VOCÊ TEM CERTEZA QUE QUER ISSO PRA SUA VIDA?

Imagem: I.A. Ângulo e Foco.
O brasileiro já conhece o maravilhoso e eficiente Governo de Luiz Inácio, de duas maneiras diferentes, às vezes ao mesmo tempo. As camadas de classe média e pobre deveriam se ajoelhar e agradecer a Deus pelas dezenas de programas que os elevaram na escala econômica e social do povo brasileiro; mas, curiosamente, nessas duas faixas da população, muita gente está escolhendo as propostas do Flávio, sem ao menos conhecer o que significa o “Tesouraço” que o representante dos milionários defende para o Brasil. E não percebe que, com esses cortes, apoiados por seus votos, estariam virando, de cabeça pra baixo, suas próprias vidas. O Ângulo e Foco, hoje, dá um panorama do que será o Brasil, se o brasileiro insistir em votar em Flávio Bolsonaro. Continue conversando com eleitores conhecidos.
Para início de nossa conversa, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, acaba de dizer que Jair, o preso pelo golpe de Estado, vai influenciar muito um governo de Flávio. Sim, porque há um projeto, com Supremo e com tudo, para soltá-lo. Você fica feliz com isso? Já não basta a repetição de Flávio de que vai “abrir as porteiras” das nossas riquezas minerais para um país estrangeiro?
Como reflexo do 1º Turno da eleição, a Bolsa de Valores sobe como nunca e o dólar já entrou em queda na segunda-feira (5), um sinal claro de que os grandes investidores estão comprando ações, muitas vezes em dólar, no Brasil. Entenda-se, com isso, que os ricaços estão gostando da ideia de ‘doar’ o Brasil. E quem não é rico? Por que apoia um projeto entreguista desses? A hora de acordar para o futuro é agora.
O que a direita quer
Vamos mostrar alguns detalhes do Programa de Governo de Flávio, por entendermos que é preciso destacar as propostas econômicas que podem ser decisivas na disputa final pela Presidência contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Intitulada “Para o Brasil Vencer o Atraso”, a cartilha de governo do candidato prevê cortar, pelo menos, dez ministérios, rever a reforma tributária para aliviar o bolso dos ricos e retomar as privatizações (adeus Correios, Petrobras, Caixa Econômica, refinarias…)
A meta com o “tesouraço” é alcançar crescimento sustentado de 4% ao ano, apoiado na redução de despesas públicas – com cortes em benefícios sociais básicos – e na ampliação do investimento privado. O objetivo de Flávio para os resultados da economia parece irreal, se comparado com os números recentes. Segundo o IBGE, o Produto Interno Brasileiro (PIB) brasileiro cresceu 2,3% em 2025. Já no primeiro semestre de 2026, a economia avançou 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O plano prevê ainda manutenção dos programas sociais existentes e ampliação da atuação da Caixa no crédito, na habitação e no apoio ao empreendedorismo. O texto apresenta instrumentos para executar parte dessas propostas, mas não traz uma estimativa consolidada de custos, economia de despesas e perda de arrecadação com as reduções de impostos. Também não apresenta projeções que quantifiquem a contribuição de cada medida para a meta de crescimento.

Juros e contas públicas
O plano propõe reformular as regras fiscais (mudar as regras de fiscalização?) para estabilizar e depois reduzir a dívida pública em relação ao PIB. O caminho apresentado combina contenção de despesas, limitação do crédito subsidiado pelo Tesouro e geração de superávits primários – quando as receitas superam os gastos, antes do pagamento dos juros da dívida.
A dívida bruta do governo chegou a 82,9% do PIB em agosto, segundo dados do Banco Central, divulgados em setembro. O indicador, que abrange o governo federal, o INSS e os governos estaduais e municipais, alcançou o maior patamar em cinco anos. Lula explica que existem recursos, inclusive do Fundo Soberano, que dão cobertura a essa dívida.
A fim de cortar gastos com o funcionalismo público e reduzir o custo da máquina de governo, o documento prevê uma reforma administrativa, digitalização de serviços e revisão de normas nas áreas tributária, previdenciária e trabalhista. Tem algum funcionário federal na sua família? Pode ser cortado.
O plano de Flávio prevê o corte de no mínimo 10 ministérios, a redução de cargos comissionados e de despesas administrativas e o combate aos penduricalhos e supersalários que, segundo ele, corroem o orçamento. O objetivo seria dar mais eficiência e racionalidade para servir à sociedade. Será?
