigo da natureza, no seu próprio país. Detalhes fornecidos pela organização social Eko explicam o quadro: Por 25 anos, uma lei protegeu quase 24 milhões de hectares de florestas nos EUA, com algumas das últimas regiões selvagens do planeta. Mas, há apenas algumas semanas, Trump assinou a decisão de acabar com essa proteção.
Agora, florestas intocadas, habitat de ursos pardos, linces do Canadá, lobos, corujas-malhadas e carcajus, estão ameaçadas para que os apoiadores de Trump nas indústrias madeireira e de mineração possam lucrar. A desculpa é que isso ajudará a controlar incêndios, mas sabemos que isso não é verdade. Se forem construídas estradas para permitir o acesso à exploração madeireira e à mineração, a situação só vai piorar.
Mas ainda há uma janela de oportunidade: o governo precisa abrir uma consulta pública antes de seguir adiante com esse plano destrutivo. Até 6 de outubro o povo tem tempo para agir e impedir que isso aconteça. A Eko lançou um manifesto para gerar um clamor massivo e espalhar a notícia: “Trump: não destrua nossas florestas selvagens!”
Essa lei de proteção, também chamada de “Roadless Rule”, foi sancionada em 2001, após pressão de ambientalistas, povos indígenas e comunidades que dependem da floresta para obter água potável, caça e turismo. Ela resistiu a tentativas anteriores de revogação, mas agora enfrenta o ataque mais agressivo de sua história.
Alguns argumentarão que o desmatamento dessas florestas gera empregos e impulsiona a economia local, mas o que isso realmente significa é que os apoiadores de Trump aumentarão seus lucros.
A verdade é que florestas intactas já sustentam economias inteiras – sem destruir o que as torna valiosas. Uma vez que as estradas sejam construídas e as árvores derrubadas, não há mais volta.
O governo dos EUA é obrigado por lei a consultar a população, antes de finalizar essa mudança. A consulta pública se encerra em 6 de outubro. É a última chance de evitar o pior. Por isso, foi lançado um abaixo-assinado.
Vote:

Trajetória de desprezo à vida
Donald Trump demonstrou, ao longo de seus mandatos, um padrão consistente de ações e declarações que evidenciam desrespeito ao meio ambiente. As evidências podem ser organizadas nos seguintes eixos:
Negação das mudanças climáticas e desprezo pela ciência
Trump repetidamente classificou a mudança climática como uma “farsa” ou “embuste”, inclusive em discurso na Assembleia Geral da ONU em 2025. Em abril de 2026, afirmou publicamente que o planeta estaria “esfriando”, contrariando registros de temperaturas recordes. Em 2026, sua administração distorceu projeções científicas da ONU sobre aquecimento global para justificar a inação climática.
Retirada de acordos internacionais de clima
Os EUA deixaram novamente o Acordo de Paris sob Trump, em 27 de janeiro de 2026, sendo esta a segunda vez que o país se retirou do pacto. Além disso, os EUA se tornaram o primeiro e único país a deixar a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), tratado que sustenta os esforços globais contra o aquecimento global.
Reversão de regulamentações ambientais cruciais
Em 12 de fevereiro de 2026, a administração Trump revogou a “Constatação de Perigo” (Endangerment Finding) da EPA, norma de 2009 que servia como base legal para a regulação de gases de efeito estufa nos EUA. A medida eliminou a base científica para ações federais contra a mudança climática e retirou exigências de medição e conformidade com padrões de emissões de veículos. Trump justificou a decisão alegando economia de US$ 1,3 trilhão em custos regulatórios.
Exploração de petróleo e gás em áreas protegidas
A administração Trump abriu o Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico, no Alasca — maior área de natureza intocada dos EUA, protegida de perfuração desde 1980 — para exploração de petróleo e gás. A medida visava bilhões de barris de petróleo na região, mas fracassou comercialmente: na primeira venda de concessões. Apenas 5 de 58 lotes foram arrematados, sem participação de grandes petroleiras.
Enfraquecimento de instituições e priorização de interesses poluidores
Um relatório bicameral do Congresso dos EUA, divulgado no Dia da Terra de 2026, listou 100 formas pelas quais a administração Trump reverteu proteções ambientais, silenciou comunidades vulneráveis, ‘desfinanciou’ programas federais e destruiu estruturas regulatórias essenciais à saúde pública. O senador Ed Markey resumiu a agenda como “lucrativa e pró-poluidora”. A saída da UNFCCC também liberou os EUA de obrigações de financiamento e relato de emissões, enfraquecendo o monitoramento global.
Dito isso, nossa sorte está lançada. Contamos com a proteção da Rússia e da China, mas cada um de nós tem a obrigação de garantir um Brasil democrático e defensor da natureza. Uma votação esmagadora em Lula, amanhã, pode nos blindar de sofrimentos bem prováveis, inclusive ambientais.

Uma relação perigosa que começou lá atrás.
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