O PAÍS QUE CAPOTOU MAS PAROU DE PÉ

Ilustração: Imagem I.A. Ângulo e Foco.
A vida no planeta Terra estava totalmente mudada, por conta da tecnologia da informação e de todo o aparato que por aí derivou. De Norte a Sul, de Leste a Oeste. Isso deveu-se à criação de um novo ambiente – vamos chamar de um novo mundo – o mundo das pessoas envolvidas pelas redes sociais, que moldam comportamentos e relacionamentos, ao bel prazer de quem paga mais. Pessoas que podiam ser, mais fácil e amplamente, guiadas e doutrinadas, surgiram aos milhões e foram atraídas para coisas negativas e negacionistas. Para a tolice de antolhos, pois não conheceram os livros. Ei! Os livros! Lembram deles?
Constatou-se que uma nação pode se dividir ao meio, em consequência de antagonismos forjados na nova ideologia que penetrava pelas entranhas – como faz a radiação que transporta a Internet. Sim! A Internet, aquela que começou com um sistema da área de inteligência militar do vizinho Império do Norte.
Aqui, ao Sul, uma metade da população se deixava levar; à deriva intencional das redes e seus criadores, trilionários e egóicos. A outra metade ainda conservava o velho costume de estudar as situações, pesquisar, ler… Continuavam indo às bibliotecas e escolas, aprender sobre a vida, a natureza, as ciências, a educação, sociologia, política, ecologia, o meio ambiente, a sociologia, filosofias… E, do outro lado do mesmo território, as pessoas seguiam encarceradas naquele outro mundo, o mundo virtual.
Essas pessoas não sabiam mais o que fazer – os dois grandes grupos ocupavam o mesmo território. Esse era o grande problema. Havia duas nações e o mesmo território, que eles ocupavam há milênios, conjuntamente, muitas vezes não harmoniosamente, mas conviviam. Porém, com o avanço dos anos, das décadas, dos séculos, a coisa chegou a um ponto que era um verdadeiro clímax. A partir daí, era preciso se encontrar uma grande solução – para que essas duas nações que ocupam o mesmo território e pensam completamente diferente – resolvam o seu problema existencial.
Naquela noite decisiva, em que havia debates e mais debates, a respeito do futuro, cada grupo querendo um caminho… desaba uma imensa tempestade sobre o país. Uma tempestade diferente, em que os trovões eram longos e que pareciam circular em volta das pessoas. A chuva caía torrencialmente, batendo nas folhas que ainda sobreviviam, sobre os telhados e sobre os corpos desprotegidos dos desabrigados vulneráveis que sobreviviam pelas ruas. Aí estava um quadro que parecia tenebroso. De repente, o céu serenou, o sol se abriu e a Verdade, agora, apareceria mais claramente, como veremos a seguir.
Para o dia seguinte, haviam sido marcados vários eventos, cerimônias, debate entre representantes dos dois lados, manifestações de rua, panelaços e viralizações nas redes. Era um clima assim de confronto, mas ainda não bélico. Um lado era o Bem, a normalidade da vida, a soberania; o outro lado era o Mal, a ignorância, a cegueira, a burrice, a doutrinação. O império do Mal queria ser dono, sozinho, de todo o território; o outro lado queria progredir como civilização. Esse momento crucial, em breve, teria seu desfecho.
Nessa situação de impasse assustador, uma outra nação (ou seriam alienígenas, não se sabe ao certo), do quadrante Norte, tentou se apoderar do mesmo território que os dois outros grupos disputavam. Eram liderados por um alienígena poderoso. Eles eram altos, muito brancos, cabelos cor-de-laranja, e representavam uma ameaça às duas nações em disputa.
Ameaça que foi descoberta, casualmente, quando o líder dessa terceira nação, ele próprio, se traiu e confessou que desejava ocupar aquele território. Principalmente porque era um território muito valioso, tinha variadas riquezas naturais e, principalmente, muitos minérios, necessários exatamente para fazer funcionar e ampliar a cruel grande engrenagem, que estava enlouquecendo completamente aquela nação ao Sul.
A vida cotidiana pouco mudava, para os dois lados, mas havia um certo nervosismo no ar, o comportamento estava alterado, o clima era tenso. Agressões as mais diversas eram trocadas. Neste ponto, um detalhe importante não pode deixar de ser mencionado: Na verdade, aquelas redes sociais, aquele elo quase inquebrantável de ignorância, havia sido introduzido naquela nação sulista para enfraquecer a união do povo a ser dominado. Para difundir a discórdia e a desinformação, exatamente pelo pretenso invasor estrangeiro. Aquele povo dos seres brancos, altos de cabelo laranja.
E era essa a estratégia porque, junto com as chamadas redes sociais, estava sendo desenvolvida uma inteligência artificial, capaz de superar toda a inteligência humana. E aí estava o grande segredo. Eles iam interferir através de uma inteligência que ia mostrar-lhes o melhor caminho para fazer com que a mente das pessoas enlouquecesse e abrisse espaço para a sua ocupação final.
Alguns aventureiros e traidores se apressaram a “vender sua alma” ao invasor, mas só revelavam fraqueza moral. Não tiveram força para atrair seguidores, ao contrário.
Desvendada a perigosa tentativa de roubo do território das duas nações que brigavam, no início dessa fábula, parece que um lampejo de entendimento aconteceu, subitamente, nas terras do Sul. Esse lampejo trouxe esclarecimento para milhões de pessoas, que perceberam a necessidade urgente de uma união de esforços, dos dois lados, contra o Laranjão do Norte. Deu certo.
É claro que não viveram felizes para sempre, mas aqueles milhões de pessoas que caíram em si foram suficientes para empoderar uma liderança, capaz de enfrentar esse e outros desafios que se apresentavam, em nome de todos do Sul.
Escaparam por um triz da invasão e ocupação. Agora poderiam aumentar sua coesão, como povo que, unido, jamais será vencido.
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