No documento não são identificados quais ministérios seriam extintos, quantos cargos seriam cortados, nem quanto essas medidas economizariam. Também não detalha as mudanças nas carreiras dos servidores previstas na reforma administrativa.
Flávio propõe uma regra de controle dos gastos discricionários dos três Poderes da União, despesas sobre as quais há maior margem de decisão no orçamento. Outra ação, visando realizar cortes, seria a avaliação permanente das políticas públicas, com identificação dos beneficiários e medição do impacto dos gastos.
O plano de governo da direita não apresenta a fórmula da nova regra fiscal, metas numéricas de superávit ou um limite para o crédito subsidiado. Mas garante que o prazo indicado é o menor possível, para estabilizar a dívida.
Mas associa o ajuste das contas à redução dos juros e à convergência da inflação para o centro da meta, o que já vem acontecendo. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de setembro. Foi a quinta redução consecutiva da taxa básica neste ano.
A inflação, com Lula, está controlada no patamar de 4%. O IPCA acumulou alta de 4,22% nos 12 meses encerrados em agosto, último dado mensal completo disponível. Já o IPCA-15, que tem período de coleta diferente e funciona como prévia, acumulou avanço de 4,47% em 12 meses, até setembro. Um terço da taxa básica de juros.
Embora o plano apresentado por Flávio diga que a queda dos juros será o efeito esperado do ajuste fiscal, não estabelece uma trajetória para a Selic ou um prazo para alcançar taxas próximas da média internacional.
Nova reforma tributária
Na cobrança de impostos, a proposta é revisar a reforma em curso para reduzir a carga sobre produção e consumo. O documento diz pretender reduzir as exceções tributárias, fazer a unificação da legislação e a não cumulatividade.
Essa proposta chove no molhado. O sistema já está em implantação. O ano de 2026 está sendo a fase de testes da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), estadual e municipal. A substituição de PIS e Cofins pela CBS está prevista para 2027. A vigência integral do novo modelo está programada para 2033, segundo o cronograma da Receita Federal.
Segundo Flávio, a não cumulatividade permite compensar tributos pagos nas etapas anteriores da produção. O documento também defende desonerar exportações e investimentos e aproximar o tratamento tributário de grupos semelhantes. Por exemplo, reduzir impostos de grandes empresas.
O documento enfatiza: “O esforço de simplificação continuará: menos impostos, legislação unificada, desoneração das exportações e dos investimentos e redução das exceções, para que grupos parecidos paguem impostos parecidos.”
Analistas observam que o texto não indica a alíquota pretendida para o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), quais exceções seriam revistas nem o impacto dessas mudanças na arrecadação. Também não informa se pretende alterar o calendário de transição da reforma.
O programa prevê ainda reduzir impostos sobre energia elétrica e combustíveis, sem especificar tributos, alíquotas ou prazos. Isso seria uma catástrofe para a economia pública, em curto prazo, somente para agradar grandes empresas.
Na área cambial, defende eliminar gradualmente o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o que beneficiaria os bancos e fintechs.

Imagem: I.A. Ângulo e Foco.
Investimento privado e infraestrutura
A proposta da direita anuncia R$ 900 bilhões em investimentos em infraestrutura, ao longo de quatro anos. Para financiar essa expansão, propõe combinar capital privado, concessões, parcerias público-privadas, crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e um fundo ligado ao Patrimônio da União. Aqui fica claro, também, o viés das privatizações.
Projetos acelerados por Lula foram citados no programa: investir na Ferrogrão, a conclusão e ampliação da Transnordestina e a implantação do Trem do Nordeste, destinado ao transporte de passageiros entre capitais da região. O plano prevê ainda corredores logísticos para conectar áreas produtoras aos portos (o que já vem sendo feito), mas não apresenta uma distribuição dos investimentos por empreendimento.
O texto não detalha quais regras seriam abrangidas por essa garantia nem os instrumentos jurídicos que seriam utilizados. No licenciamento ambiental, defende a concessão da licença quando o empreendedor tiver cumprido as exigências e o órgão responsável não decidir nem se manifestar no prazo. Fica claro o desrespeito à legislação ambiental.
Privatizações, gestão das estatais e empregos
O plano propõe retomar o Programa Nacional de Desestatização, com avaliação caso a caso sobre a permanência do Estado nas empresas. Dizem que vão Fazer isso “com critério, avaliando caso a caso onde a presença do Estado deixou de fazer sentido”. O programa não apresenta uma lista de companhias a serem vendidas, um cronograma de privatizações ou uma estimativa de arrecadação.
No mercado de trabalho (ou seja, seu emprego), o programa promete reduzir gradualmente o custo da contratação formal. Uma das medidas seria criar um contrato com menor custo na folha para jovens em busca do primeiro emprego. Economizar nas costas do trabalhador.
Os números de Lula são muito bons. As propostas são apresentadas em um momento em que a taxa de desemprego está em 5,3%, segundo a Pnad Contínua do IBGE para o trimestre encerrado em agosto. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi de R$ 3.777 no período. A informalidade atingia 37,5% da população ocupada, de acordo com os dados da pesquisa divulgados em setembro.
Para o jovem, promete um emprego com baixo salário. Dizem que vão criar um contrato de trabalho para a faixa dos 18 a 24 anos, o primeiro emprego, com menor custo na folha, para que a empresa tenha estímulo a dar a primeira oportunidade ao jovem. E o salário mínimo? É muito?
Outra forma de contratação seria destinada a pessoas com 50 anos ou mais que estejam desempregadas há pelo menos um ano. O documento não especifica quais encargos seriam reduzidos, por quanto tempo os incentivos valeriam nem como seria compensada uma eventual perda de arrecadação. O certo é que o salário seria menor.
Desprezando completamente o fim da jornada de trabalho 6×1, o plano também defende jornadas flexíveis e a “prevalência do negociado sobre o legislado”. Ou seja, o negociado vale e o que está na legislação não vale.
No caso dos trabalhadores por aplicativos, promete proteção social e previdenciária, mas não define o modelo de contribuição ou a divisão de responsabilidades entre trabalhadores e plataformas.
Programas sociais, crédito e habitação
O documento se compromete a manter os programas sociais existentes. Você acredita? Eles querem acelerar a retirada dos benefícios, dizendo que vão facilitar o acesso dos beneficiários ao trabalho. Para isso, propõem prioridade em qualificação profissional, primeiro emprego e intermediação de mão de obra.
Na habitação, o plano tenta concorrer com o Minha Casa, Minha Vida e promete retomar o Casa Verde e Amarela, com meta de 2,5 milhões de residências. O documento não apresenta o custo da meta habitacional nem detalha subsídios e condições dos financiamentos.
Agronegócio e inteligência artificial
O programa de Flávio nem cita os pequenos agricultores familiares. Já para o agronegócio, o plano propõe ampliar o seguro rural, reorganizar dívidas e aumentar a capacidade de armazenamento das safras. O documento apresenta os armazéns como forma de permitir que a produção seja comercializada ao longo do ano, em vez de concentrar o escoamento no período da colheita.
E continua a listar os benefícios que dará ao agronegócio. O texto não detalha o orçamento adicional para o seguro rural nem as condições de reorganização das dívidas. Também prevê apoiar a produção nacional de fertilizantes, a partir de reservas de potássio e fosfato e do aproveitamento do gás.
Na irrigação, também parte para o “liberou geral” e propõe simplificar outorgas. Diz que vai desenvolver polos no Matopiba – que abrange áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – e no semiárido nordestino e ampliar o uso de água de reúso. Tudo que Lula já vem fazendo. Enquanto o governo Lula entrega a Transposição do rio São Francisco, o plano não estabelece sequer uma meta numérica para a expansão da área irrigada.
Minerais críticos e terras raras
Conforme tem sido denunciado, ele pretende “abrir a porteira” para levarem nossos minerais críticos. A proposta é atrair capital e tecnologia estrangeiros para ampliar o processamento no Brasil. Promete equacionar as garantias de crédito ao financiamento dos projetos e acelerar o licenciamento e o processo de direitos minerários. Entendemos: financiar e acelerar licenciamentos nessa exploração. O programa não especifica quaisquer garantias.
A fim de agradar as bigtechs, na tecnologia, prevê difundir inteligência artificial entre micro, pequenas e médias empresas, com prioridade para indústria, agronegócio, saúde e logística. A atração de data centers aparece associada à oferta de energia renovável e à infraestrutura energética.
O texto não apresenta orçamento, metas de empresas atendidas ou cronograma para essas iniciativas. Na área comercial, propõe ampliar acordos, facilitar o acesso a máquinas e insumos importados e apoiar a internacionalização de pequenas e médias empresas por meio do BNDES e da Apex-Brasil, sem detalhar as condições do apoio. Internacionalizar? E o empreendedor brasileiro?
Avalie bem e veja se vale a pena apoiar um candidato que não tem qualquer experiência administrativa nem escrúpulos. Isso, o mundo todo sabe, através da enxurrada de denúncias de desonestidades cometidas pelo candidato que concorre com o mais respeitado presidente das Américas. Um expoente no mundo.
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